Mundo
02/03/2008 - 16h57

Chávez fecha embaixada em Bogotá e mobiliza tropas na fronteira

da Folha Online

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou neste domingo o fechamento da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de "dez batalhões" militares na fronteira entre os dois países. Quito também retirou seu embaixador em Bogotá.

As medidas da Venezuela e do governo equatoriano são em resposta a uma operação militar colombiana no Equador contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

João Wainer/Folha Imagem
Segundo homem das Farc, Raúl Reyes (foto), foi morto pelo Exército colombiano
Segundo homem das Farc, Raúl Reyes (foto), foi morto pelo Exército colombiano

Segundo o venezuelano, o episódio pode dar início a uma guerra na América do Sul.

No entanto, as Farc negaram que a ação tenha ocorrido em território equatoriano. "Por agora, podemos assegurar que as afirmações do governo que dizem que nossos camaradas estavam na república irmã do Equador são pouco menos que uma infâmia", afirmou a revista "Resistencia", órgão de difusão das Farc, na primeira reação do grupo rebelde.

"Ordeno de imediato a retirada de todo nosso pessoal da embaixada de Bogotá. Que se feche a embaixada de Bogotá. Chanceler (Nicolás) Maduro, por favor, feche nossa embaixada e mande que voltem todos nossos funcionários", disse Chávez.

Chávez também chamou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de "criminoso, mafioso e paramilitar", e o acusou de dirigir um "narcogoverno".

A pedido de uma participante do seu programa de rádio e televisão "Alô, presidente!", o chefe de Estado Venezuelano ofereceu um minuto de silêncio a Raúl Reyes, o porta-voz internacional das Farc morto no sábado em um bombardeio do Exército colombiano em território equatoriano. Chávez se referiu ao bombardeio como um "covarde assassinato".

"Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império nem o seu cachorro venham nos debilitar", acrescentou, em referência aos EUA e à Colômbia, respectivamente.

Chávez, que mantém uma relação tensa com o presidente colombiano Alvaro Uribe, ordenou em novembro a retirada do seu embaixador em Bogotá, Pavel Rondón, depois da decisão de Uribe de encerrar a mediação do presidente da Venezuela com as Farc em um acordo humanitário.

O mandatário venezuelano afirmou no sábado que, na Venezuela, um ato similar ao ocorrido no Equador seria considerado um ato de guerra.

Equador

O presidente venezuelano disse ainda que falou na manhã deste domingo com o mandatário equatoriano, Rafael Correa. O Equador está "mobilizando tropas para o norte. Correa conta com a Venezuela para o que quer que seja, em qualquer circunstância", declarou Chávez.

O governo do Equador também anunciou neste domingo a retirada de seu embaixador na Colômbia, Francisco Suéscum, após a "transgressão dos princípios de soberania e integridade territorial".

"O Equador resolveu retirar, imediatamente, seu embaixador em Bogotá frente aos graves fatos ocorridos na zona fronteiriça, que constituem uma transgressão aos princípios de soberania e integridade territorial amparados pelo direito internacional", informou em comunicado a Chancelaria.

A operação foi considerada pelo Equador como uma "agressão" e uma "bofetada no país", pois aconteceu em território equatoriano, na zona de Angostura, na Província amazônica de Sucumbíos.

Quito, após receber relatórios militares do lugar onde se produziram os eventos, qualificou a morte dos guerrilheiros das Farc como um "massacre" cometido pelas forças de segurança colombianas.

As investigações efetuadas pelos militares equatorianos na zona de Angostura, na floresta amazônica do nordeste do Equador, afirmam que na madrugada do sábado aconteceu um bombardeio sobre uma base clandestina improvisada pelas rebeldes Farc.

Além disso, o Equador afirma que tropas colombianas penetraram na zona para levar os cadáveres de Reyes e de Julián Conrado, comandantes da guerrilha.

Raul Reyes

Luis Edgar Devia, de codinome Raul Reyes, era um dos sete membros do Secretariado (comando central) das Farc, que tem como líder Pedro Antonio Marín ("Manuel Marulanda Vélez" ou "Tirofijo"), o septuagenário fundador e chefe máximo do grupo.

Reyes era dirigente do sindicato local da multinacional Nestlé quando entrou para a guerrilha, nos anos 70, se tornando, mais tarde, porta-voz oficial do grupo.

No bombardeio também morreram outros dezesseis insurgentes, entre eles Guillermo Enrique Torres, que usava o codinome Julián Conrado, considerado como um dos ideólogos da guerrilha, em atividade desde 1964.

Com France Presse e Efe

 

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