Mundo
01/03/2008 - 17h28

Extremo oriente russo dá início às eleições presidenciais de domingo

da Folha Online

Os eleitores da península nordeste de Tchukotka, no extremo-oriente russo, estão sendo os primeiros a votar neste domingo (hora local) nas eleições presidenciais da Rússia, nove horas antes de Moscou devido ao fuso horário.

A Rússia realiza neste domingo (2) eleições para escolher o sucessor de Vladimir Putin, em um pleito sem surpresas, já que é dada como certa a vitória do candidato apoiado pelo próprio Putin, que não pode se candidatar a um terceiro mandato.

Dmitri Medvedev, 42, atualmente vice-premiê, ao receber o apoio de Putin anunciou que, se eleito, escolheria Putin, 55, para ser seu premiê. O presidente aceitou o convite imediatamente.

Segundo analistas russos, estas são as eleições mais previsíveis de um presidente depois que a candidatura de Medvedev, antigo amigo e colaborador de Putin com fama de liberal, foi promovida pelos partidos governistas Rússia Unida e Rússia Justa, que juntos somam 353 das 450 cadeiras parlamentares.

As pesquisas mostram que o candidato do presidente, que goza de amplo apoio da população, ganhará com ao menos 60% dos votos, superando de longe o mínimo de 50% necessário para ganhar o pleito no primeiro turno.

Os adversários de Medvedev são o líder comunista Guennady Zyuganov, o nacionalista Vladimir Jirinovsky e o quase desconhecido Andrei Bogdanov.

Se for de fato eleito, Medvedev assumirá a Presidência do país de 143 milhões de pessoas, que Putin transformou desde que chegou ao poder em 2000, no lugar de Boris Ieltsin.

Exposição

Segundo a agência Interfax, na semana passada a televisão, a rádio, a imprensa escrita e a internet russa citaram Medvedev 982 vezes, frente a 186 menções de Jirinovski, 142 de Bogdanov e só 78 do líder comunista, o único candidato com ares de opositor.

O candidato governista monopoliza os espaços noticiários nas cadeias públicas da televisão russa, que dão uma ampla cobertura a todas as suas reuniões, visitas a fábricas, universidades e unidades militares e outros atos, muitos dos quais aparece ao lado de Putin.

É por isso que o líder comunista acusou Medvedev de receber uma cobertura marcadamente preferencial e o desafiou convidando-o a um debate ao vivo.

No entanto, o candidato governista se recusou a participar dos debates, assim como o partido Rússia Unida fez no pleito legislativo de dezembro passado e como o próprio Putin fez durante suas campanhas eleitorais de 2000 e 2004.

Com o pleito já praticamente decidido, coube ao governo fazer uma ampla campanha para incentivar a população a votar, a fim de contornar o desinteresse e legitimar o pleito.

Pesquisas

Segundo o Centro de Estudo da Opinião Pública (Vtsiom), 72,9% dos eleitores votarão em Medvedev; 15% em Zyuganov, 10,9% em Jirinovski e 1,1% em Bogdanov, um político quase desconhecido e que é vinculado ao Kremlin.

A previsão se baseia em seis pesquisas realizadas pela Vtsiom em janeiro e fevereiro com 1.600 pessoas em 153 localidades de 46 das 88 repúblicas e regiões russas, e tem uma margem de erro de 3,4%, segundo a agência RIA Novosti.

Já a fundação Opinião Pública considera que Medvedev obterá 67,8% dos votos, contra 16,3% de Zyuganov, 13,7% de Jirinovski e 1,3% de Bogdanov.

A última pesquisa da fundação aconteceu em meados de fevereiro com 3.000 habitantes de 200 localidades de 63 entidades federadas russas e tem uma margem de erro de 2,5%.

Observadores

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que se negou a enviar observadores às eleições parlamentares russas de dezembro último, decidiu boicotar também as eleições presidenciais, denunciando restrições no trabalho de seus funcionários.

A organização internacional de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) denunciou nesta semana "a repressão às liberdades de expressão" durante o governo Putin.

A AI citou a "interpretação arbitrária de uma legislação vaga" e de um "crescente constrangimento com base em alegações de limitar uma suposta influência ocidental".

Os opositores de Putin que se arriscam a dar declarações públicas o acusam de desmantelar as liberdades democráticas estabelecidas no anos 90, de reduzir os poderes do Parlamento, de não investigar os assassinatos de opositores e jornalistas e de cometer crimes de guerra na Tchetchênia.

Putin ressalta a sua alta aprovação popular e defende que sua Presidência foi um período "triunfal" após a queda da ex-URSS (União Soviética).

 

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