Quase metade dos eleitores já registraram seus votos na Rússia
da Folha Online
Um total de 48% dos cerca de 109 milhões de eleitores registrados já depositaram seus votos nas eleições presidenciais russas deste domingo, nas quais Dmitri Medvedev --que é apoiado pelo atual presidente, Vladimir Putin-- deve ser escolhido seu sucessor.
Segundo Vladimir Churov, da Comissão Central Eleitoral (CEC), a participação deve ultrapassar a das eleições de 2004, quando 64% dos eleitores votaram.
De acordo com a CEC, o comparecimento às urnas deve chegar a 83% na região de Chukotka (nordeste), e mais de 70% participaram na área de Khabarovsk, perto da fronteira com a China.
Pesquisas de boca-de-urna devem ser divulgadas após o fechamento das urnas no último dos 11 fuso horários da Rússia em Kaliningrado, perto da Polônia, às 20h (15h de Brasília) deste domingo.
Medvedev anunciou que oferecerá a Putin o cargo de premiê no novo governo, proposta já aceita pelo presidente. Se ele de fato vencer, a comunidade internacional deve acompanhar de perto como ele e Putin agirão para dividir o poder. Alguns países ocidentais viram com bons olhos a candidatura de Medvedev --que é considerado moderado-- depois de anos de relações tensas durante o governo de Putin.
Entre os temas que causaram controvérsias com o Ocidente durante os oito anos de governo Putin estão a repressão à oposição, o impasse em torno do escudo antimísseis que os EUA pretendem construir na região e a posição de Putin em relação à independência de Kosovo.
No entanto, analistas prevêem que Medvedev pode enfrentar oposição de líderes do Kremlin que se opõe ao Ocidente. Pesquisas mostram ele bem à frente dos outros três candidatos: o comunista Gennady Zyuganov, o ultranacionalista Vladimir Zhirinovsky e Andrei Bogdanov, do Partido Democrata.
Duas explosões ocorridas no dia da eleição perto de um comboio policial em uma área próxima da Tchetchênia relembraram as tensões em torno da república separatista, um dos desafios do novo presidente. Cerca de 450 mil policiais foram destacados em todo o país para garantir a segurança.
Na Tchetchênia, o presidente Ramzan Kadyrov previu uma taxa de 95% a 100% de participação.
"Eu votei em um futuro melhor, votei em Medvedev", disse ele à Associated Press em Grozny.
Observadores
Cerca de 300 observadores internacionais monitoram os mais de 96 mil postos eleitorais em toda a Rússia.
A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) recusou-se a mandar observadores, dizendo que as autoridades impuseram tantas restrições que não faria sentido acompanhar o processo.
O comunista Zyuganov disse que o processo seria amplamente fraudado, sem apresentar evidências.
Já Bogdanov, ao ser questionado quantos votos esperava obter afirmou: "Qualquer percentagem será boa".
Economia
Entre os principais desafios, o novo líder enfrentará os problemas graves na economia russa. O país gerou renda inflacionando os preços do petróleo, mas tem uma economia muito dependente de recursos naturais e precisa diversificar a produção para garantir prosperidade a longo prazo. A inflação foi de 11% em 2007.
Timofei Ryumin, 38, médico que vive na cidade de Kaliningrado (oeste) disse que a campanha de Medvedev parece "planejada e coerente", e que votou nele apesar da decepção com o Kremlin, que prometeu financiar moradia a baixo custo. "Não vejo outros líderes que possam assumir o poder de forma efetiva", disse ele.
Questionado a respeito da apatia da maioria dos eleitores, ele disse que, para muito, o dia da eleição é apenas "mais um motivo para ficar bêbado".
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