Egito defende que forças de Abbas controlem fronteira de Gaza
da Folha Online
O Egito anunciou nesta segunda-feira que deseja que as forças ligadas ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, controlem a faixa de Gaza, excluindo da proposta o grupo radical islâmico Hamas, que controla Gaza desde junho.
O ministro egípcio das Relações Exteriores, Aboul Gheit, disse em comunicado à União Européia e aos Estados Unidos que é importante que "Israel coopere com os esforços para controlar a fronteira, por meio do destacamento de forças da ANP e de monitores da UE".
"Aboul Gheit ressaltou em suas mensagens que os egípcios estão determinados a assumir gradualmente a fronteira com Gaza e levar a situação de volta ao normal", disse o porta-voz do ministério, Hossam Zaki, em um comunicado.
O Hamas --que expulsou as forças de Abbas de Gaza em junho último-- anunciou ontem que o Egito teria garantido que não estava comprometido com um acordo de 2005 que deu a Abbas o controle da segurança da área da fronteira.
Tanto Abbas quanto Khaled Meshal, líder do Hamas que vive exilado na Síria, se reunirão na próxima quarta-feira (30) com o ditador egípcio, Hosni Mubarak, no Cairo, para discutir a situação na fronteira entre a faixa de Gaza e o Egito, informaram hoje fontes palestinas.
Segundo Shaath, na reunião também será discutido o convite de Mubarak para a realização de uma conferência de reconciliação entre as facções rivais do grupo radical islâmico Hamas e do Fatah, liderada por Abbas.
É a primeira vez que Mubarak se envolve pessoalmente para reconciliar as duas facções palestinas rivais desde que, em junho, o Hamas tomou o controle da faixa de Gaza e expulsou os partidários do Fatah.
Shaath disse ainda que Abbas se encontrará com outras personalidades políticas para debater a situação na fronteira.
Fechamento
A polícia egípcia voltou nesta segunda-feira a fechar a maior parte dos buracos que estavam abertos na fronteira entre a faixa de Gaza e o Egito, restando apenas uma passagem aberta por onde os palestinos ainda podem deixar a região, a de Salah ad Din.
Segundo a agência Efe, forças de segurança proibiram a entrada de palestinos pelos dois buracos que estavam abertos, e agentes se concentram agora na passagem de Salah ad Din.
Desde quarta-feira passada (23), milhares de palestinos procedentes da faixa de Gaza cruzaram a fronteira com o Egito após derrubar a cerca fronteiriça devido ao bloqueio israelense à região.
A saída em massa teve início depois que Israel anunciou um bloqueio à região. A medida seria uma retaliação ao lançamento de foguetes de fabricação caseira vindos de Gaza
Países árabes
Em um comunicado divulgado hoje, nações árabes elogiam a disposição da ANP em assumir a responsabilidade por todas as passagens da área da fronteira em Gaza.
Ministros de Relações Exteriores de países árabes atribuíram nesta segunda-feira a Israel a "responsabilidade total" pela crise em Gaza, e exigiram que o país dê fim ao bloqueio à região, permitindo que ajuda humanitária e mantimentos cheguem até a população.
"Israel é uma força de ocupação, é totalmente responsável pela deterioração da situação nos territórios palestinos, e deve parar imediatamente com suas contínuas agressões contra os civis, dando fim do bloqueio que reflete a política de punição coletiva", diz um comunicado emitido em nome de ministros árabes no Cairo nesta segunda-feira.
Países árabes pediram ainda que o Conselho de Segurança (CS) da ONU "assuma sua responsabilidade em exigir o fim da agressão israelense e do cerco à Gaza, protegendo o povo palestino e seus direitos, de acordo com as leis internacionais".
Os ministros pediram ainda que todas as partes trabalhem juntas pela reabertura das passagens na fronteira e para evitar uma repetição da atual crise na região.
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