Mundo
01/03/2008 - 16h50

Palestinos afirmam que negociações de paz com Israel estão "enterradas"

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da France Presse, em Ramallah
da Efe, em Gaza

Saeb Erekat, um dos principais negociadores palestinos no processo de paz com Israel, afirmou neste sábado que as negociações com Tel Aviv "estão enterradas sob os escombros das casas destruídas em Gaza", em referência à mais recente operação militar israelense, que já deixou ao menos 71 mortos --45 deles apenas neste sábado-- e 260 feridos desde quarta-feira (27).

A operação de Israel no norte da faixa de Gaza é uma retaliação aos disparos de foguetes pelo grupo extremista palestino Hamas.

Entre os mortos palestinos, ao menos 13 são civis, sendo quatro crianças e sete mulheres. Jacqueline Abu Chbak, de 12 anos, e seu irmão, Iyad, 11 anos, morreram enquanto dormiam, vítimas da queda de um foguete na casa deles, de acordo com moradores. Uma mulher foi atingida no peito enquanto preparava o café-da-manhã para seus filhos.

Este sábado foi um dos dias mais violentos desde que o Hamas tomou o controle, em junho de 2007, da faixa de Gaza. As últimas mortes elevam para 6.245 o número de mortos nos confrontos entre Israel e Palestina desde 2000, a maioria deles palestinos, de acordo com um relatório elaborado pela France Presse.

O vice-Ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai, negou que o objetivo da operação seja uma reocupação parcial da faixa de Gaza, abandonada em 2005. "Usaremos principalmente a aviação, embora possamos recorrer às forças terrestres."

Foguetes palestinos

Grupos armados palestinos lançaram mais de 50 foguetes neste sábado contra Israel, deixando sete pessoas feridas, entre elas duas crianças e uma mulher, na cidade de Ashkélon, a 10 km da faixa de Gaza, de acordo com o Exército israelense.

A mesma fonte confirmou a morte de dois soldados israelenses; outros sete ficaram feridos.

Jabalya

Violentos combates entre soldados israelenses e militantes palestinos ocorreram em Jabalya, onde as ruas desertas estão tomadas pelos escombros.

"Vivemos em um clima de guerra total. Todos os dias ouvimos o som de foguetes e explosões", disse Abu Alaa, 40 anos, morador de Jabaliya. "As crianças não estão na escola e as lojas permanecem fechadas."

O chefe do setor de emergência em Gaza, Mouawiya Hassanein, disse que os serviços estão sobrecarregados. "Não podemos nos locomover facilmente, 12 de nossas ambulâncias estão paradas porque não temos combustível e as outras ambulâncias devem ter seus percursos marcados antecipadamente com o Exército de Israel."

Protestos

Na Cisjordânia, 300 palestinos protestaram nas ruas contra a ofensiva israelense.

O Presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, declarou que a ofensiva israelense era "mais do que um holocausto", em referência a uma declaração do vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai. Ontem, Vilnai afirmou que os constantes ataques com foguetes contra Israel, por parte do Hamas, podem atrair um "holocausto" para a faixa de Gaza.

"É impensável que a resposta israelense aos foguetes palestinos, que nós condenamos, seja terrível e assustadora", disse Abbas, que, de acordo com o seu gabinete, está tentando obter reuniões de emergência com a Liga Árabe e com o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O líder no exílio do grupo Hamas, Khaled Mechaal, disse neste sábado que Israel "exagera" o holocausto. "Israel usa o holocausto como pretexto para fazer o que quer", afirmou Mechaal, durante uma entrevista coletiva em Damasco, na Síria, onde vive exilado.

O líder do Hamas classificou as operações israelenses na faixa de Gaza de "verdadeiro holocausto" e disse que elas contam com o amparo do presidente da ANP.

Mahmoud Abbas "encobre, voluntária ou involuntariamente" a ofensiva de Israel, disse Mechaal.

Negociações

As negociações de paz entre Israel e a Palestina haviam sido reativadas no final de novembro em uma conferência internacional realizada em Annapolis (Estados Unidos), depois de vários anos completamente paradas.

Nesse encontro, o premiê de Israel, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, se comprometeram a fazer todo o necessário para chegar a um acordo de paz até o final de 2008.

Comentários dos leitores
mauro halpern (53) 06/07/2009 19h46
mauro halpern (53) 06/07/2009 19h46
respondo ao sr eduardo de souza.
Obrigado pela parte que agradece a saber ter aprendido fatos históricos. Acointece que os FATOS HISTÓRICOS que muitos colocam aqui são omissos em parte. Se é verdade que PARTE do povo palestino foi "expatriado ou expulso" É VERDADE factualmente comprovável em fotos e pode até conversar com eles - que ainda reside em israel SOB CIDADANIA ISRAELENSE E VOTANDO algo como 2 milhoes de árabes, NAS CASAS ONDE SEMPRE MORARAM. Ao contrário destes, cerca de 900 mil judeus foram EXPULSOS DOS PAISES ÁRABES nos anos de 1940 e 1950. e, ao contrario da continuação de arabes morando até hoje em israel, a TODOS ELES nao foi dada a escolha. foram roubados e expulsos. Roubados em quanto? em MUITO MAIS que os palestinos. Ora. viviam muito bem em comunidades egipcias, turcas e sírias. Esmirna, Alexandria, Alleppo, Damasco, Beirite, Fez, tinham comunidades MILENARES. expulsos. sim. HISTORICAMENTE. muitos estao aqui em sao paulo. Muitos receberam cidadania israelense, ONDE CHEGARAM APENAS COM A ROUPA DO CORPO. Como diz nosso colega nissei, SE VIRARAM.
JUSTIÇA APENAS PARA OS REFUGIADOS PALESTINOS? apenas eles? george orwel bem escreve em a revolução dos bichos: TODOS SÃO IGUAIS. ALGUNS, ENTRETANTO, SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS
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mauro guanandi (6) 03/07/2009 09h28
mauro guanandi (6) 03/07/2009 09h28
o SR SAID FALA IGUALZINHO A HILER. ele dizia que os judeus da alemanha faziam lobbie e destruiram aeconomia (nao foi a primeira guerra, e sim os judeus).
Falta agora dizer que os 6 milhoes de judeus mortos foram parte do LOBBY judaico para criar israel. Matar um terço da propria população. ah. hitler tambem foi parte do lobby judaico.
Os judeus queimados em forno estavam fazendo lobby. é isto. LOBISTAS!
QUE truquezinho baixo, quase que enganam....enganaram a quase todos, menos ao sr said. ele não se deixa enganar.
Fomos descobertos.
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Said Abou Ghaouche Netto (21) 01/07/2009 03h42
Said Abou Ghaouche Netto (21) 01/07/2009 03h42
Muitas pessoas tem uma visão jornalística do problema entre árabes e judeus em prejuizo de uma visão histórica. Quem pesquisar, do surgimento do sionismo moderno até a queda do mandato britânico saberá que os judeus usaram todas as armas. Lobbies, corrupção, chantagem, traição e terrorismo. Criaram lobbies para pressionar governos ocidentais, entre eles a Alemanha e o império Otomano (atual Turquia). Quando estes perderam a primeira guerra e o império desmoronou, a França e a Grã Bretanha tomaram e dividiram o terreno. Durante a 1ª guerra, os árabes lutavam contra os turcos e com a orientação de um certo militar inglês acabaram derrubando o último sultão. Assim a Alemanha perdeu importante aliado e também a guerra. Onde estavam os judeus? Fazendo lobbie, agora junto aos britânicos. Depois houve todo tipo de corrupção e chantagem para permitir o contrabando de armas, a compra de terras sem a devida quitação, o cerceamento às autoridades britânicas locais, o uso de terrorismo contra a população e oficiais britânicos (mataram o enviado da ONU, Conde Folke Bernadotte) e por último a traição à declaração balfour, que dizia que nada seria feito em prejuizo da população local. Mas de todos os pecados o maior foi a mentira de que existia uma terra sem povo para um povo sem terra. Eu não digo isso para condená-los, pois tenho pena das futuras gerações que herdarão a conta. O tempo e a demografia favorece os árabes e as coisas vão acabar como na África do Sul, numa hipótese otimista. 25 opiniões
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