Mundo
25/02/2008 - 07h03

Reunião discute tratado internacional contra bombas cluster

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FELIPE MODENESE
Colaboração para a Folha Online

Da última segunda-feira (18) até esta sexta-feira (22), representantes diplomáticos de ao menos 90 países estiveram reunidos em Wellington (Nova Zelândia) para discutir o chamado processo de Oslo, a criação de um tratado internacional proibindo a fabricação, a estocagem, o uso e a transferência de bombas cluster.

O relatório da última reunião para o processo de Oslo -- ocorrida em dezembro em Viena (Áustria) -- afirma que 10% das submunições não explodem no momento do ataque.

Os explosivos alojados no solo se transformam em minas de menor alcance que, ao serem tocadas, provocam mutilações e mortes. De acordo com dados da ONU, cerca de 1 milhão das submunições despejadas no Líbano -- durante os ataques de Israel em 2006 -- não explodiram. Depois do cessar-fogo, 200 civis foram vitimas das explosões 30 deles morreram.

Em maio de 2008 será realizada uma reunião em Dublin (Irlanda) para que sejam feitas as negociações dos termos finais do tratado.

De acordo com Daniel Mack, coordenador de políticas relacionadas ao controle de armas do Instituto Sou da Paz, o principal problema dos armamentos cluster é o dano causado a civis por parte considerável das submunições que não explodem após o impacto.

Mack cita também o exemplo da cidade de Hilla, no Iraque, em que 38 civis morreram após explosões de submunições remanescentes.

O Brasil não participa oficialmente da reunião de Wellington -- assim como das outras quatro vezes --, mas, de acordo com o Itamaraty, enviou um representante como observador.

Segundo a assesoria do ministério, o uso de munição cluster é considerado legítimo pelo governo brasileiro desde que "respeite o código internacional de direitos humanitários".

Outra presença nacional na reunião é a de Cristian Wittmann, representante informal no Brasil da Campanha Contra as Munições Cluster, uma organização global contra tais armamentos e principal organizadora do encontro.

 

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