Entenda a crise política vivida pelo Paquistão
da Folha Online
As eleições marcadas para a próxima segunda-feira (18) no Paquistão podem acabar com a crise política que o país vive desde 3 de novembro de 2007 --quando o ditador Pervez Musharraf decretou estado de emergência-- e que culminou com a morte da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 27 de dezembro.
Na ocasião, Musharraf impôs o estado de emergência sob a alegação de que a Suprema Corte estaria impedindo o combate às atividades terroristas.
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O pleito estava marcado para 8 de janeiro, mas a comissão eleitoral paquistanesa decidiu remarcar a votação para 18 de fevereiro, depois que escritórios e material eleitoral foram destruídos durante a onda de violência decorrente do assassinato de Bhutto.
No mesmo dia, Musharraf aceitou a ajuda de uma equipe antiterrorista da Scotland Yard para esclarecer a morte da ex-primeira-ministra.
O grupo concluiu que Bhutto morreu por um golpe na cabeça, e não por tiros.
Em 30 de dezembro, o partido de Bhutto, o PPP (Partido Popular do Paquistão), decidiu realizar comícios liderados por seu viúvo, Asif Ali Zardari.
Por vontade expressa da ex-primeira-ministra, seu filho de 19 anos, Bilawal Bhutto, ocupará seu lugar na liderança do partido quando completar os estudos.
Emergência
Para a oposição, liderada por Bhutto e pelo também ex-premiê Nawaz Sharif, o estado de emergência decretado por Musharraf foi uma manobra de para tentar desmobilizar os críticos em um momento em que o ditador perdia popularidade.
Na época, o fato ainda foi relacionado ao suposto temor do ditador de que a Suprema Corte considerasse ilegal a sua reeleição.
O estado de emergência desgastou a situação de Musharraf, criticado inclusive pelo governo dos Estados Unidos, de quem é aliado. Os Estados Unidos têm grande influência no país pois injeta milhões de dólares em sua economia desde que Musharraf se juntou à "guerra contra o terror", lançada pelo governo americano após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Prisão
No dia 12 de novembro, Bhutto recebeu uma ordem de prisão domiciliar de sete dias.
Ela foi obrigada a permanecer detida em uma casa na cidade de Lahore e, conseqüentemente, não pôde liderar uma marcha contra o estado de emergência que iria de Lahore a Islamabad. Ela foi libertada quatro dias depois.
No dia 28 de novembro, Musharraf deixou o cargo de chefe das Forças Armadas, atendendo a uma das principais exigências de Bhutto e Sharif.
No dia seguinte, ele tomou posse como presidente civil do país.
No dia 13 de dezembro, a primeira pesquisa de opinião divulgada desde o decreto de estado de emergência revelou que 67% dos paquistaneses queriam a renúncia de Musharraf, e que o grupo aliado a ele seria derrotado nas eleições legislativas então marcadas para o dia 8 de janeiro --Bhutto tinha 30% das intenções de voto, Sharif tinha 25% e Musharraf tinha 23%.
Em 15 de dezembro, Musharraf cancelou o estado de emergência.
Com Efe
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