Advogados paquistaneses fazem protestos pela saída de Musharraf
da Folha Online
Milhares de advogados protestaram nesta quinta-feira no Paquistão contra o ditador Pervez Musharraf, três dias depois das eleições parlamentares que deram vitória à oposição. A polícia usou gás lacrimogêneo e prendeu alguns dos manifestantes, mas não houve feridos.
Em Lahore, no leste do país, cerca de 2.000 advogados gritaram "fora Musharraf" e "devolvam-nos a independência da Justiça" durante comício em frente à assembléia provincial de Pendjab. Não houve violência durante a manifestação.
Segundo o oficial Tahir Naved, a polícia prendeu seis pessoas e usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes na cidade de Karachi, sul do país. Cerca de cem advogados se reuniram em frente à Alta Corte da cidade para protestar contra a destituição de juízes do Tribunal Supremo por Musharraf em 2007.
Em Quetta, 70 advogados ocuparam a principal avenida da cidade gritando "Musharraf, não aceitaremos suas regras". Cinqüenta policiais acompanharam a manifestação, mas não houve incidentes.
Eleições
Os líderes dos dois partidos de oposição devem se encontrar nesta quinta-feira, pela primeira vez desde as eleições de segunda-feira, para discutir a formação de um novo governo. Antes de tratarem de suas diferenças, eles terão de discutir o futuro de Musharraf e a restauração do judiciário.
Apesar do resultado oficial das eleições de segunda-feira (18) não ter sido divulgado, pesquisas indicam que os dois partidos de oposição terão 154 das 268 cadeiras do Parlamento paquistanês.
Se conseguirem o apoio de partidos menores, eles terão os dois terços necessários para pedir o impeachment de Musharraf, que está no poder desde 1999 quando liderou um golpe de Estado.
O pleito é visto como um passo em direção à democracia, após oito anos de regime militar do ditador Pervez Musharraf, cujo futuro político se torna agora indefinido. Musharraf precisou abandonar o cargo de comandante do Exército depois de ter sido reeleito em 6 de fevereiro em condições controversas, e desistiu da chefia das Forças Armadas depois de forte pressão dos EUA.
Apesar das acusações da oposição de que ele pretenderia fraudar a votação, Musharraf afirmou que as eleições seriam "justas e livres", e que trabalhará ao lado do novo governo, seja quem for o vencedor.
"Qualquer partido que ganhar, seja quem for o premiê, eu os congratularei", disse Musharraf. "E eles terão toda minha cooperação como presidente".
Embora os paquistaneses possam escolher entre candidatos de 49 partidos políticos diferentes, três disputaram a maioria do voto: a Liga Muçulmana do Paquistão - Q, que apóia Musharraf (PML-Q) e é liderada por Chaudhry Hussein; o PPP (Partido Popular do Paquistão), dirigido pelo viúvo de Benazir Bhutto, Asif Zardari, e a Liga Muçulmana do Paquistão - N (PML-N) do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.
O PPP afirma que o Parlamento deve decidir o destino do ditador e dos juízes depostos. Para Sharif, do PML-N, Musharraf deve sofrer o impeachment e a Justiça imediatamente ser restituída.
"Se não encontrarem um denominador comum, será uma aliança entre fogo e água", concluiu Zafarullah Khan, diretor do Centro para a Educação Cívica do Paquistão.
Com Associated Press e France Presse
Leia mais
- Viúvo de Bhutto descarta ser premiê no Paquistão
- Após eleições, ditador paquistanês diz que não irá renunciar
- Após eleições, começa contagem de votos no Paquistão
- Paquistaneses vão às urnas sob temor de fraudes
- Em meio a temor de violência, paquistaneses elegem novo Parlamento
Especial

