Mundo
31/01/2008 - 20h28

Hamas reúne-se com autoridades egípcias para tratar de crise em Rafah

Publicidade

da Efe, no Cairo

Uma delegação do grupo islâmico palestino Hamas, liderada por seu chefe político, Khaled Meshaal, reuniu-se nesta quinta-feira com funcionários dos serviços secretos egípcios no Cairo para tratar da crise na fronteira entre Gaza e Egito.

As conversas entre os representantes do Hamas e as autoridades egípcias continuam, sem que qualquer informação tenha vazado.

Entre os representantes do grupo palestino está o ex-ministro das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP) Mahmoud Zahar.

Fontes de segurança disseram à agência de notícias Efe que os serviços secretos egípcios deram ordens para que informações sobre a reunião não fossem divulgadas.

O encontro acontece um dia após o presidente da ANP e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, se reunir com o ditador egípcio, Hosni Mubarak, que nesta quinta não recebeu a delegação do Hamas.

Os líderes das facções rivais visitaram o Egito separadamente, após Mubarak propor uma conferência de reconciliação entre Fatah e Hamas para buscar uma saída para a crise da fronteira entre Gaza e Egito por onde milhares de palestinos passaram na última semana.

No entanto, as diferenças entre os dois grupos impediram que ontem ambos se reunissem na mesma mesa de negociações.

Após o encontro com Mubarak, para estabelecer distâncias, Abbas afirmou que "não haverá qualquer diálogo com o Hamas", que ele considera uma organização "ilegítima e golpista".

O Hamas parece decidido a não ceder e reafirmou nesta quinta a intenção de ter reservado seu lugar especial nas negociações da crise de Rafah.

"As passagens fronteiriças são a porta natural que une Gaza com o mundo árabe e islâmico, assim como com o resto do mundo. Insistimos em desempenhar um papel central em sua negociação", declarou Mahmoud Zahar, líder do grupo e ex-ministro das Relações Exteriores da ANP, após entrar no Egito por Rafah.

Pouco depois, o "número dois" do Hamas em Damasco, Moussa Abu Marzuk, descartou, pelo menos por enquanto, uma reunião entre Abbas e Meshaal e anunciou que os representantes do Hamas se reuniriam somente com as autoridades egípcias.

Cisão

O atual conflito entre Hamas e Fatah começou em junho de 2007, quando o grupo islâmico tomou o controle da Faixa de Gaza e expulsou os partidários do Fatah.

A situação piorou com a crise em Rafah, fronteira entre Egito e Gaza, por onde, na última semana, centenas de milhares de palestinos fugiram do bloqueio israelense à Gaza em represália aos projéteis disparados contra seu território.

Nesta quinta, os palestinos entravam no Egito normalmente pelo nono dia consecutivo.

Segundo o chefe da imprensa governamental egípcia em Al Arish, Hisham Badawi, a entrada de palestinos, tanto de pessoas como de veículos, pela passagem que permanece aberta em Rafah continua, porém em um ritmo menor nesta quinta.

As forças de segurança egípcias começaram a impedir nesta quinta o acesso de fotógrafos e jornalistas a Rafah para que "não causem interferências".

Em dez controles policiais existentes ao longo dos 45 quilômetros de estrada que unem Al Arish, capital do norte do Sinai, à fronteira com Gaza, a polícia pede documentação a todos os que se dirigem à passagem de Rafah.

"Há novas ordens para que os jornalistas parem de causar interferências", disse à Efe um oficial que pediu para não ser identificado.

Nos controles policiais, continuam sendo revistados tanto os carros particulares quanto os táxis e veículos de transporte numa tentativa de evitar que novas mercadorias entrem em Rafah, o que forçaria os palestinos a retornarem para Gaza.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca