À frente de Cuba, Raúl Castro deve enfrentar desafio das reformas
da Folha Online
Nomeado sucessor de Fidel Castro na Presidência de Cuba pela Assembléia Nacional, Raúl Castro, 76, deve enfrentar a partir desta segunda-feira o desafio das reformas esperadas pelos cubanos, depois de quase meio século de mandato de seu irmão mais velho.
O general já governava Cuba interinamente desde julho de 2006, devido aos problemas de saúde de Fidel, que culminaram em sua renúncia ao cargo na última terça-feira (19).
| Ismael Francisco/AP |
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| Raúl Castro foi eleito presidente de Cuba pela Assembléia Nacional no domingo (24) |
Considerado favorito para suceder Fidel, Raúl tornou-se o virtual novo presidente quando encabeçou a uma lista única de candidatos apresentada à Assembléia, que ratificou a cédula e o elegeu novo mandatário da ilha.
Neste domingo, durante o discurso de posse, ele prometeu fazer reformas, mas disse que manterá a economia "dentro do socialismo", e fez uma série de referências ao irmão Fidel.
No discurso, Raúl disse que não desviará a ilha do socialismo, e que seu irmão continuará a ser consultado sobre questão importantes. "Fidel é Fidel. Ele é insubstituível", disse Raúl.
O novo presidente prometeu, no entanto, "eliminar proibições" na ilha, mas reconheceu o legado de seu irmão, que ficou mais de 49 anos a frente do poder.
'Nas próximas semanas, começaremos a eliminar as [proibições] mais simples, já que muitas delas tiveram como objetivo evitar o surgimento de novas desigualdades em um momento de escassez generalizada', declarou durante seu discurso de posse.
Ele não detalhou quando e quais serão as proibições que serão anuladas.
O general também afirmou que vai rever o tamanho do Estado cubano, tendo por objetivo tornar sua gestão 'mais eficiente'.
| Marcelo Katsuki/Arte Folha |
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Mudanças
Para analistas, as mudanças implementadas por Raúl devem ser "cautelosas". "Acredito que Raúl fará algumas reformas modestas no futuro próximo", disse Archibald Ritter, especialista em Cuba da Universidade de Carleton, em Ottawa (Canadá), à agência de notícias Reuters.
No entanto, a primeira medida anunciada por Raúl foi a nomeação de José Ramon Machado Ventura, 77, um comunista linha-dura, para ser seu vice, afastando o vice de Fidel Carlos Lage, 56, que era mais identificado com as pequenas mudanças econômicas dos anos 90.
Raúl, que já foi um comunista linha-dura que supervisionava as execuções de inimigos da revolução, vem encorajando o debate moderado nos últimos meses, e pediu que os cubanos expressem publicamente suas preocupações a respeito da vida na ilha caribenha.
"Ele abriu a caixa de Pandora", disse o cubano Carmelo Mesa-Lago, professor da Universidade de Pittsburgh, à agência Reuters.
"Se introduzir apenas mudanças pequenas e cosméticas, a frustração apenas crescerá".
Viva Fidel
Um dos mandatários mais próximos a Fidel, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o primeiro chefe de Estado a enviar uma felicitação ao novo presidente de Cubano.
"Raúl sempre esteve ali, praticamente invisível, mas trabalhando o mais possível, fiel à revolução, ao povo cubano e fiel até a medula ao seu irmão mais velho, Fidel Castro", disse Chávez, em um programa de televisão.
"Fidel, camarada, vai aqui um abraço, você segue sempre sendo o comandante Fidel. Viva Raúl, viva Fidel, viva Cuba!", acrescentou o presidente venezuelano, pedindo a seus seguidores e membros do gabinete uma salva de palmas para Raúl.
Com Associated Press, Efe e France Presse
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Nem à beira da morte, nestes 19 meses, Fidel demonstrou um pouco de humildade e menos "arrogância" - comum aos ditadores que se acham "deus" do povo - aproveitando para convocar eleições diretas e democráticas para o país!
Se o fizesse, pelo menos ficaria na história como um revolucionário que se tornou ditador, mas que antes de sua morte, se arrependeu daqueles anos de ausência de liberdades e de democracia, impingida por ele ao seu próprio povo trabalhador e honesto!
Para um ditador, era querer demais também, não?
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