Mundo
18/02/2008 - 14h41

Observadores calculam que 42% foram às urnas no Paquistão

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da Folha Online

O secretário-geral da Rede para Eleições Livres e Justas (Fafen, na sigla em inglês), Sarwar Bari, calculou nesta segunda-feira que a participação nas eleições parlamentares realizadas no Paquistão foi de 42% --a mesma que havia sido registrada em 2002. Cerca de 81 milhões de eleitores estavam registrados para votar no pleito.

A Fafen, que reúne 30 organizações da sociedade civil paquistanesa, obteve permissão das autoridades para observar o pleito e destacou milhares de membros por colégios do país.

A Comissão Eleitoral paquistanesa ainda não se pronunciou sobre a participação nas eleições.

Os cerca de 64 mil colégios eleitorais foram fechados às 17h (9h de Brasília). Os resultados devem ser divulgados por volta das 23h (15h de Brasília), segundo a Comissão Eleitoral.

Athar Hussain/Reuters
Eleitores aguardam em fila para votar no Paquistão; após fechamento das urnas, começa contagem de votos
Eleitores aguardam em fila para votar no Paquistão; autoridades calculam que 42% dos eleitores foram às urnas nesta segunda

A contagem de votos começou logo após as eleições desta segunda-feira, na qual um novo Parlamento será eleito e que são consideradas cruciais para o país, que vive uma profunda crise política e uma onda sem precedentes de atentados terroristas ligados à rede Al Qaeda.

A apuração dos votos será presenciada por interventores dos partidos e recolhida em uma ata que se tornará pública e será levada pessoalmente pelo presidente do colégio ao juiz eleitoral encarregado de cada circunscrição.

Em Karachi, a dona de casa Nargis Hamid disse que votaria "pela paz", porque o país não pode progredir sem ela. Mohsin Ali, estudante de 24 anos que votava em Lahore, disse que pretendia demonstrar seu apoio à democracia e à expulsão dos políticos corruptos do país.

"Eles [os corruptos] buscam apenas poder, e uma vez que o conseguem, nós não somos nada. A democracia ainda não teve a sua chance, o Exército não permite", disse Ali.

De acordo com informações da inteligência, 11 pessoas morreram --sete delas em Punjab-- e 70 ficaram feridas durante as eleições.

Na Província de Sindh, terra natal da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, o secretário do governo local Arif Ali Khan disse que duas pessoas morreram e 50 ficaram feridas.

"Isso é quase insignificante", disse Khan, embora tenha lamentado as mortes.

Eleições

O pleito é visto como um passo em direção à democracia, após oito anos de regime militar do ditador Pervez Musharraf, cujo futuro político se torna agora indefinido. Musharraf assumiu o poder em 1999 em um golpe de Estado. Ele precisou abandonar o cargo de comandante do Exército depois de ter sido reeleito em 6 de fevereiro em condições controversas, e desistiu da chefia das Forças Armadas depois de forte pressão dos EUA.

Apesar das acusações da oposição de que ele pretenderia fraudar a votação, Musharraf afirmou que as eleições serão "justas e livres", e que trabalhará ao lado do novo governo, seja quem for o vencedor. "Qualquer partido que ganhar, seja quem for o premiê, eu os congratularei", disse Musharraf. "E eles terão toda minha cooperação como presidente".

Waqar Hussein/Efe
Policiais patrulham ruas de Larkana, um dos redutos da ex-premiê Benazir Bhutto no Paquistão
Policiais patrulham ruas de Larkana, um dos redutos da ex-premiê Benazir Bhutto

Embora os paquistaneses possam escolher entre candidatos de 49 partidos políticos diferentes, três disputam a maioria do voto: a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, que apóia Musharraf e é liderada por Chaudhry Hussein; o PPP (Partido Popular do Paquistão), dirigido pelo viúvo de Benazir Bhutto, Asif Zardari, e a Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Também concorre o partido religioso Jamiat Ulema-e-Islam, principal membro da aliança MMA (Muttahida Majlis-e-Amal), que foi a grande surpresa das eleições de 2002 ao se erguer como terceira força parlamentar, atrás do PML-Q e do PPP.

Risco de impeachment

Pesquisas de intenção de voto realizadas por grupos americanos apontam que, caso as eleições sejam justas, o partido de Bhutto deve vencer, seguido pelo de Sharif, o PML-N. O partido de Musharraf deve ficar em terceiro, de acordo com as sondagens.

Uma ampla vitória da oposição, liderada pelo partido de Bhutto, o PPP (Partido Popular do Paquistão), tornaria Musharraf politicamente vulnerável, e correndo risco de impeachment.

A expectativa é que o PPP se torne o partido marjoritário no Parlamento de 342 lugares.

"É o destino do nosso partido vencer essas eleições e mudar o sistema depois da vitória", disse o marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, após votar em sua cidade natal de Nawab Shah.

Uma aliança entre o PPP e o partido de Sharif pode fazer com que Musharraf corra risco de impeachment.

Segurança

Mais de 470 mil homens foram destacados para garantir a segurança nas eleições após uma onda de atentados suicidas no país, entre eles o ocorrido em 27 de dezembro, que matou a ex-premiê Benazir Bhutto. O ataque forçou o adiamento das eleições por seis semanas.

A maioria dos colégios fica na Província de Punjab, que com 44,6 milhões de eleitores obterá 183 dos 342 cadeiras do futuro Parlamento. Com 10% de colégios eleitorais "muito sensíveis", o governo desdobrou 130 mil policiais e cerca de 48 mil soldados e paramilitares.

Arte

Sindh, no sudeste do país, com 19,5 milhões de eleitores e 75 assentos no Parlamento, tem quase 12% dos colégios e será vigiada por 13,5 mil soldados e 100 mil policiais.

Na Província da Fronteira Noroeste, com 10,8 milhões de eleitores e 43 cadeiras parlamentares, 9% dos colégios serão vigiados por cerca de 6.000 soldados, enquanto a polícia destacará no resto perto de 50 mil agentes.

Em Baluquistão, com 4,3 milhões de eleitores e 17 assentos na Assembléia, o Exército destacou 7.500 soldados e a polícia 25 mil para vigiar seus colégios, quase um terço deles qualificados de "muito sensíveis".

Os eleitores das quatro Províncias paquistanesas elegerão também os deputados de suas assembléias provinciais.

A União Européia (UE) enviou ao Paquistão a principal equipe de observadores, de 130 membros, que se deslocarão por todo o país, exceto nas regiões consideradas "sensíveis".

"Não foi uma proibição do governo, mas por razões de segurança optou-se por não ir às áreas mais complicadas", explicou à agência Efe o líder da missão, o alemão Michael Gahler, que dará sua avaliação dois dias depois da votação.

Com Efe e Associated Press

 

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