Saiba mais sobre os partidos no Paquistão
da Folha Online
As eleições legislativas que ocorrem na segunda-feira (18) no Paquistão têm como protagonistas a Liga Muçulmana do Paquistão-Q (PML-Q) --que apóia o ditador Pervez Musharraf--, os partidos dos opositores Nawaz Sharif e da ex-premiê Benazir Bhutto [morta em uma explosão em Rawalpindi em 27 de dezembro] e de um grupo islâmico independente.
Saiba mais sobre os partidos políticos no Paquistão:
PML-Q
Musharraf oficializou seu apoio ao PML-Q, uma formação de centro-direita fundada com seu amparo em 2001 e que diz seguir a liga criada pelo "pai da pátria" paquistanesa, Ali Jinnah.
O partido obteve maioria de 126 cadeiras nas eleições de 2002, apesar de ser a segunda frente mais votada, com 25,7% dos votos.
Para as eleições de segunda-feira (18), o candidato do PML-Q é Chaudhry Shujaat Hussein. Apesar do PML-Q ser uma organização com tradição de alinhamento com os setores burocráticos paquistanesa, pesquisas eleitorais indicam forte queda do interesse dos eleitores pelo partido, em comparação com as eleições passadas.
PML-N
Também considerado um partido de centro-direita, a formação liderada pelo ex-premiê Nawaz Sharif --a Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N)-- foi fundada em 1962, mas só obteve sua configuração atual em 2001, com a saída dos partidários de Musharraf.
Sharif foi primeiro-ministro por dois momentos na década de 1990, mas foi deposto em outubro de 1999 em um golpe de estado realizado por Musharraf, que na ocasião era o chefe do Exército do Paquistão.
Apesar dos esforços do ditador para desmantelar o PML-N, o partido atingiu 9,4% dos votos e 29 cadeiras no Parlamento nas eleições de 2002, colocando-o como a quarta força política do Paquistão, apesar de Sharif ter continuado no exílio.
O partido defende um Estado apoiado nas regras islâmicas, sobretudo após a decisão de agosto de 1998 de introduzir a Alcorão (livro sagrado muçulmano) como norma suprema do país. A maior parte do eleitorado da Província oriental de Punjab apóia o PML-N, e segundo as pesquisas, melhorará de forma considerável os resultados nas eleições legislativas.
PPP
A divisão da Liga Muçulmana em duas frentes distintas, favoreceu o Partido Popular do Paquistão (PPP), que era dirigido pela ex-premiê Benazir Bhutto até ela ser assassinada em 27 de dezembro.
No comando, Bhutto introduziu conceitos ocidentais no programa do partido e reafirmou seu projeto social-democrata, apesar do viés populista e do estímulo ao culto de sua imagem.
"O islã é nossa fé, a democracia é nossa política, o socialismo é nossa economia: todo poder para o povo", diz o lema do PPP.
Com seu viúvo, Asif Ali Zardari, e seu filho Bilawal à frente do partido, o PPP espera capitalizar a onda de simpatia gerada pela morte de Bhutto, além de superar o resultado das eleições de 2002, que o colocaram como a força mais votada com 25,8% e com o segundo maior número de cadeiras no Parlamento, 81.
Desde seu principal território eleitoral --a Província de Sindh --o PPP quer obter a maioria para retornar ao poder.
MMA e JUI
O Parlamento também tem uma participação significativa dos membros islâmicos da Muttahida Majlis-e-Amal (MMA), una aliança de seis partidos que criticam a aliança de Musharraf com os EUA, mas que o apoiaram no golpe de Estado de 1999.
Nas eleições de 2002, a aliança surpreendeu ao obter 53 cadeiras com 11,3% dos votos, provenientes principalmente da Província da Fronteira Noroeste.
A MMA quer fortalecer a lei islâmica no Paquistão e defende o estabelecimento de um modelo de ensino fundamentado no Alcorão, mas decidiu boicotar as eleições, o que causou a ruptura com o grupo que a lidera, o Jamiat Ulema e Islã (JUI).
O líder do JUI é Fazlur Rehman. Sua decisão de seguir na corrida eleitoral causou descontentamento dos demais membros da MMA, contrários à celebração da votação e mais preocupados em sua guerra contra o regime e contra a presencia militar internacional no vizinha Afeganistão.
O JUI é o quarto grupo a participar das eleições de segunda-feira.
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