Mundo
08/02/2008 - 06h26

Scotland Yard aponta que Bhutto morreu por golpe na cabeça

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da Folha Online

A líder da oposição paquistanesa Benazir Bhutto morreu em decorrência de um golpe na cabeça originado na explosão do atentado perpetrado por um suicida, e não por ferimentos de bala, segundo parte de um relatório da Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres) divulgada pelo jornal "New York Times".

O jornal publica parte das conclusões do documento que hoje deve ser revelado pela Scotland Yard, que trabalha junto às autoridades paquistanesas para esclarecer a causa da morte da ex-premiê.

Bhutto foi assassinada em um atentado no dia 27 de dezembro, após participar de um comício na cidade paquistanesa de Rawalpindi, próxima a Islamabad.

Segundo o "New York Times", "não está claro como os investigadores da Scotland Yard chegaram a essas conclusões sem uma autópsia e outras importantes provas" que foram retiradas por equipes de limpeza do local do atentado, no qual morreram outras de 20 pessoas.

O relatório da polícia britânica também estabelece que apenas um homem disparou contra Bhutto antes da explosão, e não dois como em princípio tinham indicado as autoridades paquistanesas.

Os especialistas britânicos passaram várias semanas no Paquistão em janeiro investigando o local do atentado, conversando com testemunhas e analisando a arma usada para matar Bhutto, com a missão de determinar qual foi a causa de sua morte.

Violência

Após a morte da ex-premiê, violentos distúrbios eclodiram em todo o país e provocaram o adiamento das eleições, inicialmente previstas para 8 de janeiro, e a suspensão da campanha eleitoral do PPP durante os 40 dias de luto.

O governo acusou um líder tribal islâmico ligado à milícia Taleban [milícia que controlava 90% do Afeganistão até a invasão da coalizão liderada pelos EUA em 2001] e à rede terrorista Al Qaeda de ser o mentor do assassinato.

No entanto, antes de sua morte, Bhutto escreveu que membros do governo e dos serviços de inteligência conspiravam para matá-la.

Autoridades paquistanesas advertiram que pode haver novos atentados contra figuras políticas durante a campanha eleitoral, o que muitos consideraram uma tentativa de evitar que opositores de Musharraf saiam às ruas.

Apesar das advertências e do frio intenso, muitas pessoas, entre elas mulheres e crianças, passaram a noite em tendas de campanha para cantar versos do Alcorão [livro sagrado muçulmano] em honra a Bhutto no início do dia.

Com Efe

 

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