Mundo
14/02/2008 - 11h41

Ditador paquistanês diz que eleições serão livres e justas

Publicidade

da Folha Online

O ditador paquistanês, Pervez Musharraf, disse hoje que as eleições parlamentares da segunda-feira (18) serão "livres, justas e ocorrerão dentro do prazo", em resposta à oposição que o acusa de planejar fraudar o resultado para se manter no poder.

Musharraf prometeu tratar com severidade quem tiver planos de desestabilizar o processo eleitoral, e questionou a legitimidade das pesquisas eleitorais que apontam seu partido em queda na preferência dos eleitores. Para ele, as eleições da segunda-feira são um passo fundamental na transição para a democracia.

No início dessa dessa semana, o Instituto Republicano Internacional --mantido pelo governo dos EUA-- publicou uma pesquisa em que 50% dos eleitores paquistaneses planejam votar no partido de Bhutto, 22% preferem Sharif e apenas 14% são favoráveis ao partido de Musharraf, o Liga Muçulmana do Paquistão-Q (PML-Q).

A pesquisa consultou 3845 pessoas entre 19 e 29 de janeiro e tem margem de erro de 2% para mais ou para menos.

As eleições de segunda-feira também causam apreensão na população paquistanesa pelo aumento da violência.

Desde o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 27 de dezembro, o Paquistão sofre com ataques suicidas de extremistas islâmicos.

Nessa quinta-feira, o Exército disse que um ataque a comboios militares no noroeste do país deixaram três soldados mortos.

Musharraf

"Apesar de tantos rumores e da apreensão, essas eleições serão livres, justas, transparentes e pacíficas", afirmou o ditador em um encontro com intelectuais na capital do Paquistão, Islamabad.

O mandato de Musharraf não é contestado, mas se seu partido perder o controle do Parlamento, ele corre o risco de sofrer um impeachment.

A possibilidade gerou rumores de que o governo estaria procurando motivos para atrasar as eleições ou anular os resultados.

General do Exército aposentado, Musharraf chegou ao poder em 1999 e se tornou um dos principais aliados dos EUA na região.

Sharif

O ex-premiê Nawaz Sharif, líder do partido Liga Muçulmana do Paquistão-N, de oposição, está entre os que acusam Musharraf de planejar fraudar as eleições.

"Nós lutamos pela democracia. Ele luta pela ditadura", declarou Sharif durante viagem à cidade de Kahuta, no norte do Paquistão, onde realizou um comício para cerca de 7.000 pessoas.

"Para se manter no poder, terá de fraudar os resultados. Ele sabe disso".

Sharif acusa o governo de comprar eleitores e imprimir 1,8 milhão de cédulas eleitorais que seriam computadas em favor do partido de Musharraf.

Para ele, se as eleições forem fraudadas, a reação popular será "incontrolável".

Os partidos de oposição ameaçam protestar nas ruas das cidades paquistanesas caso as eleições tenham resultado favorável ao governo.

Musharraf pediu que a oposição se controle, e diz que não haverá fraude. "Não há como saber quem vai ganhar ou perder", diz o ditador.

Com Associated Press

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca