Mundo
18/02/2008 - 07h56

Ministro espanhol diz que seu país não reconhecerá Kosovo

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da Folha Online

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, disse que seu país não vai reconhecer a independência de Kosovo, proclamada neste domingo. Para ele, a Espanha não via reconhecer o ato unilateral porque "não respeita a legalidade internacional".

Moratinos comparou essa postura com a retirada das tropas espanholas do Iraque, em 2004. Ele anunciou que tentará convencer seus colegas a terem a mesma postura. O resultado da declaração de independência de Kosovo trará para ele "conseqüências que não sabemos quais serão para a região, mas não serão positivas.

Ele lembrou que os países europeus que se manifestaram sobre a independência de Kosovo são os mais próximos dos Balcãs, em referência à Romênia, Bulgária, Grécia, Eslováquia e Chipre. Sobre a posição espanhola, Moratinos declarou que se trata de uma questão de respeito à legalidade internacional, mas não fez alusão aos problemas internos da Espanha, como o movimento separatista do País Basco.

Independência

Kosovo declarou sua independência neste domingo, em relação à Sérvia, tornando-se assim um novo país.

Arte Folha Imagem

A declaração ocorreu durante reunião extraordinária do Parlamento. A decisão, unilateral, foi anunciada pelo premiê de Kosovo, Hashem Thaçi. A declaração foi aprovada por 109 votos a zero, com 11 deputados ausentes.

A independência da província foi um processo longo, iniciado com o fim da antiga Iugoslávia, em 1991, e que deve trazer conseqüências para todos os países da região dos Bálcãs.

Desde a intervenção armada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em 1999, a chamada Guerra de Kosovo, a província está sob administração da ONU (Organização das Nações Unidas).

Com a declaração de independência, a Sérvia ameaça bloquear suas relações diplomáticas com os países que reconhecerem a independência de Kosovo, principalmente os Estados Unidos e os países da UE (União Européia), como já havia antecipado o presidente sérvio, Boris Tadic.

A Sérvia rejeita a declaração de independência afirmando que é "um ato de separação evidente e unilateral, de uma parte do território da República da Sérvia e, portanto, sem validade."

A Rússia --aliada histórica da Sérvia-- também se opõe à independência do país. Os russos, que já passaram por duas guerras contra rebeldes separatistas na Tchetchênia, afirmam que o apoio dos EUA e da Europa pode levar uma "crise incontrolável" nos Balcãs.

Com 2 milhões de habitantes, cerca de 90% da população do Kosovo são de etnia albanesa. No país ainda há entre 100 mil e 120 mil sérvios, depois que mais de 200 mil deixaram a Província nos últimos oito anos diante do cerco e das revanches dos extremistas albaneses.

Os que ficaram na Província vivem no norte, vizinho ao resto da Sérvia, e em vários enclaves do centro e do sul.

História

A primeira demonstração pró-independência da etnia albanesa em Kosovo é datada de 1968, quando o país ainda fazia parte da antiga Iugoslávia. Na ocasião, muitos foram presos, acabando com as intenções do movimento separatista.

Com o início do desmembramento da Iugoslávia, em 1991, os separatistas proclamaram Kosovo como república, sendo reconhecida pela vizinha Albânia.

Em 1996, o recém-criado Exército de Liberação do Kosovo reivindicou a responsabilidade por diversos ataques a bomba contra alvos policiais.

O exército pró-independência começa a se retirar em 1998, após ofensivas sérvias contra vilas albanesas. No mesmo ano, a Otan autoriza ataques contra alvos militares sérvios.

Em 1999, os sérvios concordam em retirar suas tropas de Kosovo após aceitarem a proposta da Otan, que prevê o controle da região pela ONU.

Três anos depois, o Kosovo elege um novo Parlamento e Ibrahim Rugova é eleito o presidente do país. Em 2003, acontecem as primeiras conversações desde 1999 entre sérvios e líderes albaneses em Kosovo, mas não chegam a um acordo sobre a situação na região.

Em 2004, novos ataques de albaneses em Kosovo contra sérvios representam a quebra da paz na região desde a guerra em 1999.

Dois anos depois, começam a ser firmados as condições sobre a futura situação na região, sob a mediação da ONU. No mesmo ano, Kosovo é declarado como parte da Sérvia.

Em abril de 2007, o enviado especial da ONU, Martti Ahtisaari, apresentou um plano que oferecia a Kosovo uma "independência supervisionada".

Segundo o plano, agências internacionais levariam gradualmente Kosovo à independência completa e à entrada na ONU.

Isso evitaria que Kosovo se anexasse à Albânia ou tivesse suas regiões de predominância sérvia separadas para se tornarem parte da Sérvia.

A minoria sérvia teria representação garantida em governos regionais, no Parlamento, na polícia e no funcionalismo público de Kosovo. A Igreja Ortodoxa Sérvia também teria um status especial.

A Sérvia e a Rússia foram os principais opositores à proposta. O governo russo barrou a aprovação do plano no Conselho de Segurança da ONU.

Os líderes de Kosovo, no entanto, elogiaram o plano, e Estados Unidos e União Européia (UE) o viram como parte da solução.

 

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