Mundo
01/03/2008 - 15h18

Equador investigará operação que matou número 2 das Farc

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da Efe, em Quito
da France Presse, em Quito

O presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou neste sábado uma investigação militar sobre os combates registrados na madrugada deste sábado na zona fronteiriça com a Colômbia, onde morreu o número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, aos 59 anos.

Correa lamentou a morte de colombianos e reiterou sua oferta de mediação para encontrar uma saída pacífica ao conflito armado na Colômbia.

João Wainer/Folha Imagem
Segundo homem das Farc, Raúl Reyes (foto), foi morto pelo Exército colombiano
Segundo homem das Farc, Raúl Reyes (foto), foi morto pelo Exército colombiano

O líder equatoriano confirmou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, comunicou-lhe hoje por telefone dos combates na zona fronteiriça.

Correa recebeu a ligação telefônica de Uribe enquanto gravava, com algumas horas de antecedência, seu programa de rádio que vai ao ar aos sábados.

"Era o presidente Uribe para me informar que na madrugada de hoje ocorreram enfrentamentos muito fortes na zona do Putumayo, entre o Exército colombiano e as Farc, e que muitos desses combates vieram do lado equatoriano", afirmou.

Segundo Uribe, "parece que as Farc penetraram em território equatoriano [...], então é preciso esclarecer melhor o incidente". Ele pediu que o comando da 4ª Divisão do Exército, assentado na Amazônia e próximo à zona dos combates, envie um contingente militar para investigar o fato.

Os combates resultaram na morte de um soldado colombiano e de 17 guerrilheiros --entre eles, o comandante Raúl Reyes. Outros 11 integrantes das Farc foram feridos e capturados.

"Grande dor"

"Eu lamento qualquer perda de vida, para mim isso é uma grande dor", disse o chefe do Estado equatoriano.

"Vamos mandar um contingente equatoriano, para que se faça um relatório mais preciso sobre esse fato."

O líder equatoriano expressou "toda a solidariedade ao povo colombiano, porque as perdas de vidas sempre são uma dor para toda sociedade civilizada".

"Ratificamos nossa solidariedade com o povo colombiano e, se pudermos mediar em algo para remediar esse conflito tão sangrento entre irmãos, podem contar conosco", disse.

A operação

De acordo com o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, a operação aconteceu por volta da meia-noite desta sexta-feira (29) e matou outro membro importante das Farc, Julián Conrado --cujo verdadeiro nome era Enrique Torres--, um dos ideólogos do grupo.

Segundo Santos, Reyes estava em um acampamento em território equatoriano, a 1,8 km da fronteira com a Colômbia.

"Ao atacar o acampamento, a Força Aérea Colombiana levou sempre em consideração a ordem de não violar o espaço aéreo equatoriano", disse.

Santos acrescentou que "uma vez bombardeado o acampamento, foi ordenado que as forças colombianas entrassem na área e neutralizassem o inimigo". O corpo de Reyes, de acordo com o ministro, "foi levado para território colombiano, para evitar que as Farc tentem recuperá-lo".

Reyes

O nome verdadeiro de Reyes era Luis Edgar Devia. Ele era dirigente do sindicato local da multinacional Nestlé quando entrou para a guerrilha, nos anos 70. Reyes se tornou, mais tarde, porta-voz oficial do grupo.

Ele era um dos sete integrantes do Secretariado das Farc, liderado por Manuel Marulanda-Vélez ("Tirofijo"), cujo nome real é Pedro Antonio Marín. O Secretariado coordena as ações da guerrilha, que conta com 17 mil homens em 60 frentes.

Reyes foi enviado inúmeras vezes para fora do país, para realizar ações de propaganda.

Como responsável pela frente internacional das Farc, Reyes se encontrou em 1998 na Costa Rica com delegados do governo dos Estados Unidos.

No final do ano passado, ele se reuniu no sul da Colômbia com a congressista colombiana Piedad Córdoba, que na época era mediadora para a troca de 43 reféns em poder da guerrilha por rebeldes presos.

Reféns

As Farc mantêm como reféns cerca de 40 políticos, policiais, militares e estrangeiros. A guerrilha pretende trocá-los por cerca de 500 rebeldes presos. Também estão nas mãos das Farc mais de 700 seqüestrados para fins de extorsão, segundo números oficiais.

Entre os cativos "passíveis de troca" figuram a ex-candidato à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt e os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves.

 

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