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15/02/2008 - 16h56

Veja a cronologia da crise política no Paquistão

da Folha Online

O Paquistão realiza eleições parlamentares na próxima segunda-feira (18), após quase um ano de crise política que enfraqueceu o ditador Pervez Musharraf e culminou no assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 27 de dezembro de 2007.

A instabilidade teve início em março de 2007, quando Musharraf afastou o presidente do Supremo Tribunal, Iftikhar Chaudhry, e gerou uma onda de protestos de advogados e da oposição:

Veja a cronologia da crise no Paquistão:

2007

9 de março: Alegando abuso de poder, Musharraf afasta o presidente Supremo Tribunal paquistanês, Iftikhar Chaudhry. Ele cuidava de casos contra os interesses do regime. A suspensão desata uma onda de protestos de advogados, a quem se somam ativistas da oposição.

12 e 13 de maio: Um choque entre grupos pró-Musharraf e seguidores de Chaudhry deixa 41 mortos na cidade de Karachi, no sul do país, onde o chefe do Supremo pretendia participar de um ato público em seu apoio.

10 e 11 de julho: Cem pessoas, segundo cifras oficiais, e 300, segundo fontes do serviço secreto paquistanês, morrem em ataque das forças de segurança à Mesquita Vermelha de Islamabad, esconderijo de radicais islâmicos.

15 a 20 de julho: Um total de 11 atentados terroristas ocorrem no país, em resposta ao ataque à Mesquita Vermelha, sobretudo nas tribos da fronteira com o Afeganistão. Mais de 150 pessoas morrem em conseqüência da violência.

20 de julho: O Supremo Tribunal restitui o cargo a Chaudhry. Musharraf acata o veredicto.

10 de setembro: O ex-premiê Nawaz Sharif retorna ao Paquistão depois de sete anos no exílio. Horas depois, ele é deportado pelo regime de Musharraf à Arábia Saudita, apesar de uma decisão Supremo Tribunal que autorizava sua volta.

6 de outubro: Musharraf vence a eleição presidencial. O Supremo Tribunal bloqueia os resultados até que se resolvam recursos da oposição.

18 de outubro: Bhutto sai ilesa de um duplo atentado contra sua caravana, que causa 140 mortes durante uma cerimônia de boas-vindas promovida por seus seguidores a seu regresso ao Paquistão, depois de passar oito anos no exílio.

3 de novembro: Musharraf impõe estado de exceção no Paquistão e destitui a cúpula do Supremo Tribunal, entre eles Chaudhry.

20 de novembro: A comissão eleitoral define a data das eleições legislativas para 8 de janeiro.

22 de novembro: O Supremo Tribunal ratifica a validez da reeleição de Musharraf como presidente.

25 de novembro: O ex-premiê Nawaz Sharif chega ao Paquistão proveniente da Arábia Saudita.

28 de novembro: Musharraf abandona a chefia das Forças Armadas. É substituído pelo general Ashfaq Pervez Kiyani.

29 de novembro: O ditador, já como civil, jura um novo mandato presidencial de cinco anos e se compromete a por fim ao estado de exceção.

15 de dezembro: Após aprovar novas emendas constitucionais, Musharraf acaba com o estado de exceção e restabelece a ordem constitucional.

27 de dezembro: A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto morre em um atentado no parque Liaquat, em Rawalpindi, perto de Islamabad, onde um suicida explode a bomba que portava e um homem armado dispara contra ela.

28 de dezembro: O governo paquistanês vincula o assassinato de Bhutto à rede terrorista Al Qaeda e assegura que ela morreu devido a um golpe, e não dos tiros do atentado que sofreu. A famíilia de Bhutto enterra a ex-premiê em Larkana, no sul do país, sem fazer a autópsia.

30 de dezembro: O partido de Bhutto decide realizar comícios liderados por seu viúvo, Asif Ali Zardari. Por vontade expressa da ex-primeira-ministra, seu filho de 19 años, Bilawal, ocupará seu lugar quando completar os estudos.

2008

2 de janeiro: A comissão eleitoral remarca a votação para 18 de fevereiro, depois que escritórios e material eleitoral é destruído durante a onde de violência decorrente do assassinato de Bhutto. Musharraf aceita a ajuda de uma equipe anti-terrorista da Scotland Yard para esclarecer a muerte da ex-primeira-ministra.

15 de janeiro: Talebans paquistaneses tomam o forte militar de Sararogha, situado na região de Waziristão do Sul, onde o Exército e insurgentes mantêm intensos combates durante todo o mês.

8 de fevereiro: Um relatório da Scotland Yard conclui que Bhutto morreu por um golpe na cabeça, e não pelos disparos.

Com Efe

 

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