Explosão deixa 12 mortos às vésperas da eleição no Paquistão
da Folha Online
Atualizado às 12h19
Ao menos 12 pessoas morreram neste sábado após uma explosão próxima do local onde ocorria uma reunião do partido da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, segundo fontes das forças de segurança do país.
A explosão ocorreu durante uma reunião do PPP (Partido do Povo do Paquistão), do lado de fora dos escritórios do partido em Parachinar [noroeste do Paquistão], segundo um representante das forças de segurança, que não quis ser identificado, segundo a agência de notícias France Presse.
O ataque ocorreu na região de Parachinar (noroeste do país, próximo à fronteira com o Afeganistão), dois dias antes das eleições parlamentares no país. Segundo o representante da administração da zona tribal de Kurram, Mushtaq Hussain, o ataque ocorreu quando o suicida "lançou seu carro carregado com explosivos contra o escritório".
"Diversos de nossos partidários estão mortos", disse o membro do PPP Zafar Ali, que estava próximo ao local, segunbdo a agência de notícias Associated Press (AP). "Estamos levando os feridos para picapes e levando-os para o hospital."
Ainda não havia informações sobre a autoria do atentado, segundo a AP.
Mais de 80 milhões de paquistaneses devem comparecer às urnas na segunda-feira (18) em eleições legislativas federais e provinciais no Paquistão. O país passa por um momento de crise política e enfrenta uma onda crescente de atentados terroristas ligados à rede Al Qaeda.
As eleições pretendem pôr fim à crise (que já se arrasta a um ano) e facilitar a transição à democracia no país. Os paquistaneses irão votar em um cenário muito diferente do previsto quando os Estados Unidos facilitaram o acordo que permitiu o regresso da ex-premiê Benazir Bhutto, líder dop PPP. A opositora pôs fim a oito anos de auto-exílio em 18 de outubro de 2007 e sofreu um atentado no mesmo dia.
Dois meses e meio depois, ela foi morta em um atentado após um comício: um suicida atirou nela e depois detonou os explosivos que trazia junto ao corpo, matando a ex-premiê e outras 12 pessoas.
Após a morte de Bhutto, a campanha eleitoral foi considerada inexpressiva. Os políticos passaram a temer a realização de grandes comícios, e os paquistaneses começaram a se preocupar mais com a rápida queda de seu poder aquisitivo e com sua segurança do que com disputas políticas em um país comandado, de fato, pelo Exército.
Violência
Com a aproximação das eleições, a violência terrorista se intensificou. Nesta semana, quatro atentados ligados à campanha eleitoral fizeram cerca de 40 mortos. Os ataques contra comícios criam o temor de um baixo comparecimento nas urnas.
Musharraf assumiu o poder em 1999 em um golpe de Estado. O ditador precisou abandonar o cargo de comandante do Exército depois de ter sido reeleito em 6 de fevereiro em condições polêmicas, e apenas desistiu da farda por pressão de Washington.
Segurança
O ministro do Interior do Paquistão, Hamid Nawaz, disse hoje que os observadores da União Européia (UE) terão segurança para realizar seu trabalho nas eleições. Entre as medidas de segurança adotadas pelo governo está a mobilização de 386 mil policiais e soldados.
O ministro disse que os observadores e jornalistas são "livres" para visitar qualquer colégio eleitoral, mas o governo recomendou que não se aproximem daqueles considerados "muito delicados". Dos 64.171 colégios abertos para a eleição da segunda-feira, 8.923 foram catalogados como "muito delicados" e serão vigiados pelo Exército e por paramilitares, enquanto outros 19.380 foram qualificados de "delicados".
Em 22 de fevereiro, a missão deve anunciar suas primeiras observações sobre o desenvolvimento da votação e a apuração dos votos. Na segunda-feira, os paquistaneses elegerão os deputados de seu Parlamento central e das quatro assembléias provinciais.
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