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22/02/2002
-
20h47
da France Presse, em Luanda
O líder da União Nacional para a Independência Total da Angola (Unita), Jonas Savimbi, 67, que morreu hoje durante um combate, foi sempre caracterizado como um personagem enigmático e controvertido, marcado por uma dupla formação: protestante e maoísta.
Savimbi era membro da etnia ovimbundu, um povo de agricultores estabelecidos no centro do país, que representa 40% da população angolana. Ele nasceu no dia 3 de agosto de 1934 e ficou marcado pela forte personalidade de seu pai, um severo pastor protestante.
Aluno brilhante, o líder rebelde conseguiu ser um dos poucos angolanos negros que durante o período colonial estudou na Universidade em Portugal, onde cursou medicina graças a uma bolsa de estudos oferecida por grupos religiosos norte-americanos.
Em 1960, deixou Lisboa e foi à Suíça, onde começou a se interessar seriamente por política. Em 1966 fundou seu próprio partido: a Unita, depois de obter na China uma formação militar e política que influenciou o partido.
Depois que o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) chegou ao poder logo após a independência em 1975, o líder da Unita iniciou sua guerrilha, que deixou cerca de 500 mil mortos.
Depois de voltar à clandestinidade em 1992, Savimbi, que se considerava um socialista democrata, assumiu o controle de Huambo (centro da Angola), a segunda maior cidade do país e que se tornou a sua base de operações, enquanto suas tropas controlavam as províncias do norte.
Quase sempre trajando um uniforme militar verde-oliva, com um revólver na cintura e um bastão na mão, o guerrilheiro, autoritário e intransigente, dirigiu um exército composto por cerca de 3.000 homens.
A Unita anunciou em março de 1998 sua desmilitarização total e se transformou em partido político, o qual deu a Jonas Savimbi o status de chefe da oposição, com privilégios que fizeram dele um dos principais homens do Estado.
Em 1998, a Unita se dividiu em dois e o conflito recrudesceu. O parlamento então votou em outubro de 1998 pela abolição do estatuto especial de Savimbi.
No final de janeiro de 1999, o governo da MPLA declarou guerra à Unita e, em julho do mesmo ano, foi decretada a ordem de prisão contra Savimbi por "rebelião armada, sabotagem, tráfico e utilização de métodos de guerra proibidos".
Savimbi chegou a ser condecorado como "defensor da liberdade" pelo ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, em plena Guerra Fria. Só no governo Clinton Washington reconheceu oficialmente o governo do MPLA.
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Saiba quem foi o líder da Unita, Jonas Savimbi
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O líder da União Nacional para a Independência Total da Angola (Unita), Jonas Savimbi, 67, que morreu hoje durante um combate, foi sempre caracterizado como um personagem enigmático e controvertido, marcado por uma dupla formação: protestante e maoísta.
| Reuters |
![]() |
| Jonas Savimbi, líder da Unita |
Savimbi era membro da etnia ovimbundu, um povo de agricultores estabelecidos no centro do país, que representa 40% da população angolana. Ele nasceu no dia 3 de agosto de 1934 e ficou marcado pela forte personalidade de seu pai, um severo pastor protestante.
Aluno brilhante, o líder rebelde conseguiu ser um dos poucos angolanos negros que durante o período colonial estudou na Universidade em Portugal, onde cursou medicina graças a uma bolsa de estudos oferecida por grupos religiosos norte-americanos.
Em 1960, deixou Lisboa e foi à Suíça, onde começou a se interessar seriamente por política. Em 1966 fundou seu próprio partido: a Unita, depois de obter na China uma formação militar e política que influenciou o partido.
Depois que o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) chegou ao poder logo após a independência em 1975, o líder da Unita iniciou sua guerrilha, que deixou cerca de 500 mil mortos.
Depois de voltar à clandestinidade em 1992, Savimbi, que se considerava um socialista democrata, assumiu o controle de Huambo (centro da Angola), a segunda maior cidade do país e que se tornou a sua base de operações, enquanto suas tropas controlavam as províncias do norte.
Quase sempre trajando um uniforme militar verde-oliva, com um revólver na cintura e um bastão na mão, o guerrilheiro, autoritário e intransigente, dirigiu um exército composto por cerca de 3.000 homens.
A Unita anunciou em março de 1998 sua desmilitarização total e se transformou em partido político, o qual deu a Jonas Savimbi o status de chefe da oposição, com privilégios que fizeram dele um dos principais homens do Estado.
Em 1998, a Unita se dividiu em dois e o conflito recrudesceu. O parlamento então votou em outubro de 1998 pela abolição do estatuto especial de Savimbi.
No final de janeiro de 1999, o governo da MPLA declarou guerra à Unita e, em julho do mesmo ano, foi decretada a ordem de prisão contra Savimbi por "rebelião armada, sabotagem, tráfico e utilização de métodos de guerra proibidos".
Savimbi chegou a ser condecorado como "defensor da liberdade" pelo ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, em plena Guerra Fria. Só no governo Clinton Washington reconheceu oficialmente o governo do MPLA.
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