Chávez mantém controle de preços e promete abastecimento de alimentos
da Efe, em Caracas
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que manterá os controles de câmbio e de preços em vigor desde 2003 e garantiu que seu governo abastecerá o país de alimentos.
"Nem serão levantados os controles (de câmbio e de preços) e o país será abastecido (de alimentos)", afirmou Chávez em um discurso pelo nono aniversário de sua chegada ao poder.
O presidente venezuelano abordou a questão ao rejeitar a "espécie de ameaça", em sua opinião, lançada pela patronal Fedecámaras, que alertou que enquanto houver controles, persistirá a situação de escassez de alimentos básicos e outros produtos, como peças para veículos e medicamentos.
Há duas semanas, o governo iniciou um novo mecanismo de produção e distribuição de alimentos, a PDVAL, subordinada à poderosa indústria petrolífera nacional, em uma tentativa de amenizar a escassez de produtos de primeira necessidade.
A PDVAL se somará à rede de distribuição de alimentos Mercal, outra iniciativa oficial criada em 2003 como parte do plano para garantir a soberania alimentícia da Venezuela, quinto maior exportador mundial de petróleo.
"Autorizei a PDVAL a distribuir 150 mil quilos de alimentos mensalmente", afirmou Chávez na cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão.
O desabastecimento de alimentos básicos sujeitos a controle de preços, entre eles frango, legumes, açúcar e leite, aumentou nos últimos dois meses, e atualmente são constantes as denúncias de que sumiram das prateleiras alguns medicamentos e peças de automóveis.
Os setores comerciais e empresariais vinculam os fenômenos do desabastecimento e de escalada inflacionária à regulação em vigor dos preços de mais 110 produtos, assim como ao controle de câmbios, que fixa uma taxa de 2,15 bolívares fortes por dólar.
O governo indica que a "especulação e o açambarcamento" são os causadores do desaparecimento das prateleiras de muitos alimentos e, por isso, iniciou um plano de fiscalização de comércios e uma forte restrição das vendas de alimentos na fronteira com a Colômbia.
A inflação no país terminou 2007 em 22,5%, 10,5 pontos acima da previsão oficial, e o ministro do Planejamento, Haiman el-Troudi, anunciou na sexta-feira que a meta de 11% estimada para este ano poderia ser alterada.
O Banco Central da Venezuela (BCV-emissor) informou no sábado que a inflação de janeiro foi de 3,4% em Caracas e de 3% em todo o país.
O presidente da patronal Fedecámaras, José González, disse que, segundo cálculos empresariais, a inflação fechará este ano entre 25% e 29%.
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