Casamento de Sarkozy e Bruni visa conter críticas, dizem jornais
LUC PERROT
da France Presse, em Paris
O casamento entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a ex-top model Carla Bruni, celebrado na intimidade neste sábado, regulariza uma situação que confundia os franceses e alimentava as críticas sobre a exposição da vida privada do chefe de Estado.
Rompendo radicalmente com o assédio da imprensa que rodeava até agora sua relação com a ex-top model e cantora --com quem foi visto na EuroDisney, no Egito e na Jordânia-- Sarkozy casou-se em cerimônia íntima no Palácio do Eliseu, a sede da Presidência.
Não houve fotos nem imagens de TV do evento, que no entanto foi divulgado hoje pela imprensa de toda a Europa. "Há muitas chances de que saibam quando já tiver sido feito", disse Sarkozy em janeiro aos jornalistas, defendendo-se dos que o acusam de expor sua vida privada, algo que começava a incomodar a opinião pública, sobretudo os conservadores.
"A mensagem foi clara: nem fotos nem declarações. A queda de popularidade do presidente reflete a exposição excessiva da vida privada do chefe de Estado", diz o "Journal du Dimanche".
"Tudo volta à ordem a 5 semanas das eleições municipais, nas quais a direita, desestabilizada devido à imagem do chefe de Estado, teme a rejeição do eleitorado", diz o diário.
De acordo com uma pesquisa recente, apenas 41% dos franceses confiam em Sarkozy neste momento. Além da exposição de sua vida privada, a sensação de que o presidente não cumpre suas promessas de campanha, principalmente em relação ao aumento do poder aquisitivo da população, explica esta queda nas sondagens.
"Os aliados de Sarkozy esperam que seu herói volte a trabalhar e que o faça bem", escreveu o jornal "Le Parisien", admitindo que os oito primeiros meses do mandato de Sarkozy, que em outubro se divorciou de sua segunda mulher, Cecilia, após anos de uma relação conflituosa, foram ocupados em grande parte por sua vida privada.
Seu casamento com Bruni resolverá também vários problemas de protocolo, que impediram, por exemplo, que a ex-modelo acompanhasse Sarkozy durante sua visita à Índia em janeiro.
Moralismo
No domingo, o "Sunday Times" ressaltava que o matrimônio põe fim também à preocupação da rainha Elizabeth 2ª, que receberá Sarkozy em março no castelo de Windsor e não sabia ao certo se o presidente francês e sua noiva deveriam dormir em quartos separados.
Para o jornal conservador alemão "Welt am Sonntag", "as relações e os amores sempre estiveram presentes nas dinastias francesas, mas a norma era sempre a discrição, uma palavra que Sarkozy não entende".
Ao mesmo tempo, a personalidade de Bruni, sua exposição midiática, sua carreira de cantora e a liberdade que reivindica em sua vida amorosa não deixam claro que tipo de primeira-dama ela deseja ser. A imprensa não teve muita piedade da ex-top model e publicou a lista de suas conquistas masculinas, apresentando-a como uma "devoradora de homens".
"Com um caráter tão imprevisível como o de Bruni, o presidente corre risco ao se casar com ela", afirma o cientista político Philippe Braud. Mas se a ex-top model encontrar seu lugar no Eliseu, "sua elegância, sua cultura, sua popularidade e suas relações públicas poderão desempenhar um papel fundamental na imagem de um presidente moderno", diz o analista.
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