Sob a ameaça do terrorismo, eleição tenta por fim à crise no Paquistão
da Folha Online
Mais de 80 milhões de paquistaneses devem comparecer às urnas na segunda-feira (18) em eleições legislativas federais e provinciais consideradas cruciais para a única potência nuclear muçulmana, que vive uma profunda crise política e uma onda sem precedentes de atentados terroristas ligados à rede terrorista Al Qaeda.
As eleições visam por fim a um ano de crise e facilitar a transição à democracia em um país cada vez mais afetado pela violência perpetrada pelo extremismo islâmico e pela repressão do governo.
| MK Chaudhry/Efe |
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| Membros da comissão eleitoral paquistanesa revisam as urnas que serão usadas na eleição parlamentar da segunda-feira |
Os paquistaneses irão votar em um cenário muito diferente do previsto quando os Estados Unidos facilitaram o acordo que permitiu o regresso da ex-premiê Benazir Bhutto. A opositora pôs fim a oito anos de auto-exílio em 18 de outubro de 2007 e sofreu um atentado no mesmo dia.
Dois meses e meio depois, Bhutto, líder do Partido Popular Paquistanês (PPP), morreu após um comício, quando um suicida atirou e depois explodiu os explosivos que levava consigo, matando a ex-premiê e outras 12 pessoas.
Até então, o ditador Pervez Musharraf negociava, sob pressão americana, uma divisão do poder com ela nas eleições legislativas previstas para 8 de janeiro.
O pleito foi remarcado para 18 de fevereiro, mas o PPP, no entanto, sob a voz do viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, denuncia que serão "eleições fraudulentas". Zardari, porém, não descarta um eventual "governo de consenso nacional" com Musharraf.
Milhares de soldados foram enviados para reforçar e garantir a segurança de 64 mil sessões eleitorais por todo país. Observadores internacionais e jornalistas também acompanham o evento.
Terrorismo
Os suicidas ligados à Al Qaeda e ao Taleban [milícia que controlava 90% do Afeganistão até a invasão da coalizão liderada pelos EUA em 2001]fizeram de 2007 o ano mais sangrento da história do Paquistão, com mais de 800 mortos. Desde o início de 2008, centenas de paquistaneses já morreram em ataques terroristas.
Os extremistas islâmicos prometeram atrapalhar o processo eleitoral e o líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, declarou uma jihad, contra Musharraf, a quem chama de "cachorrinho de Bush".
| Arte |
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Após a morte de Bhutto, a campanha eleitoral foi considerada inexpressiva. Os políticos passaram a temer a realização de grandes comícios, e os paquistaneses começaram a se preocupar mais com a rápida queda de seu poder aquisitivo e com sua segurança do que com disputas políticas em um país comandado, de fato, pelo Exército.
Não obstante, com a aproximação das eleições, a violência terrorista se intensificou. Nesta semana, quatro atentados ligados à campanha eleitoral fizeram cerca de 40 mortos. Os ataques contra comícios criam o temor de um baixo comparecimento nas urnas.
Musharraf assumiu o poder em 1999 em um golpe de Estado. O ditador precisou abandonar o cargo de comandante do Exército depois de ter sido reeleito em 6 de fevereiro em condições polêmicas, e apenas desistiu da farda por pressão de Washington.
Resultados
A Secretaria da Comissão Eleitoral do Paquistão declarou que não divulgará resultados da apuração de votos após as eleições.
A Comissão só anunciará resultados após "ter finalizado a apuração em todos e cada um dos colégios eleitorais", disse à agência Efe uma fonte do organismo, que calculou que isso ocorrerá por volta das 23h (18h de Brasília) da segunda-feira.
No início dessa dessa semana, o Instituto Republicano Internacional --mantido pelo governo dos EUA-- publicou uma pesquisa em que 50% dos eleitores paquistaneses planejam votar no partido de Bhutto, 22% preferem Sharif e apenas 14% são favoráveis ao partido de Musharraf, o Liga Muçulmana do Paquistão-Q (PML-Q).
A pesquisa consultou 3845 pessoas entre 19 e 29 de janeiro e tem margem de erro de 2% para mais ou para menos.
Ontem, Musharraf, disse que as eleições serão "livres, justas e dentro do prazo", em resposta à oposição que o acusa de planejar fraudar o resultado.
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