Mundo
18/02/2008 - 21h18

Resultado não-oficial dá vitória a partidos de oposição no Paquistão

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da Folha Online

Os resultados não-oficiais divulgados pelas cadeias de televisão no Paquistão conferem uma clara vantagem aos dois principais partidos da oposição, com dados que refletem um empate entre ambos e a derrubada da legenda governista nas eleições à Assembléia Nacional realizadas nesta segunda-feira.

O canal Geo, que dava às 03h locais (19h em Brasília) resultados correspondentes a 44 cadeiras das 269 existentes para parlamentares, afirmou que o Partido do Povo do Paquistão (PPP), da ex-premiê Benazir Bhutto, e a Liga Muçulmana-N, de Nawaz Sharif (PML-N), lideram a apuração, com 13 cadeiras cada um.

T.Mughal/Efe
Simpatizante do PML-N dispara para o alto comemorando resultados do pleito
Simpatizante do PML-N dispara para o alto comemorando resultados do pleito

Enquanto isso, a governista Liga Muçulmana-Q (PML-Q) obteve apenas uma cadeira e o restante eram referentes a candidatos independentes (10) e outros partidos.

Na mesma linha, a TV Dawn divulgou, segundo sua apuração não-oficial, 16 cadeiras para o PPP, outras para a PML-N e três para a PML-Q.

O líder da PML-Q, Chaudhry Shujaat Hussain, e um ex-ministro da mesma legenda perderam seus assentos no Parlamento nas eleições desta segunda, segundo dois canais de TV.

Hussain, ex-premiê e aliado político próximo do ditador Pervez Musharraf, foi derrotado na circunscrição eleitoral de Gujrat por um candidato do partido da ex-premiê Benazir Bhutto, segundo as TVs Dawn News e Aaj, citando fontes não-oficiais.

Hussain também disputa um assento em outra circunscrição, mas a derrota em sua cidade natal é um grande golpe para a PML-Q.

Sheikh Rashid Ahmed, ex-ministro das Estradas de Ferro e aliado próximo de Musharraf, perdeu a disputa na Próvíncia de Punjab, reduto do partido governista, segundo as mesmas fontes.

A Comissão Eleitoral ainda deve fazer um anúncio oficial, mas membros da PML-Q confirmaram a derrota de Hussain, e um porta-voz do partido afirmou que os candidatos da oposição estão se saindo bem no pleito.

"Os primeiros resultados mostram que o partido Liga Muçulmana do Paquistão, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, avança fortemente", afirmou Tariq Azeem, porta-voz da PML-Q.

"Se os resultados se confirmarem, desempenharemos um papel de oposição, do modo mais eficaz possível", afirmou o porta-voz, próximo a Musharraf, que tomou o poder em 1999 em um golpe militar.

Vários altos dirigentes da PML-Q reconheceram que a formação de Sharif e o PPP lideram as apurações.

"Felicitamos a Nawaz Sharif pelo excelente resultado de seu partido e também cumprimentamos Asif Ali Zardari", viúvo de Bhuto e atual líder do PPP, disse Azeem.

Participação

O secretário-geral da Rede para Eleições Livres e Justas (Fafen, na sigla em inglês), Sarwar Bari, calculou nesta segunda que a participação nas eleições parlamentares realizadas no Paquistão foi de 42% --a mesma que havia sido registrada em 2002. Cerca de 81 milhões de eleitores estavam registrados para votar no pleito.

A Fafen, que reúne 30 organizações da sociedade civil paquistanesa, obteve permissão das autoridades para observar o pleito e destacou milhares de membros por colégios do país.

A Comissão Eleitoral paquistanesa ainda não se pronunciou sobre a participação nas eleições.

Anjum Naveed/AP
Simpatizantes do PML-N, do ex-premiê Nawaz Sharif, comemoram resultados não-oficiais que dão vitória aos partidos de oposição
Simpatizantes do PML-N, do ex-premiê Nawaz Sharif, comemoram resultados não-oficiais que dão vitória aos partidos de oposição

Os cerca de 64 mil colégios eleitorais foram fechados às 17h (9h de Brasília). Os resultados devem ser divulgados por volta das 23h (15h de Brasília), segundo a Comissão Eleitoral.

A contagem de votos começou logo após as eleições desta segunda-feira, na qual um novo Parlamento será eleito e que são consideradas cruciais para o país, que vive uma profunda crise política e uma onda sem precedentes de atentados terroristas ligados à rede Al Qaeda.

A apuração dos votos será presenciada por interventores dos partidos e recolhida em uma ata que se tornará pública e será levada pessoalmente pelo presidente do colégio ao juiz eleitoral encarregado de cada circunscrição.

Em Karachi, a dona de casa Nargis Hamid disse que votaria "pela paz", porque o país não pode progredir sem ela. Mohsin Ali, estudante, 24, que votava em Lahore, disse que pretendia demonstrar seu apoio à democracia e à expulsão dos políticos corruptos do país.

"Eles [os corruptos] buscam apenas poder, e uma vez que o conseguem, nós não somos nada. A democracia ainda não teve a sua chance, o Exército não permite", disse Ali.

De acordo com informações da inteligência, 11 pessoas morreram --sete delas em Punjab-- e 70 ficaram feridas durante as eleições.

Na Província de Sindh, terra natal da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, o secretário do governo local Arif Ali Khan disse que duas pessoas morreram e 50 ficaram feridas.

"Isso é quase insignificante", disse Khan, embora tenha lamentado as mortes.

Eleições

O pleito é visto como um passo em direção à democracia, após oito anos de regime militar do ditador Pervez Musharraf, cujo futuro político se torna agora indefinido. Musharraf assumiu o poder em 1999 em um golpe de Estado. Ele precisou abandonar o cargo de comandante do Exército depois de ter sido reeleito em 6 de fevereiro em condições controversas, e desistiu da chefia das Forças Armadas depois de forte pressão dos EUA.

Arte

Apesar das acusações da oposição de que ele pretenderia fraudar a votação, Musharraf afirmou que as eleições serão "justas e livres", e que trabalhará ao lado do novo governo, seja quem for o vencedor. "Qualquer partido que ganhar, seja quem for o premiê, eu os congratularei", disse Musharraf. "E eles terão toda minha cooperação como presidente".

Embora os paquistaneses possam escolher entre candidatos de 49 partidos políticos diferentes, três disputam a maioria do voto: a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, que apóia Musharraf e é liderada por Chaudhry Hussein; o PPP (Partido Popular do Paquistão), dirigido pelo viúvo de Benazir Bhutto, Asif Zardari, e a Liga Muçulmana do Paquistão-N (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Também concorre o partido religioso Jamiat Ulema-e-Islam, principal membro da aliança MMA (Muttahida Majlis-e-Amal), que foi a grande surpresa das eleições de 2002 ao se erguer como terceira força parlamentar, atrás do PML-Q e do PPP

Com France Presse, Efe e Associated Press

 

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