Mundo
19/02/2008 - 01h29

Eleitorado dá as costas para partido de Musharraf em eleições paquistanesas

JULIA R. ARÉVALO
da Efe, em Islamabd

O partido opositor PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, desponta como um dos grandes vencedores das eleições desta segunda-feira (18) no Paquistão, nas quais o eleitorado deu as costas tanto ao partido que apóia o presidente Pervez Musharraf quanto aos grupos islamitas.

Segundo dados da Comissão Eleitoral, correspondentes a 62 das 269 cadeiras do Parlamento do país, o PML-N obteve 22 deputados, seguido do também opositor PPP (Partido Popular do Paquistão), da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, que ficou com 18.

A PML-Q (Liga Muçulmana do Paquistão-Quaid), que nos últimos anos deu sustentação política ao regime do presidente Pervez Musharraf, conseguiu apenas quatro cadeiras no Parlamento.

Estes resultados refletem uma queda-de-braço entre o PML-N e o PPP pela maioria no Parlamento, que até então pertencia ao PML-Q.

A mesma tendência é refletida por dados mais amplos, mas não oficiais, transmitidos pelas cadeias de televisão privadas do país.

Resultado

O canal de televisão Geo, com dados referentes a 130 cadeiras, colocava o PML-N de Sharif à frente, com 45 deputados, enquanto o PPP vinha logo atrás, com 38, e o PML-Q ficava com 18.

Por sua parte, a rede Dawn computava 95 cadeiras, dentre as quais o PML-N obtinha 35, o PPP, 30, e o PML-Q, 12.

Estes resultados, no entanto, podem variar em função doa circunscrições nas quais se tenha efetuado a apuração, em um país com um mapa político muito fragmentado por linhas étnicas e provinciais.

A província do Punjab é considerada essencial para as eleições para o Parlamento, por ser a mais povoada e com maior número de cadeiras na Câmara.

Junto às eleições para a Assembléia Nacional, foram realizados também pleitos locais em quatro províncias paquistanesas, Punjab, Sindh, Baluchistão e Fronteira Noroeste.

Os dados da Geo mostram que o PML-Q teve um excelente desempenho no Punjab, mas não obteve apoios nas outras províncias. Somente o PPP e o PML-Q conseguiram obter cadeiras nas Câmaras de todas as províncias do país.

O PPP, por sua parte, se impôs em seu principal reduto, Sindh, onde tradicionalmente divide cadeiras com o Muttahida Quami Movement (MQM), um partido representante dos emigrantes que chegaram da Índia, e que até agora apoiou o PML-Q.

Negociação

Após a divulgação dos primeiros resultados, no entanto, o líder do MQM, Altaf Hussein, que vive no exílio em Londres, se mostrou imediatamente disposto a negociar tanto com o PPP quanto com o partido de Sharif.

Além de uma previsível mudança de governo em Sindh, os resultados do pleito refletem uma mudança no panorama político da Fronteira Noroeste, até agora governada pela aliança de partidos religiosos MMA (Muttahida Majlis-e-Amal).

O ANP (Partido Nacional Awami) legenda pashtun e laica, conseguiu "renascer", após ser varrido do Parlamento central em 2002, e desponta como a quarta ou quinta força do país para a próxima legislatura, além de ter dominado as eleições para a Assembléia local da Fronteira Noroeste.

O ANP foi, junto ao PPP, um dos partidos que mais sofreu atentados durante a campanha para estas eleições, mas ainda assim conseguiu a maioria dos votos na Fronteira Noroeste.

Segundo a Comissão Eleitoral, após o cômputo da metade das 99 cadeiras da província, o ANP obtinha 19 representantes, contra 12 do PPP e 5 do MMA.

Musharraf

Perante a ausência de declarações dos principais líderes políticos na noite de apuração de dados, o presidente Musharraf destacou que "as eleições são a voz da nação".

"Todos, incluindo eu, devem aceitar seus resultados", afirmou.

As eleições de segunda-feira ocorreram em meio a grandes medidas de segurança, com quase 400 mil soldados e policiais postados por todo o Paquistão.

Segundo o Ministério do Interior, oito pessoas morreram nos esporádicos episódios de violência registrados em vários pontos do país. O PPP denunciou, no entanto, 15 mortes e mais de 100 feridos, somente entre seus militantes.

 

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