Mundo
27/01/2008 - 10h52

Indonésia decreta sete dias de luto pela morte do ex-ditador Suharto

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da Efe, em Jacarta

O ex-ditador indonésio Suharto, de 86 anos, morreu neste domingo no hospital de Pertamina, em Jacarta, onde estava internado há 23 dias, e por isso o governo da Indonésia decretou sete dias de luto nacional.

A morte de Suharto aconteceu às 4h10 no horário de Brasília, segundo o chefe da equipe presidencial de médicos, Marjo Subiandono, em um comunicado.

"Demos o melhor, mas Deus decidiu outra coisa (...). A condição do coração e sua pressão sangüínea permaneciam altas e baixas, e, para ser sincero, já tínhamos começado a desistir, porque sua condição cerebral era muito séria", disse Munawar, outro médico que cuidou do ex-ditador, à emissora Elshinta.

O corpo de Suharto foi levado de carro até sua casa, em meio às centenas de pessoas aguardavam nas portas do Pertamina, onde estava também a imprensa. Após saber da notícia, o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, expressou suas condolências e pediu que seus compatriotas rezassem por Suharto.

Yudhoyono compareceu hoje à casa do ex-ditador, acompanhado do vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla. O atual presidente indonésio suspendeu uma viagem à ilha de Bali, onde na segunda-feira (28) inauguraria uma conferência sobre corrupção organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo a imprensa local, Yudhoyono terá um papel de destaque na cerimônia fúnebre, que acontecerá na segunda-feira.

Suharto será enterrado no mausoléu da família, no cemitério de Astana Giri Bangun, em Solo, Java Central, onde também está sua mulher.

Luto

O secretário de Gabinete indonésio, Sudi Silalahi, decretou luto nacional de sete dias, a partir de hoje, em respeito ao ex-ditador, e a bandeira do Palácio Presidencial permanecerá a meio mastro.

Em seus últimos momentos, Suharto ficou na companhia dos treze netos e dos seis filhos que teve com Hatinah, sua esposa durante 49 anos, que morreu em 1996.

Uma das últimas pessoas de fora da família que pôde visitá-lo foi o vice-primeiro-ministro cambojano, Sok An, que no sábado (26) permaneceu meia hora no quarto de Suharto.

Saúde

A saúde do ex-ditador, general reformado de cinco estrelas e segundo presidente da Indonésia, piorou neste sábado à noite, após entrar em coma, devido à falência nos órgãos internos.

Poucas horas antes de morrer, os médicos que cuidavam do ex-ditador anunciaram, em entrevista coletiva, que o estado de Suharto era "muito crítico" e que tinha perdido a consciência pela primeira vez desde que foi internado, em 4 de janeiro.

Suharto havia sido novamente conectado a um aparelho de respiração. Na sexta-feira (25), o ex-líder apresentou uma ligeira melhora e começava a respirar por conta própria.

O ex-ditador, que também era submetido a um tratamento de diálise, sofreu diversas recaídas desde que foi hospitalizado no Pertamina com pressão baixa, edema e outros sintomas, junto com uma septicemia.

Ditador

Os 32 anos do governo ditatorial de Suharto na Indonésia foram marcados por medidas consideradas antidemocráticas e escândalos de corrupção.

O ex-general dirigiu um regime que alcançou um rápido desenvolvimento econômico à custa da proibição de liberdades políticas e forte corrupção.

Suharto foi acusado de causar prejuízos ao Estado no valor de cerca de US$ 600 milhões e de construir uma fortuna ilícita de bilhões de dólares durante o seu governo.

A organização Transparência Internacional estima que a família de Suharto acumulou até US$ 35 bilhões de maneira fraudulenta.

Ele lidera as listas de dirigentes mais corruptos das últimas décadas elaborada pelo Bird (Banco Mundial) e pela organização Transparência Internacional, mas nunca foi julgado em seu país.

Direitos humanos

O ex-ditador também é criticado pela invasão e ocupação do Timor Leste, que resultou na morte de ao menos 200 mil pessoas, segundo grupos de direitos humanos.

Em maio de 1998, foi obrigado a renunciar, após meses de protestos e uma insatisfação geral devido à crise econômica que a Indonésia atravessava.

Manifestações populares o acusavam de levar a nação à falência e de não coibir eventuais abusos contra os direitos humanos.

Suharto negava todas as acusações.

Anistia

O ex-general escapou de ir aos tribunais depois que uma equipe médica declarou que ele sofria de "dano cerebral permanente" causado por dois infartos, o que impossibilitava seu testemunho.

Em 2006, a Indonésia decidiu retirar as acusações de corrupção contra Suharto. "O caso foi encerrado, Suharto não é mais um acusado, é um homem livre", disse o procurador-geral da Indonésia, Abdul Rahman Saleh, na ocasião.

 

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