Mundo
02/03/2008 - 16h03

Boca-de-urna aponta vitória de aliado de Putin em eleição na Rússia

da Folha Online

Dmitri Medvedev, aliado do atual presidente russo, Vladimir Putin, venceu as eleições presidenciais deste domingo, de acordo com as pesquisas de boca-de-urna e com os resultados preliminares.

Segundo pesquisa do instituto VTSIOM, Medvedev obteve 69,6% dos votos --uma ampla vantagem sobre seu principal rival, o comunista Gennady Zyuganov, que teve 17,2%. Os resultados parciais apontam um cenário similar, com 64,55% para Mevdevev contra 16% de Zyuganov, com 15% dos votos apurados.

Segundo a Comissão Central Eleitoral (CEC), a participação foi de 70% --número acima do registrado nas eleições de 2004, quando 64% dos eleitores votaram.

Os primeiros resultados não são surpresa, já que a vitória de Medvedev era amplamente esperada.

Medvedev já havia anunciado anteriormente que oferecerá a Putin o cargo de premiê no novo governo, proposta já aceita pelo presidente. A comunidade internacional deve acompanhar agora de perto como ele e Putin agirão para dividir o poder. Medvedev deve assumir oficialmente a Presidência em maio de 2008.

Alguns países ocidentais viram com bons olhos a candidatura de Medvedev --que é considerado moderado-- depois de anos de relações tensas durante o governo de Putin. Entre os temas que causaram controvérsias com o Ocidente durante os oito anos de governo Putin estão a repressão à oposição, o impasse em torno do escudo antimísseis que os EUA pretendem construir na região e a independência de Kosovo.

No entanto, analistas prevêem que Medvedev pode enfrentar oposição de líderes do Kremlin que se opõem ao Ocidente.

Duas explosões ocorridas no dia da eleição perto de um comboio policial em uma área próxima da Tchetchênia relembraram as tensões em torno da república separatista, um dos desafios do novo presidente. Cerca de 450 mil policiais foram destacados em todo o país para garantir a segurança.

Na Tchetchênia, o presidente Ramzan Kadyrov previu uma taxa de 95% a 100% de participação.

"Eu votei em um futuro melhor, votei em Medvedev", disse ele à Associated Press em Grozny.

Fraude

Cerca de 300 observadores internacionais monitoraram os mais de 96 mil postos eleitorais em toda a Rússia.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) recusou-se a mandar observadores, dizendo que as autoridades impuseram tantas restrições que não faria sentido acompanhar o processo.

O comunista Zyuganov disse que o processo seria amplamente fraudado, sem apresentar evidências.

Já Bogdanov, ao ser questionado quantos votos esperava obter afirmou: "Qualquer percentagem será boa".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, rechaçou as críticas em relação à condução do processo eleitoral.

Segundo ele, o alto comparecimento às urnas demonstra a "participação política ativa do povo russo, que está escolhendo pela continuação das mudanças".

Economia

Entre os principais desafios, o novo líder enfrentará os problemas graves na economia russa. O país gerou renda inflacionando os preços do petróleo, mas tem uma economia muito dependente de recursos naturais e precisa diversificar a produção para garantir prosperidade a longo prazo. A inflação foi de 11% em 2007.

Timofei Ryumin, 38, médico que vive na cidade de Kaliningrado (oeste) disse que a campanha de Medvedev parece "planejada e coerente", e que votou nele apesar da decepção com o Kremlin, que prometeu financiar moradia a baixo custo. "Não vejo outros líderes que possam assumir o poder de forma efetiva", disse ele.

Questionado a respeito da apatia da maioria dos eleitores, ele disse que, para muito, o dia da eleição é apenas "mais um motivo para ficar bêbado".

Com Reuters

 

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