Mundo
02/03/2008 - 09h18

Russos escolhem novo presidente; aliado de Putin deve ser eleito

da Folha Online

Os russos votam neste domingo nas eleições presidenciais e devem legitimar Dmitri Medvedev, aliado do atual presidente, Vladimir Putin, que está no poder desde 2000 e não pode se reeleger novamente. Medvedev anunciou que oferecerá a Putin o cargo de premiê no novo governo, proposta já aceita pelo presidente.

Se ele de fato vencer, a comunidade internacional deve acompanhar de perto como ele e Putin agirão para dividir o poder.

Alguns países ocidentais viram com bons olhos a candidatura de Medvedev --que é considerado moderado-- depois de anos de relações tensas durante o governo de Putin.

Entre os temas que causaram controvérsias com o Ocidente durante os oito anos de governo Putin estão a repressão à oposição, o impasse em torno do escudo antimísseis que os EUA pretendem construir na região e a posição de Putin em relação à independência de Kosovo.

No entanto, analistas prevêem que Medvedev pode enfrentar oposição de líderes do Kremlin que se opõe ao Ocidente. Pesquisas mostram ele bem à frente dos outros três candidatos: o comunista Gennady Zyuganov, o ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky e Andrei Bogdanov, do Partido Democrata.

Os colégios eleitorais abriram às 8h (3h de Brasília), e permanecerão abertos até as 20h (15h de Brasília). Em Moscou foram convocados mais de 7 milhões dos cerca de 109 milhões de eleitores do país.

A Rússia abrange 11 fusos horários, por isso que enquanto nas regiões ocidentais do país acabar de começar a votação, na parte oriental os colégios eleitorais já se preparam para fechar.

De acordo com as pesquisas, espera-se que a participação da população deve chegar aos 70%.

Duas explosões ocorridas no dia da eleição perto de um comboio policial em uma área próxima da Tchetchênia relembraram as tensões em torno da república separatista, um dos desafios do novo presidente. Cerca de 450 mil policiais foram destacados em todo o país para garantir a segurança.

Na Tchetchênia, o presidente Ramzan Kadyrov previu uma taxa de 95% a 100% de participação.

"Eu votei em um futuro melhor, votei em Medvedev", disse ele à Associated Press em Grozny.

Observadores

Cerca de 300 observadores internacionais monitoram os mais de 96 mil postos eleitorais em toda a Rússia.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) recusou-se a mandar observadores, dizendo que as autoridades impuseram tantas restrições que não faria sentido acompanhar o processo.

O comunista Zyuganov disse que o processo seria amplamente fraudado, sem apresentar evidências.

Já Bogdanov, ao ser questionado quantos votos esperava obter afirmou: "Qualquer percentagem será boa".

Economia

Entre os principais desafios, o novo líder enfrentará os problemas graves na economia russa. O país gerou renda inflacionando os preços do petróleo, mas tem uma economia muito dependente de recursos naturais e precisa diversificar a produção para garantir prosperidade a longo prazo. A inflação foi de 11% em 2007.

Timofei Ryumin, 38, médico que vive na cidade de Kaliningrado (oeste) disse que a campanha de Medvedev parece "planejada e coerente", e que votou nele apesar da decepção com o Kremlin, que prometeu financiar moradia a baixo custo. "Não vejo outros líderes que possam assumir o poder de forma efetiva", disse ele.

Questionado a respeito da apatia da maioria dos eleitores, ele disse que, para muito, o dia da eleição é apenas "mais um motivo para ficar bêbado".

 

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