Farc anunciam que não farão mais libertações unilaterais de reféns
da Folha Online
As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertaram nesta quarta-feira quatro ex-congressistas seqüestrados há mais de seis anos e anunciaram que não farão mais entregas unilaterais até que o governo desmilitarize dois municípios do sudoeste do país para negociar um acordo humanitário.
As Farc entregaram nas selvas do departamento (Estado) de Guaviare (sudeste) os ex-parlamentares Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar, Luis Eladio Pérez Bonilla e Jorge Eduardo Gechem Turbay, seqüestrados em distintas ações em 2001 e 2002 no sul do país.
O grupo foi recebido por delegados do governo da Venezuela e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que os transportou ao país vizinho em dois helicópteros com emblemas do organismo humanitário.
A delegação foi liderada pelo ministro do Interior venezuelano, Ramón Rodríguez Chacín, pela senadora da oposição colombiana Piedad Córdoba e por delegados e pessoal médico do CICV.
A missão, facilitada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, partiu no início da manhã de hoje de Santo Domingo, no Estado venezuelano de Táchira, e após uma escala em San José do Guaviare, capital do Guaviare, os helicópteros foram em direção a um ponto da selva para resgatar os quatro ex-congressistas.
Após receber Polanco, Beltrán, Pérez e Gechem, a delegação iniciou o retorno à Venezuela, onde os recém libertados eram esperados por seus familiares e por Chávez.
O estado de saúde mais preocupante era o de Gechem, que durante os seis anos e seis dias que esteve preso sofreu ao menos cinco graves crises cardíacas, além de problemas gástricos e musculares.
"Parece que o estado de saúde permitiu uma viagem até Venezuela. Nós não conhecemos os detalhes, mas o que me parece importante é que eles (os recém libertados) estavam em condições para viajar", disse a delegada do CICV na Colômbia, Bárbara Hintermann, ao confirmar a libertação.
A operação foi similar à do dia 10 de janeiro, quando as Farc entregaram ao CICV e a Rodríguez Chacín, na mesma região, a advogada Clara Rojas e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo, presas desde 2002 e 2001, respectivamente.
Ainda permanecem em mãos das Farc 40 políticos, policiais, militares e estrangeiros que a guerrilha pretende trocar por cerca de 500 rebeldes presos, assim como mais de 700 seqüestrados com fins de extorsão, segundo números oficiais.
Entre os cativos "passíveis de troca" figuram a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de nacionalidade franco-colombiana, e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.
Zona desmilitarizada
Pouco depois da libertação, as Farc emitiram um comunicado no qual reiteraram a exigência ao governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que desmilitarize os municípios de Pradera e Florida (Valle del Cauca, sudoeste) para dialogar sobre os demais "prisioneiros de guerra".
"Agora deve seguir a desmilitarização de Pradera e Florida por 45 dias, com presença guerrilheira e a comunidade internacional como mediadora para se pactuar com o governo nesse espaço a liberação dos guerrilheiros e dos prisioneiros de guerra", afirmou o grupo rebelde.
Uribe nunca aceitou a condição porque considera que a segurança de mais de 100 mil pessoas que habitam essa zona --estratégica para a passagem de tropas, armas, drogas e mantimentos-- ficaria vulnerável, já que comunica o Pacífico com a zona andina colombiana.
O governo respondeu nesta quarta e, por meio do alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, disse que não desmilitarizará o território que exige a guerrilha.
"É claro que nós não podemos retirar a polícia de dois municípios e deixar 114 mil pessoas que vivem nestes municípios sob o total controle das Farc", disse Restrepo.
As Farc agradeceram a Chávez e manifestaram que a libertação dos quatro políticos "é conquista da persistência humanitária e da sincera preocupação com a paz da Colômbia, do governante venezuelano e da senadora Córdoba", que até novembro passado atuaram como mediadores da troca, quando foram afastados da mediação por Uribe.
Com Efe
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Especial


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Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
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