Após eleições, começa contagem de votos no Paquistão
da Folha Online
O Paquistão começou a contagem de votos após as eleições parlamentares desta segunda-feira, consideradas cruciais para o país, que vive uma profunda crise política e uma onda sem precedentes de atentados terroristas ligados à rede Al Qaeda.
A apuração dos votos será presenciada por interventores dos partidos e recolhida em uma ata que se tornará pública e será levada pessoalmente pelo presidente do colégio ao juiz eleitoral encarregado de cada circunscrição.
| Athar Hussain/Reuters |
![]() |
| Eleitores aguardam em fila para votar no Paquistão; após o fechamento das urnas, começa a contagem de votos |
Mais de 80 milhões de paquistaneses deveriam comparecer aos cerca de 64 mil colégios eleitorais, que foram fechados às 17h (9h de Brasília). Os resultados devem começar a ser divulgados por volta das 23h (15h de Brasília), segundo a Comissão Eleitoral.
De acordo com o funcionário da Comissão Eleitoral Mohammad Farooq, apenas cerca de 35% dos eleitores compareceram às urnas em Rawalpindi. "Considerando as atuais circunstâncias da segurança, o índice foi bom", disse ele, após o fechamento das urnas.
A expectativa era que a participação fosse pequena -- abaixo dos 41% registrados nas eleições gerais de 2002. Em um posto eleitoral de Lahore, apenas 28% dos 2.470 eleitores registrados haviam comparecido, faltando apenas 90 minutos para o fim da votação.
Em Karachi, a dona de casa Nargis Hamid disse que votaria "pela paz", porque o país não pode progredir sem ela. Mohsin Ali, estudante de 24 anos que votava em Lahore, disse que pretendia demonstrar seu apoio à democracia e à expulsão dos políticos corruptos do país.
"Eles [os corruptos] buscam apenas poder, e uma vez que o conseguem, nós não somos nada. A democracia ainda não teve a sua chance, o Exército não permite", disse Ali.
De acordo com informações da inteligência, 11 pessoas morreram --sete delas em Punjab-- e 70 ficaram feridas durante as eleições.
Na Província de Sindh, terra natal da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, o secretário do governo local Arif Ali Khan disse que duas pessoas morreram e 50 ficaram feridas.
"Isso é quase insignificante", disse Khan, embora tenha lamentado as mortes.
Eleições
O pleito é visto como um passo em direção à democracia, após oito anos de regime militar do ditador Pervez Musharraf, cujo futuro político se torna agora indefinido. Musharraf assumiu o poder em 1999 em um golpe de Estado. Ele precisou abandonar o cargo de comandante do Exército depois de ter sido reeleito em 6 de fevereiro em condições controversas, e desistiu da chefia das Forças Armadas depois de forte pressão dos EUA.
| Waqar Hussein/Efe |
![]() |
| Policiais patrulham ruas de Larkana, um dos redutos da ex-premiê Benazir Bhutto |
Apesar das acusações da oposição de que ele pretenderia fraudar a votação, Musharraf afirmou que as eleições serão "justas e livres", e que trabalhará ao lado do novo governo, seja quem for o vencedor. "Qualquer partido que ganhar, seja quem for o premiê, eu os congratularei", disse Musharraf. "E eles terão toda minha cooperação como presidente".
Embora os paquistaneses possam escolher entre candidatos de 49 partidos políticos diferentes, três disputam a maioria do voto: a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, que apóia Musharraf e é liderada por Chaudhry Hussein; o PPP (Partido Popular do Paquistão), dirigido pelo viúvo de Benazir Bhutto, Asif Zardari, e a Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.
Também concorre o partido religioso Jamiat Ulema-e-Islam, principal membro da aliança MMA (Muttahida Majlis-e-Amal), que foi a grande surpresa das eleições de 2002 ao se erguer como terceira força parlamentar, atrás do PML-Q e do PPP.
Risco de impeachment
Pesquisas de intenção de voto realizadas por grupos americanos apontam que, caso as eleições sejam justas, o partido de Bhutto deve vencer, seguido pelo de Sharif, o PML-N. O partido de Musharraf deve ficar em terceiro, de acordo com as sondagens.
Uma ampla vitória da oposição, liderada pelo partido de Bhutto, o PPP (Partido Popular do Paquistão), tornaria Musharraf politicamente vulnerável, e correndo risco de impeachment.
A expectativa é que o PPP se torne o partido marjoritário no Parlamento de 342 lugares.
"É o destino do nosso partido vencer essas eleições e mudar o sistema depois da vitória", disse o marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, após votar em sua cidade natal de Nawab Shah.
Uma aliança entre o PPP e o partido de Sharif pode fazer com que Musharraf corra risco de impeachment.
Segurança
Mais de 470 mil homens foram destacados para garantir a segurança nas eleições após uma onda de atentados suicidas no país, entre eles o ocorrido em 27 de dezembro, que matou a ex-premiê Benazir Bhutto. O ataque forçou o adiamento das eleições por seis semanas.
| Arte |
![]() |
A maioria dos colégios fica na Província de Punjab, que com 44,6 milhões de eleitores obterá 183 dos 342 cadeiras do futuro Parlamento. Com 10% de colégios eleitorais "muito sensíveis", o governo desdobrou 130 mil policiais e cerca de 48 mil soldados e paramilitares.
Sindh, no sudeste do país, com 19,5 milhões de eleitores e 75 assentos no Parlamento, tem quase 12% dos colégios e será vigiada por 13,5 mil soldados e 100 mil policiais.
Na Província da Fronteira Noroeste, com 10,8 milhões de eleitores e 43 cadeiras parlamentares, 9% dos colégios serão vigiados por cerca de 6.000 soldados, enquanto a polícia destacará no resto perto de 50 mil agentes.
Em Baluquistão, com 4,3 milhões de eleitores e 17 assentos na Assembléia, o Exército destacou 7.500 soldados e a polícia 25 mil para vigiar seus colégios, quase um terço deles qualificados de "muito sensíveis".
Os eleitores das quatro Províncias paquistanesas elegerão também os deputados de suas assembléias provinciais.
A União Européia (UE) enviou ao Paquistão a principal equipe de observadores, de 130 membros, que se deslocarão por todo o país, exceto nas regiões consideradas "sensíveis".
"Não foi uma proibição do governo, mas por razões de segurança optou-se por não ir às áreas mais complicadas", explicou à agência Efe o líder da missão, o alemão Michael Gahler, que dará sua avaliação dois dias depois da votação.
Com Associated Press
Leia mais
- Paquistaneses vão às urnas sob temor de fraudes
- Atentado contra escritório de partido de oposição deixa 37 mortos no Paquistão
- Dezenas de pessoas morrem em uma explosão em Kandahar, no Afeganistão
- Múmia indígena e moedas antigas são roubadas de museus da Argentina
- Colômbia e EUA são "campeões mundiais do narcotráfico", diz Chávez
- Acidente durante "racha" mata oito nos EUA
- Ex-guarda nazista vai cumprir prisão perpétua na Itália
Especial




