Mundo
31/01/2008 - 16h44

Refém das Farc por oito anos relata em livro o sofrimento na selva

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da Folha Online

Os reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), especialmente três americanos e a franco-colombiana Ingrid Betancourt, são submetidos a duras humilhações, segundo livro do policial colombiano John Frank Pinchao, que há nove meses conseguiu fugir do cativeiro na selva.

Pinchao conta detalhes do cotidiano dos reféns, o sofrimento e o permanente deslocamento de um acampamento a outro no livro intitulado "Mi fuga hacia la libertad" ("Minha Fuga para a Liberdade", em tradução livre), que escreveu após escapar de oito anos de seqüestro.

Nas conversas com o policial, Ingrid dizia sonhar em ser presidente para acabar com a corrupção, conseguir educação gratuita para todas as crianças colombianas, fundar na selva uma cidade como Brasília para os milhões de desalojados e construir o metrô em Bogotá.

Efe
Reprodução da capa do livro de John Pinchao, refém por oito anos
Reprodução da capa do livro de John Pinchao, refém por oito anos

Um capítulo do livro é dedicado a narrar a tentativa frustrada de fuga de Betancourt e do ex-congressista Luis Eladio Pérez, que foram recapturados cinco dias mais tarde.

Após os encontrarem, os guerrilheiros decidiram acorrentá-los pela primeira vez. "Primeiro procederam com Lucho (Pérez) e depois com Ingrid, mas ela resistiu", escreveu o policial.

Em seguida, começaram as represálias contra Betancourt, ex-candidata à presidência colombiana seqüestrada desde fevereiro de 2002 e que faz parte dos 43 reféns que as Farc propõem trocar por 500 rebeldes presos.

"Quando lhe dava vontade de ir ao banheiro à noite chamava os guardas, mas eles se faziam de surdos e ela tinha que esperar. Como era de noite, iluminavam o caminho, mas alguns chegavam a apagar a lanterna para que ela nada pudesse ver", relata Pinchao.

Uma noite, prossegue, "Ingrid deu um grito de dor que acordou a todos, pois tropeçou em um pau e caiu sobre uma estaca que perfurou o joelho e causou uma ferida um pouco profunda".

"Sua recuperação durou muito tempo", afirma, e Betancourt se viu obrigada a caminhar com dificuldade e devagar, pois "[o joelho] é um local difícil de curar e (a ferida) sempre acabava abrindo novamente".

Pinchao também relata que a política teve de se impor várias vezes ao assédio dos guerrilheiros que a observavam enquanto se banhava nos riachos ou quando fazia uso do sanitário improvisado na selva.

Os rebeldes a vigiavam permanentemente por suas contínuas tentativas de fuga e a proibiram de falar com os três reféns americanos, aos quais Betancourt se dirigia em inglês.

Os americanos Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell, contratados por seu governo para realizar tarefas contra as drogas do Plano Colômbia, foram seqüestrados pela guerrilha quando o avião em que estava, caiu numa zona do sul controlada pelas Farc, em fevereiro de 2003.

Os americanos, segundo Pinchao, contaram que o avião em que viajavam sofreu falhas técnicas e realizaram um pouso de emergência.

AP
Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; saúde debilitada preocupa familiares
Foto de Betancourt divulgada pelas Farc; saúde debilitada preocupa familiares

"Quando os americanos estavam fora da aeronave, os guerrilheiros os despiram pensando que carregavam algum dispositivo eletrônico, um chip para localização como nos filmes, e os fizeram caminhar nus pela selva", afirmou o policial.

Depois, entregaram a eles botas de borracha, pequenas para seus tamanhos, e, por isso, tiveram que cortá-las "de maneira que os dedos ficaram de fora e terminaram com feridas muito sérias".

O policial não esconde sua admiração por Ingrid Betancourt, que era rebelde com seus captores, mas sempre atenta com os companheiros de cativeiro, como quando atuava de enfermeira com Luis Eladio Pérez ou ensinava francês ou natação a outros.

"Ingrid foi minha luz, meu caminho, meu guia nos momentos em que estava na escuridão", finaliza Pinchao.

Com France Presse

Comentários dos leitores
José Vitor (38) 15/10/2009 10h28
José Vitor (38) 15/10/2009 10h28
Título da Folha: "Farc ataca pequeno avião com 15 passageiros a bordo"
Texto da EFE: "Supostos guerrilheiros das Farc..."
Essa Folha de SP não presta mesmo...
sem opinião
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J. R. (1044) 07/10/2009 05h54
J. R. (1044) 07/10/2009 05h54
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Os Estados Unidos dão proteção a terroristas. A 33 anos Luis Posada Carriles foi o responsável pela bomba que derrubou o avião de passageiros de Cuba, matando 72 pessoas. Sistematicamente os USA tem se recusado a Cuba em extraditá-lo, mas agora é a Venezuela que faz coro à punição do terrorista. Isso lembra o episódio do líbio que a Escócia libertou recentemente, sob protestos dos USA, envolvido na explosão a bordo do avião da Lockerbie, que cumpriu a maior parte da sentença de 27 anos. A lei internacional que vale para os Estados Unidos não é a mesma lei internacional que eles aceitam para o mundo. Isso é prevaricação, viva o TPI, é o melhor que temos. Mesmo que eles não reconheçam seus terroristas, também terão que protegê-los em seu território, sabendo que não poderão sair de lá ou serão presos. Ficaria feliz em saber que algum dia o TPI condenará o neto de banqueiro da União Federal chamado George W. Bush, o açougueiro nazista.
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212 opiniões
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J. R. (1044) 04/10/2009 15h17
J. R. (1044) 04/10/2009 15h17
Lula lá 3° tempo, os votos estão garantidos, só falta remover o entulho da frente. Voto não faltará, a questão é conter os "revoltosos", apenas um "aumento" de salário resolve. 1 opinião
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