Mundo
27/02/2008 - 18h17

Farc anunciam que não farão mais libertações unilaterais de reféns

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da Folha Online

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertaram nesta quarta-feira quatro ex-congressistas seqüestrados há mais de seis anos e anunciaram que não farão mais entregas unilaterais até que o governo desmilitarize dois municípios do sudoeste do país para negociar um acordo humanitário.

As Farc entregaram nas selvas do departamento (Estado) de Guaviare (sudeste) os ex-parlamentares Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar, Luis Eladio Pérez Bonilla e Jorge Eduardo Gechem Turbay, seqüestrados em distintas ações em 2001 e 2002 no sul do país.

O grupo foi recebido por delegados do governo da Venezuela e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que os transportou ao país vizinho em dois helicópteros com emblemas do organismo humanitário.

A delegação foi liderada pelo ministro do Interior venezuelano, Ramón Rodríguez Chacín, pela senadora da oposição colombiana Piedad Córdoba e por delegados e pessoal médico do CICV.

A missão, facilitada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, partiu no início da manhã de hoje de Santo Domingo, no Estado venezuelano de Táchira, e após uma escala em San José do Guaviare, capital do Guaviare, os helicópteros foram em direção a um ponto da selva para resgatar os quatro ex-congressistas.

Após receber Polanco, Beltrán, Pérez e Gechem, a delegação iniciou o retorno à Venezuela, onde os recém libertados eram esperados por seus familiares e por Chávez.

O estado de saúde mais preocupante era o de Gechem, que durante os seis anos e seis dias que esteve preso sofreu ao menos cinco graves crises cardíacas, além de problemas gástricos e musculares.

"Parece que o estado de saúde permitiu uma viagem até Venezuela. Nós não conhecemos os detalhes, mas o que me parece importante é que eles (os recém libertados) estavam em condições para viajar", disse a delegada do CICV na Colômbia, Bárbara Hintermann, ao confirmar a libertação.

A operação foi similar à do dia 10 de janeiro, quando as Farc entregaram ao CICV e a Rodríguez Chacín, na mesma região, a advogada Clara Rojas e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo, presas desde 2002 e 2001, respectivamente.

Ainda permanecem em mãos das Farc 40 políticos, policiais, militares e estrangeiros que a guerrilha pretende trocar por cerca de 500 rebeldes presos, assim como mais de 700 seqüestrados com fins de extorsão, segundo números oficiais.

Entre os cativos "passíveis de troca" figuram a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, de nacionalidade franco-colombiana, e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.

Zona desmilitarizada

Pouco depois da libertação, as Farc emitiram um comunicado no qual reiteraram a exigência ao governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, que desmilitarize os municípios de Pradera e Florida (Valle del Cauca, sudoeste) para dialogar sobre os demais "prisioneiros de guerra".

"Agora deve seguir a desmilitarização de Pradera e Florida por 45 dias, com presença guerrilheira e a comunidade internacional como mediadora para se pactuar com o governo nesse espaço a liberação dos guerrilheiros e dos prisioneiros de guerra", afirmou o grupo rebelde.

Uribe nunca aceitou a condição porque considera que a segurança de mais de 100 mil pessoas que habitam essa zona --estratégica para a passagem de tropas, armas, drogas e mantimentos-- ficaria vulnerável, já que comunica o Pacífico com a zona andina colombiana.

O governo respondeu nesta quarta e, por meio do alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, disse que não desmilitarizará o território que exige a guerrilha.

"É claro que nós não podemos retirar a polícia de dois municípios e deixar 114 mil pessoas que vivem nestes municípios sob o total controle das Farc", disse Restrepo.

As Farc agradeceram a Chávez e manifestaram que a libertação dos quatro políticos "é conquista da persistência humanitária e da sincera preocupação com a paz da Colômbia, do governante venezuelano e da senadora Córdoba", que até novembro passado atuaram como mediadores da troca, quando foram afastados da mediação por Uribe.

Com Efe

Comentários dos leitores
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
Jorge Bronze (42) 02/12/2009 07h58
JR, você deveria dizer que os votos estão sendo comprados juntamente com suas consciências. Os bolsas diversas não dignificam ninguém, apenas resolvem num momento o seu problema, este desgoverno pretende criar mais dois bolsas, o da cultura e o do celular, isso se chama compra de voto, e o PT é PHD nisso, agora falar em 3º mandato para o imcomPeTente, é exatamente fazer o que o lixo do Zelaia iria fazer, se perpetuar no poder como alguns idiotas estão querendo fazer na América Latina, simplificando alguns são cópias baratas do Hugo Chavez e este por sua vez é uma planta nascida do esterco da revolução cubana. Este governo, tem sim laços de amizade com as FARC, pois guerrilheiro defende guerrilheiro, o caso mais conhecido neste governo é a Dilma, que era também colega do heroi do PT "Lamarca", guerrilheiro assassino cruel, assaltante de bancos, (aliás a Dilma também foi), sequestrador, ladrão de armas do exército, desertor, e ainda assim sua familia recebeu mais de um milhão de indenização mais a pensão de coronel. sem opinião
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Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
Ricardo Perrone (48) 12/11/2009 11h26
O Governo colombiano não deveria exercer esse tipo de artifício para capturar assassinos, bandidos ou guerrilheiros. Pagar recompensa é um estímulo a práticas detestáveis do caráter humano, como: ganância, traição e mentira. O governo deveria pegar o valor de tal recompensa e empregar nas atividades investigativas da polícia ou mesmo em sua modernização. O Estado deve ter por meta estimular o bom comportamento na sociedade, banindo práticas detestáveis mesmo que sejam por uma boa causa. 5 opiniões
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O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
O Pacificador (232) 12/11/2009 11h03
"Governo colombiano oferece US$ 1 milhão pelos assassinos de soldados do país..."
Nem precisava tanta grana.
Quem pode entregar os "cabeças" das Farc, é só gente interna mesmo.
Por dinheiro, que a verdadeira ideologia deles, esses "guerilheiros", fazem qualquer coisa.
Como já mostraram antes que são capazes, cortando até as maos de um líder da guerilha, para comprovar sua eliminação.
Uma fração do oferecido, teria sido mais do que sufiente...
sem opinião
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