Cuba vive semana crucial que define futuro político de Fidel
ISABEL SÁNCHEZ
da France Presse, em Havana
Cuba começou nesta segunda-feira uma semana crucial que definirá a aposentadoria ou a reeleição presidencial de Fidel Castro, marcada pela visita do número dois do Vaticano e pela crescente inquietação da população em relação às reformas que devem ser adotadas pelo novo Parlamento, em vigor a partir do próximo domingo (24).
Na histórica sessão da nova Assembléia Nacional (Parlamento), o líder de 81 anos terá seu futuro político definido, após convalescer há quase 19 meses de uma doença séria que o levou a delegar provisoriamente seus cargos políticos ao seu irmão Raúl.
Fidel deve decidir se cede definitivamente o comando a Raúl, ou se aceita um novo mandato de cinco anos como chefe do Conselho de Estado (Executivo), cujos 31 membros serão escolhidos no domingo entre os 614 deputados --incluindo os irmãos de Fidel-- eleitos no dia 20 de janeiro.
"O que tem no dia 24? A mim, a política não me interessa, o que quero é que haja mais abertura, que não exista tanta escassez e que acabem de chegar as medidas anunciadas por Raúl", disse à agência de notícias France Presse René, 59, que tem uma pequena oficina de conserto de sapatos no bairro Vedado, em Havana, pela qual tem de pagar licença ao Estado.
Ainda que nas ruas não se fale de outra coisa que das medidas que estão por vir, as conjecturas vão e vêm entre analistas, diplomatas, acadêmicos e observadores, sobre se Fidel voltará ou não a suas funções plenas, se assumirá um cargo honorífico de "guia" e "guardião" da revolução, ou se o país seguirá sob uma liderança provisória.
"Será como reacomodar peças em um mesmo tabuleiro de xadrez", disse um observador cubano, enquanto um diplomata ocidental afirmou que "seja como seja, Fidel seguirá influenciando as decisões do país, o que poderia atrasar as mudanças".
Fidel, que há um ano se dedica a escrever artigos para a imprensa, tem dado sinais cruzados e no sábado aumentou a expectativa ao anunciar: "na próxima reflexão, abordarei um tema de interesse de muitos compatriotas".
Em mensagens que escreveu em dezembro, Fidel afirmou que não se apega ao poder, não obstrui as novas gerações e expressou se apoio a Raúl, que desatou a ansiedade da população ao anunciar "mudanças" para enfrentar os graves problemas do país e ao criticar o "excesso de proibições".
Esse será o panorama que o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, encontrará ao chegar na quarta-feira em Cuba para comemorar os dez anos da histórica visita do papa João Paulo 2º, que marcou uma etapa de distensão das oscilantes relações entre a igreja e o governo comunista.
Bertone, que rezará missas em Havana, Santa Clara, Guantánamo e Santiago de Cuba, terá com Raúl Castro e outros altos dirigentes um diálogo aberto, inclusive sobre temas "em que pode não haver coincidências", sem que estejam previstas concessões, disse na sexta-feira o chanceler Felipe Pérez Roque.
Nas vésperas da visita, o governo decidiu libertar sete presos políticos --quatro viajaram no domingo a Madri-- como um gesto à Espanha. Autoridades cubanas conversaram com funcionários do governo espanhol na semana passada sobre direitos humanos e confirmaram a assinatura em março de dois pactos sobre liberdades políticas, econômicas e civis.
"Assim como teve com a Espanha, talvez o governo faça um gesto a Bertone em relação à libertação de presos. Mas em matéria de direitos humanos, ainda falta muito, pois a situação continua sendo ruim", disse à France Presse o dissidente Elizardo Sanchez, enquanto ainda se desconhece a identidade dos outros três presos e quando o anúncio será cumprido.
A igreja cubana aproveitará a viagem de Bertone para fazer reivindicações como o aceso aos meio de comunicação e à educação, mais igrejas, a permissão do ingresso de um maior número de religiosos e a realização de missas em prisões.
Uma eventual visita de Bertone ao local secreto onde Fidel convalesce não foi descartada pelas autoridades, pois todos os encontros entre o cubano e o religioso foram realizados antes da doença de Fidel.
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Para os habitantes desta terra Tupiniquim, o fato deveras importante é: nosso Presidente Lula já representa peça chave nesse tabuleiro de xadrez político. Para o tio Sam é a chave para a ligação entre os donos do mundo e os cubanos, mas Lula também assumirá o papel de conector da ilha com os demais países sul americanos. Portanto, um papel de destaque na esfera da política internacional. O Brasil sai dos bastidores, enfim, para colocar a nossa nação emergente nos rumos do protagonismo do jogo diplomático!
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Eu admiro o Sr Fidel por toda sua garra, sua compaixao pelas causas latinas, e principalmente pelo seu apoio ao Brasil como nacao.
Tenho conhecidos que ficam enfurecidos por chama-los apenas "conhecidos", e que por muitos anos, viram no Senhor Fidel Castro conforto e seguranca em uma epoca de disturbio no meu Brasil...
Mas tenho "amigos" que adoram me ouvir chamando-os de amigos, os "amigos de Cuba".
Balseros por destino, me enebriavam com noites de estorias e entretenimento nas ruas de South Beach e noroeste de Hialeah, onde me contavam em um espanhol quase aportuguesado num esforco pra me fazer entender, as alegrias e tragedias familiares de gente atravessando o estreito que liga Key West - o ponto mais sul dos EUA com as praias de Havana, dentro de uma camara de roda de trator...
De um lado os meus ideais me convencem do bem que um estadista como Fidel fez aos culhoes latino-americanos. Mas do outro, meu coracao me alarma as angustias que um dia me relatavam meus amigos de Cuba.
So' espero que Cuba retorne a Cuba, e que as magoas entre as duas faccoes, sejam de alguma maneira superadas e possam voltar um dia ao que sempre foi ...
Toda Suerte Cuba ! - El Brasileño de San Pablo
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