Mundo
28/02/2008 - 08h12

Refém das Farc Ingrid Betancourt sofre de hepatite, diz ex-marido

da Folha Online

A franco-colombiana Ingrid Betancourt --que é mantida refém pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) sofre de hepatite crônica e seu estado de saúde é crítico, afirmou seu ex-marido, Fabrice Delloye, confirmando informações de um ex-refém.

"Ela sofre de hepatite e, obviamente, é um problema crônico. Sabe-se que, quando a doença volta, o quadro é ainda mais grave", disse ele à agência de notícias France Presse.

As declarações foram dadas um dia após a soltura dos ex-congressistas colombianos Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar, Luis Eladio Pérez e Jorge Eduardo Gechen.

O grupo --que era mantido em cativeiro pelas Farc há seis anos-- chegou nesta quarta-feira ao aeroporto de Maiquetía, Caracas, onde se reuniu com seus parentes. Eles chegaram de avião vindos de Santo Domingo, para onde foram em helicópteros que os buscaram na selva.

Após ser libertado, Pérez, afirmou que o estado de saúde da ex-candidata à Presidência colombiana --que ele teria visto pela última vez em 4 de fevereiro-- é preocupante.

"Ela está muito maltratada pela guerrilha, e é preciso que o mundo todo saiba disso. A guerrilha é cruel com Ingrid Betancourt, que vive em condições desumanas, cercada de pessoas que não tornam sua vida nada agradável", disse Pérez em Caracas.

Depois do sucesso da missão de resgate coordenada pela Venezuela --que fez crescer a expectativa em torno da libertação de Betancourt-- o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu ao chefe das Farc, Manuel Marulanda, que transfira Betancourt a um "local seguro".

Em dezembro do ano passado, Betancourt apareceu muito magra e abatida em um vídeo e uma carta enviados à sua família.

Hoje, o primeiro-ministro francês, Francois Fillon, advertiu que a sobrevivência da franco-colombiana é uma "questão de semanas". 'Ela está doente, nós sabemos (...) Há testemunhos que são extremamente precisos. Sem dúvida é um assunto de semanas',disse ele, ao ser entrevistado durante visita ao Salão da Agricultura, nas proximidades de Paris.

Família

A filha de Betancourt, Melanie Delloye, se mostrou "extremamente angustiada" com o estado de sua mãe, após as declarações do ex-refém das Farc. "É extremamente inquietante, e sei que o tempo está contado. Mamãe está viva, mas não sei por quanto tempo", afirmou.

"Espero que as Farc e o governo colombiano façam um acordo humanitário o mais rápido possível", disse ainda a filha da refém.

Astrid Betancourt, irmã de Ingrid, disse que, segundo informações transmitidas pela senadora colombiana Piedad Córdoba na semana passada, a guerrilha estaria transferindo a seqüestrada para os acampamentos onde se encontram os reféns americanos.

"Talvez tenha sido nessa ocasião que Pérez a viu", disse Astrid. "Ele [Luis Eladio Pérez] pôde ver o estado de Ingrid em um grupo de prisioneiros que lhe são extremamente hostis, e que se irritam com ela porque a culpam por estarem seqüestrados", explicou Astrid Betancourt.

Segundo ela, a guerrilha "não é clemente" com Ingrid devido às suas várias tentativas de fuga.

Libertação

A missão de resgate partiu no início da manhã desta quarta de Santo Domingo, no Estado venezuelano de Táchira, e após uma escala em San José do Guaviare, capital do Guaviare, os helicópteros foram em direção a um ponto da selva para resgatar os quatro ex-congressistas, seqüestrados em distintas ações em 2001 e 2002 no sul do país.

Ao chegarem à Venezuela, os ex-congressistas abraçaram, em meio a lágrimas e muita emoção, os parentes que lhes esperavam no aeroporto de Caracas.

Momentos antes da chegada dos ex-reféns, o governo venezuelano afirmou que trabalhará até que todos os reféns das Farc sejam libertados.

"Não descansaremos até que estejam livres, não importa quem se opor. A verdade sempre triunfará", disse o porta-voz do governo venezuelano, Jesse Chacón.

Chacón convidou todos a trabalhar por "um caminho para um acordo humanitário" e em direção à paz na Colômbia que, completou, "é a paz na Venezuela".

"Sentimo-nos muito felizes", disse o porta-voz a respeito das libertações e ao fato de que os ex-parlamentares se encontrem em condições de saúde "muito melhores" do que se pensava.
Acordo

Apesar de a Venezuela afirmar que irá lutar pela libertação de todos os reféns, as Farc anunciaram nesta quarta que não farão mais entregas unilaterais até que o governo colombiano desmilitarize dois municípios do sudoeste do país para negociar um acordo humanitário.

A operação de ontem foi similar à do dia 10 de janeiro, quando as Farc entregaram ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Rodríguez Chacín, na mesma região, a advogada Clara Rojas e a ex-congressista Consuelo González de Perdomo, presas desde 2002 e 2001, respectivamente.

Ainda permanecem em mãos das Farc cerca de 40 políticos, policiais, militares e estrangeiros que a guerrilha pretende trocar por cerca de 500 rebeldes presos, assim como mais de 700 seqüestrados com fins de extorsão, segundo números oficiais.

Entre os cativos passíveis de troca estão, além de Betancourt, os cidadãos americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.

Com Efe e France Presse

 

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