Mundo
01/03/2008 - 23h24

Israel mata ao menos 60 em Gaza no dia mais sangrento desde 2000

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da Folha online

Ao menos 60 palestinos morreram na ofensiva militar israelense na faixa de Gaza, fazendo deste sábado (1) o dia mais sangrento para os palestinos desde a última intifada contra a ocupação israelense, no início de 2000. Quase a metade dos mortos são civis, incluindo mulheres e crianças, segundo os médicos palestinos que atendem aos feridos na região.

Dois soldados israelenses também morreram durante os ataques e outros cinco ficaram feridos. As mortes entre o exército israelense foram as primeiras registradas em Gaza desde outubro.

O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a situação na região. Nos últimos quatro dias, 96 palestinos morreram e ao menos 200 ficaram feridos. A reunião foi convocada pela Presidência do CS, principal órgão de decisão da ONU, que durante o mês de março será comandado pela Rússia.

Nas primeiras horas deste domingo, a aviação israelense bombardeou o escritório do primeiro-ministro palestino deposto, Ismail Haniyeh.

Testemunhas confirmaram que o Exército israelense lançou dois mísseis contra o prédio do movimento Hamas, que controla o território, na parte ocidental da Cidade de Gaza, onde fica o escritório de Haniyeh. Ainda não há informações sobre vítimas deste ataque.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, havia convocado uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para analisar a situação em Gaza, pouco após manifestar que o ocorrido ali "é pior que o Holocausto".

Um funcionário da ONU em Gaza disse que só uma intervenção internacional pode acabar com "sofrimento desumano" de 1,5 milhão de pessoas. Disse ainda que matar mulheres e crianças não vai ajudar Israel.

O governo dos Estados Unidos fez declaração de apoio ao país aliado. "Há uma clara distinção entre ataque terrorista com alvo em civis e uma ação de autodefesa", afirmou um porta-voz do presidente George W. Bush.

Israel desocupou Gaza em 2005, retirando cerca de 8.000 colonos. Em junho do ano passado, o Hamas --que não reconhece a existência do Estado de Israel-- expulsou a Autoridade Nacional Palestina do território.

Combates

A operação deste sábado, apoiada por artilharia, tropas de infantaria e a Força Aérea israelense, esteve focada no campo de refugiados de Jabalya, no norte do território, além vários alvos próximos, ao sul e na própria Cidade de Gaza.

Durante os combates entre soldados israelenses e milicianos, que tentaram resistir à invasão, foram registrados ainda dois mortos e cinco feridos entre as fileiras do Exército israelense.

Israel confirmou à tarde a morte dos soldados, membros da Brigada Guivati, após informar suas famílias.

As milícias palestinas dispararam durante o dia dezenas de foguetes artesanais Qassam e foguetes Grad de médio alcance contra localidades israelenses, que causaram uma dúzia de feridos, entre eles dois menores que foram hospitalizados após serem atingidos por estilhaços.

Conversas de paz

A atual situação de violência levou o chefe negociador palestino, e ex-primeiro-ministro Ahmed Qorei, a recomendar a suspensão das conversas de paz que mantém nos últimos meses com a chefe da diplomacia israelense, Tzipi Livni.

Segundo a edição eletrônica do diário "Haretz", Qorei, que se encontra neste sábado em Amã, teria anunciado a Livni que suspenderá a negociação de paz, embora a informação não tenha sido confirmada por nenhum canal oficial.

Por sua parte, o presidente Abbas convocou neste sábado uma reunião na sede governamental de Ramala, na Cisjordânia, para analisar a situação, mas ao no final das conversas não vazou nenhuma informação relevante a respeito.

Lvini disse neste sábado que as ameaças palestinas de suspender as negociações de paz com Israel não afetarão o desenvolvimento da ofensiva na faixa de Gaza.

"Inclusive se os palestinos desejam interromper as conversas de paz com Israel, não terá nenhum efeito sobre as decisões israelenses em Gaza", declarou Livni.

O assessor presidencial palestino, Saeb Erekat, afirmou que a negociação com Israel "ficou enterrada debaixo dos escombros das casas destruídas em Gaza".

Centenas de palestinos se concentraram na noite deste sábado na praça central Al Manara de Ramala para expressar sua repulsa à situação atual em Gaza e induzir o presidente Abbas a interromper a negociação com Israel.

"Não à negociação com o sangue de nosso povo", dizia um dos cartazes no protesto.

Membros da unidade de negociações da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) disseram à agência de notícias Efe que na próxima terça-feira Abbas deverá se reunir com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em mais uma das reuniões quinzenais que ambos dirigentes mantêm desde dezembro, quando se retomou o processo de paz iniciado em novembro na cúpula de Annapolis (EUA).

Algumas fontes afirmaram que a iminente visita à região da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, poderia supor um elemento de pressão que obrigasse às partes a realizar o encontro.

Também o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, visitará a região, em uma viagem que começa no domingo.

 

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