UE e América Central vão negociar acordo de associação em Bruxelas
da Efe, em Bruxelas
Negociadores de seis países centro-americanos se reúnem de amanhã até sexta-feira em Bruxelas com representantes da Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia), na segunda rodada de conversas visando ao Acordo de Associação com a América Central.
Às vésperas do encontro, funcionários da Comissão negaram que as duas partes já começarão a discutir ofertas concretas sobre tarifas.
No entanto, a negociação entre a CE -- que representa 27 países europeus-- e os centro-americanos (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá, este último como observador) "vai começar a tratar do assunto", segundo o atual porta-voz do grupo da América Central, o embaixador costarriquenho Roberto Echandi.
Em entrevista à Agência Efe, Echandi se mostra convencido da possibilidade de o acordo ser concluído até o primeiro semestre de 2009 e de que as negociações transcorrerão "sem correria, mas sem pausas".
Os europeus, no entanto, estão céticos a respeito da idéia de fixar uma data e duvidam de que o grupo possa continuar unido quando assuntos comerciais e políticos sensíveis começarem a ser abordados.
O Acordo de Associação com a América Central é o primeiro da UE a ser negociado "de região para região" com a América Latina.
Echandi acredita que a América Central "é uma região muito integrada" e que este é o terceiro ou quarto acordo internacional que os Governos centro-americanos negociam juntos.
Por insistência da parte centro-americana, essa rodada de Bruxelas será "essencial" e não meramente 'conceitual' como foi a primeira, realizada em San José (Costa Rica), na qual se discutiu a estrutura da negociação, mas sem textos.
Desde então, europeus e centro-americanos vêm assinando acordos na maioria das áreas, e espera-se que até o próximo final de semana haja pelo menos um texto consolidado que estabeleça as propostas das duas partes.
O Acordo de Associação compreende três "pilares": diálogo político, cooperação para o desenvolvimento e livre-comércio.
A CE admite o caráter "assimétrico" da relação, isto é, a Europa está disposta a oferecer muito mais do que poderia ganhar em troca, mas ainda não esclareceu, por exemplo, até onde aceitará abrir seus mercados, principalmente o agroalimentar.
Os negociadores europeus dizem que esta semana a banana será um dos 'assuntos mais difíceis' nas negociações com a América Central.
"(A banana) É um ponto muito importante para nossos parceiros, mas também muito sensível para a UE", onde há países-membros como a Espanha que também produzem a fruta, advertiram as fontes.
Contudo, os centro-americanos também desejam aumentar as ofertas exportáveis agrícola e industrial.
"O mercado europeu é muito difícil de ser penetrado porque seus padrões são muito altos. É muito difícil cumprir as normas européias. Não se trata apenas de tarifas, mas de normas sanitárias e fitossanitárias, por exemplo", comenta Echandi.
O embaixador costarriquenho defende a "primazia do interesse do conjunto nas negociações, e não somente os interesses defensivos".
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