Saiba mais sobre Raúl Castro, irmão e possível sucessor de Fidel
da Efe, em Havana
Raúl Castro, 76, ocupa a Presidência provisória de Cuba desde o anúncio da doença do irmão Fidel, 81, que renunciou nesta terça-feira ao cargo de presidente. No entanto, acredita-se que ele deixará de ser interino no próximo domingo (24), quando o Parlamento escolherá um novo Conselho de Estado.
Raúl Castro, no cargo há 19 meses, aparece em quase todas as pesquisas de candidatos para suceder no comando supremo o homem que governou a ilha de onze milhões de habitantes por cerca de meio século.
| Javier Galeano/AP |
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| Raúl Castro, irmão de Fidel, é apontado como provável sucessor do ditador que renunciou nesta terça-feira |
Fidel escolheu seu irmão como seu sucessor após o triunfo rebelde sobre o ditador Fulgencio Batista em 1959 e até agora era segundo no comando de todas as frentes políticas e institucionais.
O líder cubano era presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros, primeiro-secretário do Partido Comunista, chefe supremo das Forças Armadas e comandante em chefe da Revolução.
Raúl é primeiro vice-presidente de ambos os conselhos, segundo secretário do partido, ministro das Forças Armadas e o único em Cuba com categoria de general de Exército.
Em oposição aos que acreditam que ele será o novo chefe de Estado cubano, há os que pensam que pode renunciar ao cargo com Fidel.
Eles citam uma frase sua de 2006: "Estamos concluindo o cumprimento de nosso dever. É preciso dar passagem a novas gerações ou continuar abrindo caminho a novas gerações gradativamente".
Brigas
Os biógrafos do quinto e do oitavo dos nove filhos que o espanhol Ángel Castro teve com duas cubanas, após imigrar sem dinheiro e virar fazendeiro, afirmam que Fidel e Raúl tiveram grandes brigas, mas em público nunca evidenciaram as desavenças.
Raúl "dirige a maior parte dos assuntos diários do Governo de Cuba, enquanto seu irmão dedica mais tempo aos assuntos globais e ideológicos", escreveu há duas décadas o jornalista e biógrafo americano Tad Szulc.
"Com seu bigode cortado e seu rosto redondo, parece um merceeiro satisfeito consigo mesmo, mas é muito respeitado por sua firmeza e capacidade", acrescentou o americano, que destacou suas qualidades como administrador.
Antonio López, historiador da casa-museu dos Castro em seu povoado natal de Birán, na província de Holguín, leste de Cuba, conta que Raúl se encarregou em 1935 do bar La Paloma, que pertencia ao pai, e colocou fim aos prejuízos do local "se livrando" dos maus pagadores.
Sua maior conquista foi transformar o Exército insurgente nas modernas Forças Armadas Revolucionárias.
Com seus militares, ele também ajudou Cuba a sobreviver economicamente durante o "período especial", eufemismo para a desaceleração econômica que a ilha sofreu com o fim do bloco soviético.
Apesar de sua fama de duro e ortodoxo, os biógrafos dizem que Raúl adotou medidas de abertura em momentos críticos: impulsionou mercados camponeses livres para garantir alimentos ao povo, argumentando que "valem mais os feijões que os canhões".
Comando
Em 31 de julho de 2006, Raúl assumiu provisoriamente o comando do país, devido a um problema intestinal que Fidel teve e que deixou o líder cubano entre a vida e a morte.
O irmão mais velho não o deixou desamparado nesse momento na cúpula do poder: recebeu seis parceiros do partido e do Governo, alguns citados como alternativas a Raúl em uma hipotética sucessão.
Os reforços foram Carlos Lage, secretário e vice-presidente dos conselhos de Estado e de Ministros; Felipe Pérez Roque, chanceler; Francisco Soberón, presidente do Banco de Cuba; José Ramón Balaguer, ministro da Saúde, e Ramón Machado Ventura e Esteban Lazo Hernández, do escritório político da legenda.
Além disso, apesar de Fidel Castro ter apresentado sinais de recuperação, continuava sendo líder indiscutível do regime.
Embora convalescente, sem sua aprovação poucos assuntos vitais seguiam em frente e seus vetos ainda eram inapeláveis, afirmava a maioria dos estudiosos sobre Cuba.
Analistas e diplomatas acreditam que, por isso, Raúl previa a necessidade de reformas estruturais, ou reconhecia um excesso de proibições, mas não tomou atitudes substanciais sobre o assunto durante sua gestão interina.
Problemas econômicos
Em 2007, Raúl enumerou os problemas econômicos cubanos e ressaltou a necessidade de ajustes, mas a escassez de alimentos, imóveis, transporte e outros artigos e serviços continua sendo o grande problema cotidiano dos cubanos.
Mas houve mudanças: Raúl faz poucas aparições públicas e pronuncia mensagens breves e concisas, diferentes dos discursos freqüentes e torrenciais do irmão mais velho hoje aposentado.
Raúl seguiu o caminho trilhado por Fidel desde jovem. Os dois foram presos após o fracassado assalto ao quartel Moncada em 1953. Depois, foram anistiados e viajaram ao México para receber treinamento militar e preparar a incursão do navio Granma.
O irmão mais novo de Filho foi casado com Vilma Espín, que morreu em 2007. Eles se conheceram em Sierra Maestra e tiveram quatro filhos.
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