Mundo
18/02/2008 - 16h35

Após apoio americano a Kosovo, Sérvia retira embaixador dos EUA

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da Folha Online

O premiê sérvio, Vojislav Kostunica, disse nesta segunda-feira que seu país retirará o embaixador nos Estados Unidos depois que Washington anunciou apoio à declaração de independência de Kosovo. A Sérvia se opõe à medida e prometeu que irá lutar politicamente e diplomaticamente para recuperar a região.

O país rejeita a declaração de independência afirmando que é "um ato de separação evidente e unilateral, de uma parte do território da República da Sérvia e, portanto, sem validade."

Sasa Stankovic/Efe
Sérvios queimam bandeira americana durante protesto contra independência de Kosovo
Sérvios queimam bandeira americana durante protesto contra independência de Kosovo; embaixador em Washington será retirado

A Rússia --aliada histórica da Sérvia-- também se opõe à independência do país. Os russos, que já passaram por duas guerras contra rebeldes separatistas na Tchetchênia, afirmam que o apoio dos EUA e da Europa pode levar uma "crise incontrolável" nos Balcãs.

Kostunica também pediu que os cidadãos deixem de lado os violentos protestos nas ruas, dizendo que, desta forma, "não ajudam a Sérvia em sua defesa para manter Kosovo".

No entanto, o premiê convidou os cidadãos sérvios a participarem de um ato pacífico batizado de "Kosovo é Sérvia", que deve ocorrer em Belgrado na próxima quinta-feira (21).

A proclamação de independência de Kosovo desencadeou neste domingo em Belgrado atos violentos que deixaram dezenas de feridos, entre policiais e civis, além de prejuízos materiais no centro da capital. Durante a madrugada, vários edifícios ficaram danificados --entre eles a Embaixada da Eslovênia, país que preside neste semestre a União Européia (UE).

Nesta segunda-feira, mais protestos ocorreram em Belgrado e em outras cidades da Sérvia, e embora não tenha havido confrontos, alguns incidentes menores foram registrados.

Os Estados Unidos reconheceram Kosovo como "Estado soberano" nesta segunda-feira. "Os EUA reconhecem hoje oficialmente Kosovo como um Estado soberano e independente. Parabenizamos a população kosovar nessa ocasião histórica", declarou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em comunicado divulgado em Washington.

Rice, que está no Quênia, comunicou que ambos países firmarão relações diplomáticas que "fortalecerão os laços especiais de amizade". em viagem pela Tanzânia, o presidente dos EUA, George W. Bush, também manifestou seu apoio à independência de Kosovo.

Justificativa

O comunicado de Rice manifesta boas vindas ao "período de supervisão internacional" e justifica a posição americana sobre a questão.

"A combinação incomum de fatores encontrados em Kosovo --incluindo a fragmentação da antiga Iugoslávia, a limpeza étnica e os crimes contra civis, além do período de administração da ONU-- fazem do país um caso especial", diz o comunicado. Por outro lado, salienta que "Kosovo não pode ser visto como precedente para nenhum outro caso do mundo de hoje".

Arte Folha Imagem

O comunicado lembra que há nove anos a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) trabalhou para encerrar com os ataques contra a população albano-kosovar. "Essa intervenção acabou com a violência e levou o Conselho de Segurança da ONU a suspender o governo de Belgrado e a colocar Kosovo sob administração interina das Nações Unidas", completa.

"Desde então, Kosovo construiu instituições democráticas separadas do controle sérvio", afirma o comunicado de Rice. Em 2007, o enviado especial da ONU, Martti Ahtisaari, "elaborou um plano para construir um Kosovo democrático e multi-étnico e recomendou que Kosovo fosse independente, com um período de supervisão internacional".

O comunicado informa ainda que, na seqüência dos conflitos dos anos 1990, a independência "é a única opção viável para promover a estabilidade da região". Os EUA "apóia o plano de Ahtisaari e trabalhará como um desses parceiros internacionais para implementá-lo", conclui.

Independência

Kosovo declarou sua independência neste domingo, em relação à Sérvia, tornando-se assim um novo país.

A declaração ocorreu durante reunião extraordinária do Parlamento. A decisão, unilateral, foi anunciada pelo premiê de Kosovo, Hashem Thaci. A declaração foi aprovada por 109 votos a zero, com 11 deputados ausentes.

A independência da Província foi um processo longo, iniciado com o fim da antiga Iugoslávia, em 1991, e que deve trazer conseqüências para todos os países da região dos Bálcãs.

Desde a intervenção armada da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em 1999, a chamada Guerra de Kosovo, a província está sob administração da ONU (Organização das Nações Unidas).

Com 2 milhões de habitantes, cerca de 90% da população do Kosovo são de etnia albanesa. No país ainda há entre 100 mil e 120 mil sérvios, depois que mais de 200 mil deixaram a Província nos últimos oito anos diante do cerco e das revanches dos extremistas albaneses.

Os que ficaram na Província vivem no norte, vizinho ao resto da Sérvia, e em vários enclaves do centro e do sul.

Com Associated Press e Efe

 

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