Mundo
12/02/2008 - 22h05

Premiê da Austrália pede perdão a aborígenes no Parlamento

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da Folha Online

O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, fez um histórico pedido de desculpas ao povo aborígene nesta quarta-feira no Parlamento pelas injustiças cometidas com a população nativa, na primeira manifestação do tipo feita pelo governo na história do país.

"Nos desculpamos pelas leis e políticas de sucessivos Parlamentos e governos que infligiram tristeza, perdas e sofrimento profundos a nossos compatriotas australianos", disse Rudd.

Mick Tsikas/Reuters
Aborígenes realizam manifestação perante o Parlamento em Camberra nesta terça-feira, durante discurso do premiê
Aborígenes realizam manifestação perante o Parlamento em Camberra nesta terça-feira, durante discurso do premiê

Os aborígenes ainda são a minoria mais pobre da Austrália, com expectativa de vida 17 anos inferior à média nacional e índices de prisão e mortalidade infantil também desproporcionais aos do resto do país.

"Hoje, honramos os povos indígenas desta terra, a cultura mais velha existente da história da humanidade", declarou Rudd.

"Reflitamos, em particular, sobre os maus-tratos aos que foram das gerações roubadas, este capítulo manchado da história de nossa nação", acrescentou o primeiro-ministro.

A chamada "geração roubada" diz respeito às crianças e aos jovens aborígines que, entre 1910 e 1970, foram separados à força de suas famílias e dados em adoção ou colocados em instituições religiosas, sob o pretexto de que seriam integrados à sociedade branca.

"Às mães e aos pais, aos irmãos e às irmãs, pela ruptura de famílias e comunidades, pedimos perdão. Pela indignidade e pela degradação assim infligida a um povo orgulhoso e a uma cultura orgulhosa, pedimos perdão", disse Rudd.

Dezenas de milhares de pessoas ouviram as palavras de perdão de Rudd em locais públicos como praças, parques, escolas e hospitais.

"Pela dor, o sofrimento e o dano destas gerações roubadas, de seus descendentes e das famílias que deixaram para trás, pedimos perdão", declarou. Ao longo do discurso, de 361 palavras, o premiê pediu desculpas cerca de cinco vezes, segundo a CNN. Seu antecessor no cargo, o conservador John Howard, se recusou a pedir perdão aos aborígenes.

O Parlamento australiano abriu nesta terça-feira o ano legislativo de maneira inédita, com uma cerimônia tradicional aborígene, que ilustrou a vontade de reconciliação do novo governo trabalhista com o povo indígena da Austrália.

Uma anciã da tribo Ngambri, proprietária ancestral do terreno em que está construído o edifício do Parlamento, presidiu a cerimônia, que incluiu a entrega de "um bastão mensagem", presente tradicional, ao primeiro-ministro.

Vestida com uma capa de pele, Matilda House-Williams explicou aos parlamentares que "o bastão mensagem é um meio de comunicação utilizado há milhares de anos pelos aborígenes para contar a história de nosso povo".

A anciã afirmou que na inauguração do antigo edifício do Parlamento, há 80 anos, um aborígene, Jimmy Clemens, sozinho e descalço, foi barrado pela polícia.

Com France Presse e Efe

 

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