Mundo
19/02/2008 - 15h51

Frei Betto diz que renúncia não fará Cuba retornar ao capitalismo

da Efe, em Brasília

Frei Betto, grande amigo de Fidel Castro, disse nesta terça-feira que a renúncia do líder cubano à Presidência abrirá um processo de renovação na ilha, mas não alterará o rumo socialista.

Frei Betto, um dos pioneiros da Teologia da Libertação no Brasil e na América Latina e autor do livro "Fidel e a religião", esteve em Cuba há duas semanas e afirmou que a renúncia, anunciada nesta terça pelo próprio "comandante" em um de seus artigos, era esperada.

"Já era previsto. O governo vem se renovando a cada eleição e Fidel renunciou para não criar situações incômodas e para não deixar que algumas pessoas muito 'fidelistas' fiquem achando que ele pode continuar", disse Frei Betto a jornalistas.

Frei Betto concordou com muitos analistas em que "não há dúvidas de que Raúl (Castro, irmão de Fidel) será eleito presidente, pois já está na direção do país junto ao conselho de ministros".

Segundo ele, Raúl está decidido a "abrir espaço para os que criticam a Revolução", e citou a ampla divulgação de um recente debate do presidente da Assembléia Nacional cubana, Ricardo Alarcón, com estudantes que defenderam a necessidade de reformas no regime.

"Os estudantes fizeram perguntas muito críticas, eram uma multidão e tudo foi gravado e divulgado", disse.

Frei Betto afirmou que o acontecimento reflete a existência de "uma expectativa de mudanças", mas declarou que "ninguém está questionando a proposta socialista" com a qual Fidel governou Cuba durante 49 anos.

"Sou testemunha disso. Não há nenhum sintoma em Cuba, nem nos setores representativos e nem na vontade do povo de que o país possa retornar ao capitalismo", disse.

 

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