Após ser eleito presidente, Raúl promete manter socialismo em Cuba
da Folha Online
Raúl Castro prometeu manter a economia cubana "dentro do socialismo" e fez uma série de referências a seu irmão Fidel Castro durante discurso de posse neste domingo, após ser escolhido pela Assembléia Nacional como novo Chefe de Estado de Cuba.
O general de 76 anos já exercia interinamente o cargo há cerca de 19 meses, devido aos problemas de saúde de irmão, que culminaram em sua renúncia na última terça-feira e o início do processo de "renovação" da cúpula de poder cubana.
Considerado favorito para suceder Fidel, Raúl tornou-se o virtual novo presidente quando encabeçou a uma lista única de candidatos apresentada à Assembléia, que ratificou a cédula e o elegeu novo mandatário da ilha.
| Javier Galeano/AP |
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| Raúl Castro promete manter socialismo depois de ser eleito presidente de Cuba |
Aos "agoureiros internacionais da morte da revolução", Raúl disse que começou a apontar suas propostas de mudança, em discurso de 26 de julho de 2007, como parte de um "debate crítico dentro do socialismo".
Ele pediu autorização do Parlamento para continuar consultando Fidel sobre "as decisões de especial transcendência para o futuro da nação", especialmente as relacionadas à defesa, à política externa e ao desenvolvimento social e econômico.
Raúl ressaltou que "só o Partido Comunista --garantia segura da unidade da nação cubana-- pode ser digno herdeiro da confiança depositada pelo povo em seu líder", e acrescentou que "Fidel está aí, como sempre".
Raúl prometeu "eliminar proibições" na ilha, mas reconheceu o legado de seu irmão, que ficou mais de 49 anos a frente do poder.
"Nas próximas semanas, começaremos a eliminar as [proibições] mais simples, já que muitas delas tiveram como objetivo evitar o surgimento de novas desigualdades em um momento de escassez generalizada", declarou durante seu discurso de posse. Ele não detalhou quando e quais serão as proibições que serão anuladas.
O general também afirmou que vai rever o tamanho do Estado cubano, tendo por objetivo tornar sua gestão "mais eficiente".
Repercussão
O discurso de Raúl confirma alguns dos prognósticos de analistas políticos, que consideram o irmão de Fidel Castro mais pragmático e o possível artífice de mudanças na direção de alguma abertura política e econômica na ilha socialista, desde a Revolução Cubana de 1959, em que os Castro derrotaram o ditador Fulgêncio Batista.
Nesta segunda-feira, a União Européia ofereceu a Raúl Castro "um diálogo político construtivo" para "melhorar e aprofundar questões de interesse comum".
| Marcelo Katsuki/Arte Folha |
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"A Comissão Européia está disposta a seguir trabalhando com o governo cubano, em coordenação com nossos sócios da União Européia, para melhorar e aprofundar questões de interesse comum, como o meio ambiente e as mudanças climáticas", disse o comissário europeu de Desenvolvimento, Louis Michel.
Michel deverá viajar para Havana no dia 6 de março, em uma visita de dois dias que oferecerá "a oportunidade de fazer avançar o diálogo da União Européia com o governo cubano".
Nos Estados Unidos, representantes da comunidade dos cubanos exilados lamentaram a vitória. "Raúl Castro governa Cuba junto a Fidel Castro há 49 ano. Não vemos nada de novo, somente a continuidade do regime", afirmou Janisset Rivero, do Diretório Democrático Cubano.
"Somente vamos ver as mudanças em Cuba quando liberarem os presos políticos, quando forem legalizados os partidos políticos e forem convocadas eleições livres, não esta farsa eleitoral", acrescentou.
'Há possibilidade e potencialidade de mudanças em Cuba, mas essas mudanças têm que nascer de dentro do país', disse Tom Shannon, chefe da diplomacia dos EUA para América Latina.
Ele acrescentou que os EUA não devem mudar sua política baseada no embargo iniciado em 1962.
"Viva Fidel"
Um dos mandatários mais próximos a Fidel, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o primeiro chefe de Estado a enviar uma felicitação ao novo presidente de Cubano.
"Raúl sempre esteve ali, praticamente invisível, mas trabalhando o mais possível, fiel à revolução, ao povo cubano e fiel até a medula ao seu irmão mais velho, Fidel Castro", disse Chávez, em um programa de televisão.
"Fidel, camarada, vai aqui um abraço, você segue sempre sendo o comandante Fidel. Viva Raúl, viva Fidel, viva Cuba!", acrescentou o presidente venezuelano, pedindo a seus seguidores e membros do gabinete uma salva de palmas para Raúl.
Com Associated Press, Efe e France Presse
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Nem à beira da morte, nestes 19 meses, Fidel demonstrou um pouco de humildade e menos "arrogância" - comum aos ditadores que se acham "deus" do povo - aproveitando para convocar eleições diretas e democráticas para o país!
Se o fizesse, pelo menos ficaria na história como um revolucionário que se tornou ditador, mas que antes de sua morte, se arrependeu daqueles anos de ausência de liberdades e de democracia, impingida por ele ao seu próprio povo trabalhador e honesto!
Para um ditador, era querer demais também, não?
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