Mundo
10/02/2008 - 15h01

Corrida à Presidência dos EUA é musical, mas desafina de vez em quando

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KARIN ZEITVOGEL
da France Presse, em Washington

Desde que, em 1789, George Washington usou uma marcha militar que glorificava suas proezas para se converter no primeiro presidente dos Estados Unidos, as campanhas eleitorais americanas sempre apelam para a propaganda através de músicas famosas ou significativas, mas a criatividade pode desafinar na intenção.

"Oficialmente, os candidatos têm quatro ou cinco canções que utilizam de forma distinta, dependendo do lugar do país em que se encontram", explica Mark Clague, musicólogo da Universidade de Michigan: o country para o sul, o rock para o norte, e uma mistura de ritmos latinos para o sudoeste.

Mas a escolha dos artistas pode resultar arriscada. Os republicanos criticaram vivamente os três principais pré-candidatos democratas pela escolha de músicos estrangeiros --o grupo U2 por parte de Barack Obama e John Edwards, e a cantora Celine Dion, por parte de Hillary Clinton.

As letras das canções também podem acabar sendo uma armadilha. A equipe de campanha de Hillary Clinton se apóia na canção "American Girl", de Tom Petty & The Heatbreakers, que deve dar a imagem de uma mulher próxima do povo e patriota.

Mas a letra da música parece ilustrar outro aspecto da campanha: o atual momento, em que Hillary, cuja candidatura era vista como "inevitável" antes do início das primárias, se encontra empatada com Barack Obama: "God, it's so painful/ Something that's so close/ And still so far out of reach" ("Deus, é tão doloroso/ Algo que está tão perto/ E ainda está tão fora de alcance").

O pré-candidato republicano John McCain tinha optado por músicas de John Cougar Mellencamp no início da campanha, mas foi aconselhado a trocar o fundo musical porque o roqueiro é democrata.

Já o republicano Mike Huckabee gosta de falar em seus comícios ao som dos acordes de "Sweet Home Alabama", uma canção que pode ser interpretada como uma defesa da segregação racial no sul americano.

Internet

Se as canções selecionadas já são um clássico das campanhas eleitorais, a originalidade este ano reside na trilha sonora composta por profissionais ou amadores, e que encontra seu público na internet.

No fim do ano passado, uma morena exuberante fez sucesso online ao cantar em um
vídeo que tinha "uma queda por Obama". O sucesso da vez é de Will.i.am, líder e produtor dos Black Eyed Peas, que ficou inspirado com o discurso do pré-candidato democrata nas primárias de New Hampshire.

O discurso, musicado e integrado a um videoclipe que coloca em cena uma série de celebridades, como a atriz de Hollywood Scarlett Johansson e a cantora Nicole Scherzinger, do grupo The Pussycat Dolls, virou a canção "Yes, We Can", visto por milhões de internautas em apenas uma semana.

"Os meios de comunicação dão a cada eleitor a possibilidade de escrever canções que escapam do controle dos promotores de personalidade para os quais apelam os partidos", explica Clague.

"A canção de que gosto no momento é 'You Rock, Barack'. O artista canta em sua própria sala, violão na mão, usando um suéter vermelho e um gorro cinza, acompanhado por uma harmônica."

"Não sei para onde foram os bons líderes, então venha Barack, seja o nosso próximo presidente", canta o fã nesse vídeo amador.

"Gosto desse clipe. Há nele uma espécie de sinceridade que não se encontra nas canções oficiais dos partidos", conclui o especialista.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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