Mundo
22/02/2008 - 10h26

Após renunciar, Fidel Castro rejeita mudança em Cuba

da Folha Online

Fidel Castro garantiu que sua renúncia à Presidência de Cuba não provocará uma "mudança, como espera o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush", em artigo publicado nesta sexta-feira, o primeiro depois de anunciar que não pretende se reeleger ao comando do país.

Sob o título "Reflexões do companheiro Fidel", o artigo do ex-ditador aborda a reação de seu "adversário" à mensagem publicada na terça-feira em que anunciava que não aspiraria ao mandato de presidente.

"Bush disse que minha mensagem era o início do caminho da liberdade de Cuba, ou seja, a anexação", expressou o líder comunista. Ele se afastou da atividade política após 49 anos no poder. Fidel, 81, estava há 19 meses afastado do cargo se recuperando de uma doença.

Ele afirma ter acompanhado pela televisão "a posição embaraçosa de todos os candidatos a presidente dos Estados Unidos" e destaca que eles "se viram obrigados um por um a proclamar suas exigências imediatas a Cuba para não arriscar um só eleitor".

"Meio século de bloqueio parece pouco aos prediletos", acrescenta. Para Fidel, os candidatos gritavam "Mudança, mudança, mudança!". "Estou de acordo. Mudança! mas nos Estados Unidos. Cuba mudou e seguirá seu rumo dialético", acrescentou.

Para o líder, os cubanos não retornarão "jamais ao passado", em referência ao período anterior à Revolução Cubana de 1959.

Consciência tranqüila

Fidel critica as "minguadas potências européias aliadas" aos EUA para as quais "chegou o momento de dançar com a música da democracia e da liberdade que jamais conheceram realmente".

No artigo, Fidel revela que após o anúncio de sua decisão "pensou em deixar de escrever uma reflexão por pelo menos 10 dias", mas confessou "não poder guardar silêncio tanto tempo, pois é preciso abrir fogo ideológico sobre eles".

O líder cubano disse ter "a consciência tranqüila" com sua decisão e comentou que ficou exausto com "os dias de tensão esperando a proximidade de 24 de fevereiro", quando o Parlamento cubano definirá o Conselho de Estado.

A Presidência do órgão deve ser atribuída ao irmão do líder ditatorial, Raúl Castro, que governa a ilha desde o início da crise de saúde de Fidel.

"Estou impregnado agora no esforço para fazer constar meu voto unido em favor da presidência da Assembléia Nacional e do novo Conselho de Estado, e como fazê-lo", concluiu.

Com France Presse

Comentários dos leitores
irineu ermel (3) 30/05/2008 16h03
irineu ermel (3) 30/05/2008 16h03
NATAL / RN
Eu nao quero ser parceiro de nenhum país comunista, e acho que o governo deveria ter mais responsabilidade com os recursos do País, e nao ficar fazendo caridade com o dinheiro que nao lhes pertence. sem opinião
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Antonio Carlos Bressan (124) 25/02/2008 17h04
Antonio Carlos Bressan (124) 25/02/2008 17h04
NITEROI / RJ
Depois de 50 anos, o mundo todo viu mais uma "encenação" eleitoral ridícula em Cuba, com o povo sofrido continuando a viver de forma passiva, como "gado", na grande fazenda particular da "famiglia" Castro!
Nem à beira da morte, nestes 19 meses, Fidel demonstrou um pouco de humildade e menos "arrogância" - comum aos ditadores que se acham "deus" do povo - aproveitando para convocar eleições diretas e democráticas para o país!
Se o fizesse, pelo menos ficaria na história como um revolucionário que se tornou ditador, mas que antes de sua morte, se arrependeu daqueles anos de ausência de liberdades e de democracia, impingida por ele ao seu próprio povo trabalhador e honesto!
Para um ditador, era querer demais também, não?
61 opiniões
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Igor Mendonça (2) 25/02/2008 12h45
Igor Mendonça (2) 25/02/2008 12h45
BELO HORIZONTE / MG
Acho importante salientar que diferente do regime socialista, o capitalismo não tem tratados ou teorias defensoras para guiá-lo. Independete do modo de produção, acho que conquista de direitos vem com o tempo, através de reformas e/ou revoluções. Acho que dizer que graças ao Patrioct Act o "mundo capitalista" é menos livre cai num grande equívoco (vide a Internet). As reformas das previdências sociais vem de uma grande verdade na natureza: os recursos são escassos, e saber administrá-los está além da capacidade de uns poucos técnicos de alguns governos. Os governos estão sem dinheiro para bancar o envehecimento mundial, e não há corrupção ou má administração que supere esta cifra. Resta ao governo regular para evitar abusos, e se preocupar com questões mais importantes: educação e democracia, por exemplo, conceitos extremamente imaturos ainda nas sociedades atuais. Mas isso foge muito ao assunto "Raul Castro no poder". Desculpem-me. 5 opiniões
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