Mundo
01/02/2008 - 21h52

Escolas em Gaza reabrem sem energia devido ao bloqueio israelense

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da Folha Online

Mais de 500 escolas da faixa de Gaza reabriram as portas na manhã desta sexta-feira depois das férias de inverno, mas estão sem eletricidade, calefação e materiais por causa do bloqueio ao território imposto por Israel, afirmou nesta sexta-feira a Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA).

O clima frio também atrapalha as atividades dos centros educacionais palestinos.

"Os habitantes de Gaza agora têm que enfrentar o frio, com chuvas e ventos fortes, o que agrava a miserável situação das 1,5 milhão de pessoas (que vivem no território", afirmou o chefe do escritório de representação da UNRWA em Genebra, Matthias Burchard.

Tara Todras-Whitehill/AP
Jovem palestino com bandeira de organização ligada ao Hamas em trecho destruído da cerca de fronteira entre Gaza e Egito
Jovem palestino com bandeira de organização ligada ao Hamas em trecho destruído da cerca de fronteira entre Gaza e Egito

Da população total da faixa de Gaza, 56% são crianças e adolescentes menores de 18 anos, "o que significa que as crianças estão suportando a maior parte das restrições, tanto de comida, como de combustíveis e materiais escolares", disse a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Genebra, Veronique Taveau.

As duras condições climáticas dos últimos dias e o corte de abastecimento energético imposto por Israel desde meados de janeiro --em represália aos projeteis lançados contra o país judeu-- tornaram os freqüentes problemas dos estudantes palestinos ainda piores, afirmou Taveau.

Das 622 escolas de Gaza, 374 são governamentais, 214 são administradas pela UNRWA e 34 são privadas. Cerca de 240 mil alunos estão matriculados nas escolas públicas, 150 mil freqüentam os centros da agência da ONU e 8 mil vão às escolas particulares.

Segundo o porta-voz da UNRWA, a atual situação de frio e falta de eletricidade nas escolas "afeta todas as crianças, refugiadas e as não refugiadas".

Fronteira

Uma delegação do movimento radical islâmico Hamas, que controla a faixa de Gaza desde junho de 2007, disse nesta sexta que as reuniões com autoridades egípcias no Cairo sobre a fronteira entre o território palestino e o Egito avançam satisfatoriamente em direção a um acordo.

"Houve progressos no sentido de um acordo sobre Rafah, mas ainda não o alcançamos e precisamos seguir com as negociações", declarou à agência France Presse Mohamed Nasr, membro do braço político do Hamas.

A delegação, integrada por dirigentes islâmicos baseados na faixa de Gaza e Damasco, deixou o Cairo nesta sexta após dois dias de reuniões com altos funcionários egípcios, entre eles o chefe do serviço secreto do país, o general Omar Suleiman.

O Egito, que tenta retomar o controle de sua fronteira, não divulgou nenhum comentário sobre o resultado da série de encontros. Após o bloqueio de Israel, militantes do Hamas destruíram partes da barreira de metal que isola a faixa de Gaza do país africano. Desde então, centenas de milhares de palestinos cruzaram a fronteira para comprar alimentos, combustíveis e remédios, entre outros.

Cairo teme que os palestinos queiram ficar no Egito e tenta conter o fluxo em direção ao país. Para Israel, o receio é de que os habitantes de Gaza que atravessam a fronteira voltem com mais armamentos a serem usados em atentados e confrontos contra os israelenses.

Com France Presse e Efe

 

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