ONU afirma que corrupção é uma epidemia fora de controle
da Efe, em Nusa Dua (Indonésia)
A corrupção é, em algumas regiões do mundo, uma "pandemia que está fora de controle", a qual não está sendo combatida como deveria ser, denunciou hoje o UNODC (Escritório de Nações para a Droga e a Delinqüência).
O diretor Antonio María Costa fez a advertência às delegações de quase cem países que participam da conferência da ONU contra a corrupção realizada na ilha indonésia de Bali.
"A corrupção é uma doença contagiosa e, em algumas regiões, uma pandemia que está fora de controle", disse Costa em seu discurso de abertura, após ressaltar que está se fazendo muito pouco para combater o problema, principalmente nos países africanos.
A segunda Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção discutirá durante cinco dias assuntos como a recuperação de ativos roubados ao Estado, a assistência técnica aos países menos desenvolvidos para combater a corrupção, e a melhora da cooperação nesses âmbitos.
As delegações dos 107 países que ratificaram a convenção debaterão iniciativas destinadas a revisar o progresso que os membros fazem na aplicação do acordo, que penaliza os casos de corrupção.
"É necessário adotar medidas específicas para reduzir as emissões venenosas da corrupção e dos subornos", apontou o chefe do UNODC.
Indonésia
A conferência na Indonésia --país considerado um dos mais corruptos do mundo-- segue a realizada há dois anos na Jordânia.
A Indonésia, onde hoje transcorre o primeiro dia de luto nacional pela morte do ex-ditador Suharto, ocupou no ano passado o 143º lugar da lista de 179 países elaborada pela organização Transparência Internacional.
Suharto morreu sem responder perante a Justiça de seu país, que em diversas ocasiões tentou levá-lo ao banco de réus por suposto envolvimento no saque dos cofres do Estado, assim como por muitos casos de suborno e nepotismo.
A fortuna de sua família foi estimada pela revista "Time" em US$ 15 bilhões, enquanto a Transparência Internacional eleva o valor para US$ 35 bilhões.
No início da conferência, o chefe do UNODC pediu aos delegados um minuto de silêncio para "somar-nos à homenagem e às condolências pelo falecimento do ex-presidente Suharto".
O atual presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, a quem correspondia inaugurar oficialmente a conferência de Bali, cancelou sua viagem à ilha para liderar o funeral de Estado em homenagem a Suharto, que morreu no domingo no hospital Pertamina de Jacarta, onde ficou internado por 23 dias.
Em seu nome, Yudhoyono enviou o ministro para Assuntos Políticos e a Segurança, Widodo, que leu o discurso do chefe do Estado após lembrar "nosso querido ex-presidente".
"A Indonésia é um país hostil à corrupção (...) é a ameaça pública número um em nosso país, infelizmente difícil de erradicar", admitiu o ministro no discurso do presidente.
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