Israel mata 59 em Gaza e conversas de paz podem ser suspensas
da Folha Online
A Autoridade Nacional Palestina (ANP) ameaçou suspender as negociações de paz com Israel, depois que a última ofensiva militar israelense em Gaza deixou ao menos 59 mortos e outros 200 feridos. Dois soldados de Israel morreram na operação e outros cinco ficaram feridos.
O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, convocou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para analisar a situação em Gaza, pouco após manifestar que o ocorrido ali "é pior que o Holocausto".
Israel iniciou na noite de sexta-feira uma incursão no norte da faixa de Gaza, que se transformou na mais sangrenta desde que removeu os 8.000 colonos que viviam em assentamentos judaicos neste território palestino, em 2005.
As vítimas mais recentes são quatro palestinos que morreram na noite deste sábado no bombardeio de uma delegacia na cidade de Rafah, segundo testemunhas, e de um militante do Hamas no campo de refugiados de Al Bureij.
O números provisório de mortos deste sábado chega a 59, entre eles numerosos civis e ao menos 15 menores, incluídos várias crianças e dois bebês, segundo fontes sanitárias de Gaza.
Em declarações feitas durante a tarde deste sábado, o chefe do serviço de urgências do Ministério da Saúde em Gaza, Moawiya Hasanín, contabilizou em 86 (sem incluir os cinco desta noite) os mortos desde quarta-feira passada, quando teve início a ofensiva militar de Israel, enquanto os feridos, dezenas deles graves, superam os 200.
Combates
A operação deste sábado, apoiada por artilharia, tropas de infantaria e a Força Aérea israelense, esteve focada no campo de refugiados de Jabalya, no norte do território, além vários alvos próximos, ao sul e na própria Cidade de Gaza.
Durante os combates entre soldados israelenses e milicianos, que tentaram resistir à invasão, foram registrados ainda dois mortos e cinco feridos entre as fileiras do Exército israelense.
Israel confirmou à tarde a morte dos soldados, membros da Brigada Guivati, após informar suas famílias.
As milícias palestinas dispararam durante o dia dezenas de foguetes artesanais Qassam e foguetes Grad de médio alcance contra localidades israelenses, que causaram uma dúzia de feridos, entre eles dois menores que foram hospitalizados após serem atingidos por estilhaços.
Conversas de paz
A atual situação de violência levou o chefe negociador palestino, e ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei, a recomendar a suspensão das conversas de paz que mantém nos últimos meses com a chefe da diplomacia israelense, Tzipi Livni.
Segundo a edição eletrônica do diário "Haretz", Qorei, que se encontra neste sábado em Amã, teria anunciado a Livni que suspenderá a negociação de paz, embora a informação não tenha sido confirmada por nenhum canal oficial.
Por sua parte, o presidente Abbas convocou neste sábado uma reunião na sede governamental de Ramala, na Cisjordânia, para analisar a situação, mas ao no final das conversas não vazou nenhuma informação relevante a respeito.
Lvini disse neste sábado que as ameaças palestinas de suspender as negociações de paz com Israel não afetarão o desenvolvimento da ofensiva na faixa de Gaza.
"Inclusive se os palestinos desejam interromper as conversas de paz com Israel, não terá nenhum efeito sobre as decisões israelenses em Gaza", declarou Livni.
O assessor presidencial palestino, Saeb Erekat, afirmou que a negociação com Israel "ficou enterrada debaixo dos escombros das casas destruídas em Gaza".
Centenas de palestinos se concentraram na noite deste sábado na praça central Al Manara de Ramala para expressar sua repulsa à situação atual em Gaza e induzir o presidente Abbas a interromper a negociação com Israel.
"Não à negociação com o sangue de nosso povo", dizia um dos cartazes que se podia ler no protesto.
Membros da unidade de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) disseram à agência de notícias Efe que na próxima terça-feira Abbas deverá se reunir com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em mais uma das reuniões quinzenais que ambos dirigentes mantêm desde dezembro, quando se retomou o processo de paz iniciado em novembro na cúpula de Annapolis (EUA).
Algumas fontes afirmaram que a iminente visita à região da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, poderia supor um elemento de pressão que obrigasse às partes a realizar o encontro.
Também o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, visitará a região, em uma viagem que começa no domingo.
Com Efe
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