Em incursão por terra no Iraque, Turquia confronta rebeldes curdos
da Folha Online
Militares turcos cruzaram por terra a fronteira com o norte do Iraque na noite desta quinta-feira com o apoio de aviões de guerra. A ação dá continuidade aos bombardeios a alvos do PKK iniciados no final de 2007 que desencadearam a reação dos curdos em uma série de ataques a forças de segurança da Turquia.
Emissoras turcas informaram que cerca de 10 mil soldados entraram no Iraque a partir das 19h (14h de Brasília), embora não tenha sido determinada a duração da missão. O governo da Turquia destacou em comunicado que o número de soldados não passa de 3.000 e que os civis da região "serão tratados com o máximo cuidado".
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A agência de notícias pró-curda Firat acrescentou que intensos enfrentamentos foram travados entre as tropas turcas e as forças do PKK no norte do Iraque, causando duas mortes entre os soldados e deixando outros oito feridos.
O chefe das relações exteriores do PKK, Ahmed Danees, confirmou a informação. "As batalhas foram muito violentas. Dois soldados turcos morreram e oito ficaram feridos. Mas, do lado do PKK, não houve vítimas", afirmou à agência de notícias Reuters.
Por enquanto, não houve reação do governo autônomo curdo do norte do Iraque.
EUA
O porta-voz das Forças Armadas dos Estados Unidos em Bagdá, Gregory Smith, afirmou que a operação é entendida como de "duração limitada". "A Turquia deu garantias de que fará o possível para evitar danos a cidadãos inocentes ou à infra-estrutura do Curdistão", declarou em comunicado.
O representante da secretaria de Estado americana, Matthew Bryza, disse a jornalistas em Bruxelas que a incursão turca no norte do Iraque não são as "melhores notícias". Para ele, "a operação por terra é obviamente um novo patamar".
Bryza disse que Washington tem cooperado com a Turquia fornecendo informações sobre a posição dos guerrilheiros do PKK desde novembro de 2007 para garantir que a força aérea turca faça ataques pontuais, minimizando o risco de danos em alvos civis.
UE
O chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana, disse nesta sexta-feira que a ofensiva militar turca em busca de rebeldes separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte do Iraque não é a "melhor maneira" para o governo da Turquia resolver o conflito.
"Compreendemos as procupações da Turquia, mas pensamos que essa ação não é a melhor resposta", declarou Solana durante entrevista coletiva na Eslovênia, após um encontro ministros da Defesa da UE. Segundo ele, "a integridade territorial do Iraque é muito importante".
"A União Européia entende que a Turquia deve proteger sua população do terrorismo, mas acredita que o país deve evitar uma ação militar exagerada que desrespeite os direitos humanos e as leis", afirmou a porta-voz da comissão de ampliação da União Européia, Krisztina Nagy.
"Encorajamos os turcos a prosseguir com o diálogo sobre a questão com seus parceiros internacionais", completou.
Com Efe e Reuters
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