Mundo
19/02/2008 - 13h38

Após independência, chefe da diplomacia da UE chega a Kosovo

da Folha Online

O alto Representante da União Européia (UE) para a Política Externa, Javier Solana, desembarcou nesta terça-feira em Pristina, sendo o primeiro diplomata estrangeiro de alto escalão a ir a Kosovo após a declaração de independência feita no domingo (17).

O diplomata espanhol tem uma reunião prevista com o presidente de Kosovo, Fatmir Sejdiu, e com o primeiro ministro Hashim Thaci.

Solana chegou acompanhado do general francês Yves de Kermabon e do holandês Pieter Feith, chefes, respectivamente, da missão policial e de justiça da UE e do escritório civil internacional que coordenará o processo de independência.

A visita representa "uma mensagem clara do compromisso da Europa", afirmou a porta-voz de Solana, Cristina Gallach.

A UE pretende enviar 1.900 policiais e juristas para substituir a missão das Nações Unidas (ONU) responsável pela administração de Kosovo desde 1999.

Solana recordará a seus interlocutores a importância da estabilidade nos Balcãs e de "trabalhar em coordenação com a comunidade internacional" explicou Gallach.

"Estamos convencidos de que podemos desenvolver um grande programa de apoio para que Kosovo se converta em um país reconhecido pelas normas internacionais", completou a portavoz.

Protestos

Milhares de sérvios atearam fogo em um posto de controle na área da fronteira nesta terça-feira, em um violento protesto contra a declaração de independência de Kosovo.

O posto se localiza perto de Zubin Potok, no norte de Kosovo, e abriga funcionários da ONU e da polícia kosovar. Depois que o local foi incendiado pelos manifestantes, os policiais tiveram de se abrigar em um túnel e pedir ajuda à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

"Nós pedimos que a Otan enviasse um helicóptero para retirar nossos homens do local", disse uma fonte da polícia à agência de notícias Reuters. Tropas das forças de paz da Otan destacadas na região incluem soldados franceses, dinamarqueses, belgas e americanos.

O clima na cidade --que se divide entre sérvios e albaneses-- está tenso desde que Kosovo declarou sua independência, no último domingo (17).

Durante a madrugada desta terça-feira, um edifício destinado à futura missão da União Européia (UE) na cidade de Mitrovica, no norte do Kosovo, e em um centro comercial esloveno em Belgrado, foram atacados.

A organização sérvia que se autodenomina Mlada Bosna (Jovem Bósnia) assumiu as ações.

O grupo diz que continuará com "essas atividades não-violentas, mas encaminhadas a fins determinados, que não causarão vítimas, mas danos materiais aos países que reconhecerem a independência de Kosovo" até o cumprimento de suas exigências.

Comunicado

Em comunicado, enviado por e-mail à imprensa local, a organização diz que reúne a "juventude sérvia do mundo inteiro e se opõe à independência de Kosovo"

A Mlada Bosna exige a separação da parte norte de Kosovo --povoada por sérvios-- e do ente sérvio da Bósnia para sua união com a Sérvia, assim como um status extraterritorial para os mosteiros e outros monumentos históricos e culturais sérvios em Kosovo.

A organização reivindica às autoridades da Sérvia que nacionalizem as propriedades dos Estados que reconheçam a independência de Kosovo e o boicote das marcas registradas, sistemas comerciais e propriedade intelectual desses países.

Mlada Bosna era o nome que usava, no começo do século passado, uma organização na Bósnia que se opunha à anexação por parte do Império Austro-húngaro. Um membro do grupo, o estudante sérvio Gavrilo Princip, assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono, com o que desencadeou a 1ª Guerra Mundial (1914-1918).

EUA

Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manifestou sua confiança de que a independência de Kosovo trará paz aos Bálcãs. "A história mostrará que é a decisão correta", disse Bush em declaração feita hoje ao deixar a Tanzânia, onde estave desde sábado 916) à noite, como parte da viagem por países africanos.

A independência de Kosovo já foi reconhecida, entre outras nações, por Estados Unidos, França e Reino Unido, mas tem a oposição de países como Rússia, China e Espanha.

"Achamos que [a independência do Kosovo] trará a paz aos Bálcãs", afirmou Bush, em uma declaração aos jornalistas na qual também se abordou a falta de acordo da comunidade internacional sobre este tema.

Antes de partir para Ruanda --a etapa seguinte de sua viagem africana-- Bush acrescentou que a Casa Branca esteve em consultas com a Rússia sobre este tema.

"Isto não era uma surpresa para a Rússia", acrescentou.

Rússia

O ministro russo de Relações Exteriores, Sergei Lavrov, alertou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que a declaração de independência de Kosovo "ameaça a estabilidade internacional", informou hoje o Ministério russo de Relações Exteriores.

De acordo com um comunicado, Lavrov discutiu Kosovo com Rice ontem por telefone.

Durante a conversa, o ministro reiterou a oposição de Moscou à declaração de independência de Kosovo. "Nós confirmamos nossa posição contrária ao anúncio unilateral de Kosovo".

"Nós ressaltamos as perigosas conseqüências deste ato, que pode levar à destruição da paz, da ordem e da estabilidade internacional, que foram desenvolvidos por décadas", diz o texto.

A Rússia apóia sua aliada, Sérvia, na oposição à independência de Kosovo. Antes da declaração do domingo, o governo de Moscou havia dito que o reconhecimento de Kosovo causaria um "perigoso precedente legal" e aumentaria a tensão separatista no mundo.

Com France Presse

 

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