Mundo
07/02/2008 - 11h06

Ato marca fim de luto por Benazir Bhutto no Paquistão

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HASAN MANSOOR
de Garhi Juda Bajsh (Paquistão)

Milhares de pessoas se reuniram nesta quinta-feira diante do mausoléu da ex-premiê Benazir Bhutto, no sul do Paquistão, para marcar o 40º e último dia de luto pelo assassinato no final de dezembro da líder opositora, informou um jornalista da France Presse.

O dia de recolhimento e oração marca o retorno à campanha eleitoral de seu partido, o Partido do Povo Paquistanês (PPP), a apenas 11 dias das eleições legislativas e Provinciais previstas para 18 de fevereiro, consideradas um passo crucial para a democracia.

Em um discurso para a multidão reunida em frente ao mausoléu de mármore branco, o viúvo e sucessor político de Bhutto, Asif Ali Zardari, co-presidente do PPP junto com seu filho Bilawal, afirmou que teme ser assassinado como sua esposa.

"Vingaremos o martírio de Bhutto pela via democrática", afirmou Zardari. "Se conseguir, estarei vivo. Se for assassinado como ela, vocês levarão meu caixão para a tumba", afirmou.

Medidas de segurança foram adotadas para a cerimônia na cidade rural de Garhi Juda Bajsh, onde Bhutto foi enterrada um dia depois de seu assassinato no dia 27 de dezembro.

Centenas de tropas paramilitares e soldados mantinham guarda enquanto a multidão que entrava no mausoléu para lançar pétalas de rosa sobre a tumba de Bhutto era obrigados a passar primeiro por detectores de metais.

A ex-primeira-ministra paquistanesa e principal líder da oposição ao presidente Pervez Musharraf foi assassinada no dia 27 de dezembro ao término de um ato eleitoral em um atentado suicida em Rawalpindi, nos arredores de Islamabad.

Violência

Os violentos distúrbios que eclodiram após seu assassinato provocaram o adiamento das eleições, inicialmente previstas para 8 de janeiro, e a suspensão da campanha eleitoral do PPP durante os 40 dias de luto.

O governo acusou um líder tribal islâmico ligado à milícia Taleban [milícia que controlava 90% do Afeganistão até a invasão da coalizão liderada pelos EUA em 2001] e à rede terrorista Al Qaeda de ser o mentor do assassinato. No entanto, antes de sua morte, Bhutto escreveu que membros do governo e dos serviços de inteligência conspiravam para matá-la.

Uma equipe de investigadores da polícia britânica de Scotland Yard, cuja ajuda havia sido solicitada pelo presidente Musharraf na investigação do assassinato, retornou ao Paquistão nesta quinta-feira e deverá apresentar um relatório no final desta semana.

A polícia deteve nesta quinta-feira duas pessoas relacionadas à morte de Bhutto.

"A equipe que investiga o atentado deteve hoje [quinta-feira] dois supostos terroristas muito relevantes, Hasnain e Rafaqat, originários de Rawalpindi", declarou à France Presse um alto funcionário da segurança paquistanesa que solicitou o anonimato.

Autoridades paquistanesas advertiram que podem haver novos atentados contra figuras políticas durante a campanha eleitoral, o que muitos consideraram uma tentativa de evitar que opositores de Musharraf saiam às ruas. Apesar das advertências e do frio intenso, muitas pessoas, entre elas mulheres e crianças, passaram a noite em tendas de campanha para cantar versos do Alcorão [livro sagrado muçulmano] em honra a Bhutto no início do dia.

 

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