Zapatero amplia vantagem sobre Rajoy nas eleições da Espanha
ELISA SANTAFÉ
da France Presse, em Madri
No dia 9 de março, os espanhóis comparecerão às urnas para participar das eleições legislativas que têm como favorito o Partido Socialista Operário Espanhol do presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, mesmo depois da aproximação dos conservadores de Mariano Rajoy nas pesquisas nos últimos meses.
Segundo a última sondagem, os socialistas poderiam obter maioria absoluta. A vantagem com relação aos conservadores, que em meados de 2007 era de 4,5%, foi se estreitando até chegar a 1,5% na semana passada e, a partir de então, voltar a subir.
Segundo esta pesquisa do instituto Demométrica para a emissora Telecinco, realizada com cerca de 8.000 pessoas de 19 a 26 de fevereiro, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) obteria 44,2% contra os 38,6% dos conservadores do Partido Popular (PP, direita).
Estas porcentagens se traduziriam para os socialistas com a obtenção de 170 a 177 assentos no parlamento contra os do PP, que seriam de 148 a 152; a maioria absoluta é de 176 cadeiras.
Durante as últimas legislativas de 14 de março de 2004, os socialistas obtiveram 42,59% dos votos (164 deputados) contra 37,71% (148 deputados) para o PP.
O PSOE deverá lutar contra a abstenção, já que este ano se espera uma participação menor que a de 2004. Daquela vez, 77,26% dos eleitores compareceram às urnas, diante dos 65% a 70% previstos para a próxima semana.
Não é certo que se repita a mobilização de 2004 causada pela forte rejeição ao envio de tropas ao Iraque e pelos atentados de 11 de março em Madri, que custaram a vida de 191 pessoas a três dias das eleições.
Para pedir o voto, os socialistas não hesitaram em lembrar dos atentados, nem destacar a radicalização sofrida pelo PP quando perdeu as eleições, para advertir quanto ao perigo da volta da direita.
Por sua vez, os conservadores fizeram da economia o centro de sua campanha depois da crise de imobiliária americana ter afetado a Espanha com o aumento dos preços e do desemprego.
Zapatero chega a estas eleições com uma bagagem de quatro anos e com a vantagem de ter cumprido uma de suas maiores promessas: retirar as tropas espanholas do Iraque, depois de ter ganhado quase de surpresa as eleição de 2004.
Entre as conquistas de sua gestão, estão uma série de medidas sociais, entre elas o matrimônio entre homossexuais, o divórcio e a lei contra a violência de gênero.
Mas seu governo também é marcado pela fracassada tentativa de negociação com a organização separatista armada basca ETA.
Durante estes anos, a Espanha registrou excelentes resultados, com crescimento econômico de 3,8% em 2007, taxa de desemprego de apenas 8,6% e superávit orçamentário. Estes argumentos são sempre levantados pelos socialistas quando o PP fala de crise econômica.
No próximo quadriênio, Zapatero quer consolidar seu projeto, mas sem se inclinar à esquerda, com mais medidas sociais, devolvendo 400 euros anuais aos que pagarem impostos e fomentando a criação de 2 milhões de empregos.
O PP de Rajoy suavizou nos últimos meses seu discurso agressivo para prometer, com reduções de impostos e ajuda para criar 2,2 milhões de empregos, condições de vida melhores aos trabalhadores "que acordem às sete da manhã", aproveitando um mote que deu bons resultados no ano passado ao presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Tudo isso sem esquecer a mão de ferro contra a imigração ilegal, que viria em "avalanche", segundo Rajoy.
Dois partidos separatistas bascos --que defendem a abstenção-- não poderão concorrer nestas eleições --foram vetados pela Justiça espanhola por seus vínculos com o partido ilegal Batasuna e com o ETA.
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