Libertação de Betancourt é questão de vida ou morte, diz Sarkozy
da Folha Online
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou hoje na África do Sul que a libertação da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) desde 2002, é "uma questão de vida ou morte".
Em entrevista coletiva ao lado do presidente sul-africano, Thabo Mebki, Sarkozy se declarou disposto a ir buscar Betancourt pessoalmente na fronteira entre Venezuela e Colômbia.
"O sofrimento de Betancourt [que possui dupla nacionalidade, francesa e colombiana] é o sofrimento de toda a França", afirmou ele. Em comunicado divulgado hoje pelo Palácio do Palácio do Eliseu, Sarkozy apelou ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para solucionar o seqüestro de Betancourt, que se encontraria em um debilitado estado de saúde.
"Eu me dirijo ao presidente Chávez e elogio seu envolvimento e seus esforços, que permitiram devolver na quarta-feira à vida outros quatro reféns.
"Peço a ele que use toda a sua influência para salvar a vida de Betancourt. Não podemos esperar mais. Trata-se de uma questão de vida ou morte", acrescentou o presidente francês.
Sarkozy, que chegou hoje à Cidade do Cabo, falou durante a viagem do Chade à África do Sul com a filha de Betancourt, que lhe transmitiu seu sofrimento pelo estado de saúde da mãe.
Os ex-parlamentares colombianos Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar, Luis Eladio Pérez Bonilla e Jorge Eduardo Gechem Turbay, libertados na quarta-feira pelas Farc, expressaram grande preocupação com a saúde de Betancourt e do resto dos reféns.
O grupo --que era mantido em cativeiro pelas Farc há seis anos-- chegou nesta quarta-feira ao aeroporto de Maiquetía, Caracas, onde se reuniu com seus parentes. Eles chegaram de avião vindos de Santo Domingo, para onde foram em helicópteros que os buscaram na selva.
Sarkozy disse ainda que conversou por telefone com os quatro reféns libertados pelas Farc.
"Fiquei horrorizado quando me explicaram a crueldade com que as Farc estão tratando Betancourt", ressaltou.
Hoje, o primeiro-ministro francês, Francois Fillon, advertiu que a sobrevivência da franco-colombiana é uma "questão de semanas". 'Ela está doente, nós sabemos (...) Há testemunhos que são extremamente precisos. Sem dúvida é um assunto de semanas',disse ele, ao ser entrevistado durante visita ao Salão da Agricultura, nas proximidades de Paris.
Resgate
A missão de resgate partiu no início da manhã desta quarta de Santo Domingo, no Estado venezuelano de Táchira, e após uma escala em San José do Guaviare, capital do Guaviare, os helicópteros foram em direção a um ponto da selva para resgatar os quatro ex-congressistas, seqüestrados em distintas ações em 2001 e 2002 no sul do país.
Ao chegarem à Venezuela, os ex-congressistas abraçaram, em meio a lágrimas e muita emoção, os parentes que lhes esperavam no aeroporto de Caracas.
Momentos antes da chegada dos ex-reféns, o governo venezuelano afirmou que trabalhará até que todos os reféns das Farc sejam libertados.
"Não descansaremos até que estejam livres, não importa quem se opor. A verdade sempre triunfará", disse o porta-voz do governo venezuelano, Jesse Chacón.
Chacón convidou todos a trabalhar por "um caminho para um acordo humanitário" e em direção à paz na Colômbia que, completou, "é a paz na Venezuela".
"Sentimo-nos muito felizes", disse o porta-voz a respeito das libertações e ao fato de que os ex-parlamentares se encontrem em condições de saúde "muito melhores" do que se pensava.
Doença
Hoje, o ex-marido de Betancourt, Fabrice Delloye, confirmou que ela sofre de hepatite crônica, e que seu estado de saúde é crítico.
"Ela sofre de hepatite e, obviamente, é um problema crônico. Sabe-se que, quando a doença volta, o quadro é ainda mais grave", disse ele à agência de notícias France Presse.
As declarações foram dadas um dia após a soltura dos quatro ex-congressistas colombianos.
Após ser libertado, Pérez, afirmou que o estado de saúde da ex-candidata à Presidência colombiana --que ele teria visto pela última vez em 4 de fevereiro-- é preocupante.
"Ela está muito maltratada pela guerrilha, e é preciso que o mundo todo saiba disso. A guerrilha é cruel com Ingrid Betancourt, que vive em condições desumanas, cercada de pessoas que não tornam sua vida nada agradável", disse Pérez em Caracas.
Depois do sucesso da missão de resgate coordenada pela Venezuela --que fez crescer a expectativa em torno da libertação de Betancourt-- o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu ao chefe das Farc, Manuel Marulanda, que transfira Betancourt a um "local seguro".
Em dezembro do ano passado, Betancourt apareceu muito magra e abatida em um vídeo e uma carta enviados à sua família.
Família
A filha de Betancourt, Melanie Delloye, se mostrou "extremamente angustiada" com o estado de sua mãe, após as declarações do ex-refém das Farc. "É muito inquietante, e sei que o tempo está contado. Mamãe está viva, mas não sei por quanto tempo", afirmou.
"Espero que as Farc e o governo colombiano façam um acordo humanitário o mais rápido possível", disse ainda a filha da refém.
Astrid Betancourt, irmã de Ingrid, disse que, segundo informações transmitidas pela senadora colombiana Piedad Córdoba na semana passada, a guerrilha estaria transferindo a seqüestrada para os acampamentos onde se encontram os reféns americanos.
"Talvez tenha sido nessa ocasião que Pérez a viu", disse Astrid. "Ele [Luis Eladio Pérez] pôde ver o estado de Ingrid em um grupo de prisioneiros que lhe são extremamente hostis, e que se irritam com ela porque a culpam por estarem seqüestrados", explicou Astrid Betancourt.
Segundo ela, a guerrilha "não é clemente" com Ingrid devido às suas várias tentativas de fuga.
Com Efe e Associated Press
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