Mundo
29/01/2008 - 01h54

Bush critica o Irã e pede por Estado palestino durante discurso

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da Folha Online

O presidente americano, George W. Bush, acusou o Irã de financiar grupos extremistas e pediu que Teerã ponha fim a suas aspirações nucleares e ao apoio ao terrorismo, nesta segunda-feira.

"O Irã está financiando e treinando os grupos militantes no Iraque, apoiando os terroristas do Hizbollah no Líbano e apoiando os esforços do Hamas para sabotar a paz na Terra Santa", disse Bush em seu último discurso sobre o Estado geral da União, perante o Congresso e autoridades dos EUA.

"Os Estados Unidos farão frente aos que ameaçam nossas tropas, defenderemos nossos aliados e protegeremos nossos interesses vitais no golfo Pérsico", disse Bush.

"Ponham fim à opressão interna, ponham fim a seu apoio ao terrorismo externo", afirmou.

O Irã afirma que seu programa de desenvolvimento nuclear tem como objetivo aumentar seu fornecimento de energia, mas os Estados Unidos e seus aliados afirmam que o verdadeiro propósito é a fabricação nuclear.

O presidente dos EUA disse que sua advertência não é dirigida ao povo iraniano e afirmou que seu governo respeita "suas tradições e sua história".

"Nossa mensagem aos governantes iranianos é clara: suspendam de maneira verificável seu enriquecimento nuclear para que as negociações possam começar", declarou.

Bush disse que assim que aconteça esse retorno às negociações, o Irã poderá voltar à comunidade internacional "com um histórico limpo de intenções nucleares".

Sobre a economia, o presidente disse que o país atravessa um momento de incerteza, mas que, a longo prazo, os cidadãos devem confiar no crescimento econômico.

Iraque

Segundo o presidente, nos últimos sete anos, os EUA foram "testados de formas que não podíamos imaginar".

"Lutar contra o Taleban e Al Qaeda é critico para nossa segurança e agradeço o Congresso por apoiar nossa luta no afeganistão", declarou.

Em seu discurso, interrompido diversas vezes por longas salvas de palmas, Bush disse que duros combates ainda acontecerão no Iraque. Por outro lado, o presidente afirmou que a segurança melhorou consideravelmente e que pretende consolidar, em 2008, os avanços conquistados com o "surge" [aumento das tropas americanas no Iraque em mais 30 mil homens em 2007].

"Quando nos encontramos no ano passado [em referência ao discurso anterior], muitos acharam que conter a violência era impossível", disse o presidente.

"Quando nos encontramos, nossas tropas estavam aumentando, agora aplicamos uma politica de retorno, as tropas que enviamos começam a voltar." Segundo o mandatário, cerca de 20 mil soldados voltarão em breve e não serão substituídos. "Qualquer outra retirada será baseada nas condições do pais e nas recomendações dos nossos comandantes".

"Aplicamos duros golpes em nossos inimigos no Iraque. Eles ainda não foram vencidos e ainda devemos esperar por duros combates", completou.

"Não há dúvida. A Al Qaeda está fugindo do Iraque, e nosso inimigo será derrotado", disse o presidente, ao mencionar uma mudança na ação militar dos EUA no país. "Nosso objetivo, ao longo deste ano, consiste em consolidar os ganhos que tivemos em 2007 e tirar proveito deles, fazendo a transição para a nova fase da nossa estratégia".

Segundo o presidente, os soldados americanos cedem, progressivamente, aos iraquianos a condução das operações, para se dedicar mais a uma missão de proteção e de supervisão. Para o americano, o governo de Bagdá tem realizado grandes avanços, aumentando as forças de segurança.

No entanto, uma retirada às pressas das tropas americanas do Iraque fortaleceria o Irã, deixaria em ruínas a segurança e o progresso político alcançado naquele país. Bush aproveitou então para pedir ao Congresso que libere as verbas para as guerras.

Oriente Médio

Como era esperado, o discurso incluiu as conversas entre israelenses e palestinos, retomadas após a conferência de Annapolis, promovida pelos EUA, em novembro do ano passado.

"Este mês, em Ramallah e Jerusalém, assegurei aos líderes de ambos os lados que os Estados Unidos farão, e eu farei, tudo o que pudermos para ajudá-los a conseguir o acordo de paz que defina um Estado palestino até o final deste ano", disse Bush.

"Chegou a hora de uma Terra Prometida, onde um Israel democrático e uma Palestina democrática vivam um ao lado do outro em paz", completou.

O presidente aproveitou para criticar Cuba. "Os Estados Unidos se opõem ao genocídio no Sudão e apóiam a liberdade em países como Cuba, Zimbábue e Bielo-Rússia".

Imigração

Para Bush, o Congresso falhou em duas questões: gastos e imigração.

O presidente pediu aos parlamentares que resolvam o "complicado" problema da imigração ilegal, após fracassar duas vezes, nos últimos dois anos, na tentativa de fazer avançar a reforma migratória prometida para seu segundo mandato.

"A imigração ilegal é complicada, mas pode ser resolvida", disse Bush. Segundo o presidente, sua gestão fez grandes avanços na questão ao construir cercas, com tecnologias para evitar a imigração ilegal e ao dobrar o número de homens que patrulham a fronteira com o México.

O mandatário pediu também por uma reforma no sistema de saúde e afirmou que "ninguém pode negar os resultados" das políticas de educação. De acordo com Bush, os gastos com a segurança social são maiores do que o país pode suportar.

 

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